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| Camille Monet et l'enfant dans le jardin -1875 |
Ficha
Técnica
Autor: Claude
Monet (1840–1926)
Ano: 1875
Técnica: Óleo
sobre tela
Estilo: Impressionismo
Nota: A
figura feminina é frequentemente identificada como Camille, primeira esposa de
Monet, acompanhada de um dos filhos do casal
Nesta obra, Claude Monet nos oferece um instante de serenidade capturado ao ar livre, sob a luz que se filtra entre as flores e as folhas. No centro, uma mulher sentada costura, imersa em sua tarefa, a cabeça baixa em silêncio e recolhimento. Ao seu lado, uma criança pequena, também sentada no chão, parece imitar o gesto da mãe - uma cena de convívio doméstico, simples e afetuosa, elevada à condição de arte.
Aqui, não há contornos nítidos nem sombras definidas. Tudo é construído por pinceladas curtas, rápidas e justapostas, que deixam a luz vibrar sobre a tela. O brilho não vem de uma fonte única e calculada: está espalhado por todo o quadro, refletido nas pétalas, no tecido das roupas, na pele. As cores se tocam e se misturam aos olhos do observador, como se a própria cena estivesse em movimento, vivendo e mudando a cada instante.
A mulher veste um vestido de tons azuis e prateados, cujas listras parecem ondular com a luz e o vento. Seus traços não são detalhados - o que importa não é o rosto, mas a postura, o gesto, a presença. A criança, em vestimenta de tom semelhante, repete a cor e a calma da mãe: um laço delicado une as duas figuras, sem necessidade de palavras. Monet não pinta retratos - pinta a atmosfera em que as pessoas vivem.
Ao fundo, um jardim em flor que parece jorrar da tela: rosas vermelhas, róseas e brancas, manchas verdes vibrantes, tudo em pinceladas soltas e quentes. A vegetação não é desenhada com precisão - é sentida. Cada flor é uma mancha de cor que pulsa, criando um cenário rico e exuberante que envolve as figuras como um abraço. O jardim não é apenas fundo: é parte da cena, respira junto com as personagens.
A Proposta Impressionista
Monet rejeita o acabamento liso e idealizado da pintura acadêmica. Busca registrar o que o olho percebe num instante: a luz sobre as flores, o brilho no tecido, a sensação de ar e de vida. A obra não conta uma história grandiosa - celebra o instante comum, a quietude do lar, a beleza que existe no cotidiano, quando banhada pela luz do dia.
Monet pinta menos o que vemos e mais como vemos. Entre o brilho das rosas e a calma dos gestos, ele nos mostra que a beleza não está apenas em grandes feitos - está na luz que cai sobre quem costura, na criança que imita a mãe, no instante que passa e que a arte, felizmente, consegue reter.
Nessa época a mulher era orientada apenas para a formação necessária à educação dos filhos, guardiã do seu lar e família.Aqui Monet retratou sua primeira esposa - Camille e seu filho numa cena idílica que parece ser harmoniosa e tranquila.Na tela, Monte retrata o ambiente doméstico, intensifica a relação entre mãe e filho no jardim, projeta uma satisfação idealizada no rosto da mulher, que apesar da serenidade, também transmite uma solidão que contagia o ambiente ao redor.
Monet amava a natureza e gostava de pintar ao ar livre aplicando na tela os efeitos da luz solar. As suas obras com os efeitos da luz e rápidas pinceladas deu origem ao impressionismo. “Pinto como um pássaro canta” dizia ele, tal era a sua relação com a pintura e o gosto de a fazer ar livre.
Quem foi Monet?
"Monet sempre procurou retratar a impressão da luz em suas cenas, buscando aqueles momentos mágicos e instantâneos que desaparecem em minutos. Pesquisador incansável da luz, ele percebeu sem se alarmar, que sua visão diminuía dia-a-dia. Depois, descobriu que não enxergava mais. Três anos antes de falecer, foi submetido a uma cirurgia de catarata e recuperou sua capacidade visual. Nasceu no dia 14 de Novembro de 1840. Aprendeu com Eugéne Boudin a pintar ao ar livre e desde então decidiu ser pintor, contrariando o pai e a família. Somente sua tia, Madame Lecadre, pintora, ajudou- o, dando- lhe dinheiro para estudar arte em Paris em 1859 ( com 19 anos ). Conheceu em Paris, artistas como Bazille, Renoir, Sisley, Pissarro e Cézanne, Degas, formando o grupo dos impressionistas. Monet apreciava demais pintar ao ar livre e após a invenção da tinta à óleo em tubo ficou mais fácil carregar o material. Desejava ser conhecido e para isto era preciso expor no Grande Salão de Paris. Mas os juízes que escolhiam nem sempre aceitavam suas telas "" (FONTE; Dança e Arte.) VEJA MAIS OBRAS DE MONET A Q U I
Esta obra é realmente muito interessante,parece-nos harmoniosa e tranqüila.
ResponderExcluirOlá Soniamar, que tudo permaneça bem contigo, sempre!
ResponderExcluirÉ sempre um enorme prazer passar por cá, pois sempre há uma nova porção de conhecimentos. Desta vez sobre Monet. Confesso que observando esta pintura, percebi certa melancolia expressada na pose de Camille, expressão típica de grande parte das mulheres da época, sem direito a qualquer atitude espontânea. E com a explicação sobre a interpretação vejo que não estava de todo enganado. Parabéns pelas belas e instrutivas postagens que sempre compartilha com os amigos que por cá passam, e obrigado pelas visitas e comentários sempre tão gentis. Assim deixo meu desejo que você e todos ao redor tenham um viver tão intenso quanto feliz, abraços e até mais!
Mas a beleza das pinceladas supera quaisquer considerações da ordem patriarcal!
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