sexta-feira, 17 de junho de 2011

Cabeça de Medusa - Michelangelo Merisi Caravaggio (1598)




 A cabeça de Medusa - de Caravaggio, 1597


  "Caravaggio recria a figura de Medusa, besta mitológica transformada em escoria por ofender à divinidade Atena (na mitologia grega, é considerada a deusa da sabedoria, da estratégia e da guerra justa).

É uma teia(estrutura laminar flexível), em forma de tondo (forma de disco).

Michelangelo Merisi da Caravaggio foi um importante pintor italiano do final do século XVI e início do XVII. Este artista barroco nasceu na cidade de Milão em 29 de setembro de 1571.
 
O quadro CABEÇA DE MEDUSA mostra uma cabeça de mulher com os cabelos arrepiados, sangue brotando do pescoço. Muitos críticos de arte foram duramente feridos em sua sensibilidade por esta obra, a que é considerada a mais sangrenta de Caravaggio.

"A obra é o escudo espelhado, côncavo, no qual Medusa vê a sua própria imagem; é arte direta, despida de adereços, adornos, anexos e redundâncias. A obra é o escudo espelhado que reflete Medusa observando a própria morte no exato instante da sua ocorrência. O que ela vê é o próprio olhar horrorizado ao contemplar-se a si mesma, ao ver-se petrificar. Vê, tal como nós, o seu estertor de morte;  a sua cabeça solta esguichando sangue ao golpe da espada de Perseu.(Vide lenda abaixo)

A imagem da própria cabeça é a imagem cristalizada do momento da própria morte na superfície côncava do escudo (é, à sua maneira, uma fotografia com tudo o que de morte a fotografia encerra, pois capta um momento único e irrepetível no espaço e no tempo" 

Pode-se perceber a  genialidade no  jogo psicológico deste objeto-pintura que reside num fator perturbante – a representação do reflexo de Medusa no escudo é um auto-retrato de Caravaggio travestido de Medusa. A representação que o artista nos dá a ver de si próprio é a representação máxima do horror, da definitiva e absoluta vertigem do momento da morte. Representou no espelho, no escudo côncavo de Perseu, a imagem que viu de si no espelho real imaginando-se a morrer como Medusa. Esta obra é, por isso, um duplo espelho, real e mitológico. Esta duplicidade atravessa aliás toda a obra do artista que sempre usou para as suas composições pictóricas pessoas comuns, o “homem da rua” como modelo das personagens bíblicas e mitológicas."
Veja outrras obras de Caravaggio no link http://veja.abril.com.br/multimidia/galeria-fotos/slideshow/as-obras-de-caravaggio


A LENDA SOBRE MEDUSA:

"Das três temíveis Górgonas, irmãs filhas das divindades marinhas Fórcis e Ceto, duas eram imortais, Eusteno e Euríale. A terceira, Medusa, era mortal. Outrora tinha sido belíssima e particularmente belos teriam sido os seus cabelos que tanto atraíam os olhares. O esplendor da sua figura seduziu Poseidon que a violou no templo de Minerva. A profanação do templo levou Atena a punir Medusa, transformando os seus belos cabelos num emaranhado de serpentes vivas e amaldiçoando o seu olhar com o poder da morte pela petrificação. Medusa tornou-se evocação de medo, de horror, da implacabilidade da morte.
Perseu era filho de Zeus e Danae. O Rei de Acrisius, pai de Danae, temendo a profecia que anunciava a sua morte às mãos do neto, abandonou Perseu e sua mãe no mar. Os dois vaguearam até serem finalmente recolhidos pelo Rei de Serifo, Polidectes, que acabou mais tarde por se apaixonar por Danae. Incapaz de se aproximar dela porque Perseu era irredutível na protecção à mãe, Polidectes decidiu livrar-se do filho da amada, incumbindo-o de uma impossível demanda – decapitar Medusa e trazer a sua cabeça. Escondido por detrás de um escudo espelhado e munido de outros objectos mágicos, Perseu protegeu-se do olhar terrífico e mortal ao mesmo tempo que o devolvia em reflexo a Medusa, decapitando-a no exato momento em que ela contemplou o horror da sua própria figura, o horror da sua própria morte.

Face à lenda, Medusa representa o absolutamente inacessível, dado não ser possível vê-la sem morrer. Encarar Medusa seria ver a própria morte e morrer nesse exato instante, quando o próprio corpo se fixa eternizando o seu esgar de espanto e horror em pedra, para sempre."

FONTE: http://zigimoveis.blogspot.com.br
 Estudos no Arquiodicesano

Saiba mais sobre Caravaggio: http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza/a-redencao-de-caravaggio/

6 comentários:

  1. Simplesmente fantástico!

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  2. Professora Michelangelo pertenceu ao humanismo (fase de transição)?

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  3. Vagner acho que há uma pequena confusão aqui.Você está confundindo Michelangelo Buonarroti(autor de Pietá) com o Michelangelo Caravaggio(autor da Cabeça de Medusa). Michelangelo Buonarroti foi um pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente. Sua pintura se desenvolveu na transição do Renascimento para o Maneirismo, e seu estilo sintetizou influências da arte da Antiguidade clássica, do primeiro Renascimento, dos ideais do Humanismo e do Neoplatonismo, centrado na representação da figura humana e em especial no nu masculino, que retratou com enorme pujança. Várias de suas criações estão entre as mais célebres da arte do ocidente, destacando-se na escultura o Baco, a Pietà, o David, as duas tumbas Medici e o Moisés; na pintura o vasto ciclo do teto da Capela Sistina e o Juízo Final no mesmo local, e dois afrescos na Capela Paulina.Para a posteridade Michelangelo permanece como um dos poucos artistas que foram capazes de expressar a experiência do belo, do trágico e do sublime numa dimensão cósmica e universal.

    Já MICHELANGELO CARAVAGGIO é normalmente identificado como um artista BARROCO, estilo do qual ele é o primeiro grande representante. Caravaggio era o nome da aldeia natal de sua família, que ele adotou como nome artístico.Caravaggio era um radical naturalista que combinava observação física com um tom dramático, teatral, usando claro-escuro que veio a ser conhecido como Tenebrismo , a mudança do claro ao escuro, com pouco valor intermediário. Ele estourou no cenário da arte de Roma em 1600 com o sucesso de seu primeiro trabalho público, o Martírio de São Mateus e Vocação de São Mateus. Caravaggio foi esquecido quase que imediatamente após sua morte, e foi só no século 20 que a sua importância para o desenvolvimento da arte ocidental foi redescoberto. Apesar disso, sua influência sobre o novo estilo barroco que finalmente emergiu das ruínas do Maneirismo, foi profundo. Ele pode ser visto diretamente ou indiretamente na obra de Rubens , Jusepe de Ribera , Bernini , e Rembrandt , e artistas na geração seguinte pesadamente sob a sua influência eram chamados de "caravaggisti" ou "Caravagesques", bem como Tenebrists ou "Tenebrosi "(" shadowists ").Portanto, Vagner, o primeiro tem influências humanistas mas o segundo - Caravaggio - não.

    ESPERO TER ESCLARECIDO A DÚVIDA !

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  4. Muito obrigado,foi um ótimo esclarecimento.
    Realmente confundi Michelangelo Caravaggio (barroco)com o Michelangelo Buonarroti (humanismo).Foi bom contar com a sua Ajuda.

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  5. Olá Soniamar educadora, desejo que tudo permaneça bem contigo!

    Como sempre tuas postagens me fazendo transformações!
    Nossa, agora tenho certeza de que muito tenho que aprender. Antes ouvia falar em Caravaggio, mas não tinha qualquer conhecimento de suas obras, nem sequer sabia que esta pintura da cabeça da medusa era obra dele.
    E também fiquei sabendo que existiu dois Michelangelos.
    Parabéns por mais esta bela e informativa postagem, como sempre levando conhecimento a pessoas feito eu. Obrigado pelas informações!
    Assim sempre agradecido por tuas informações e visitas eu desejo a você e todos ao redor intensa e feliz existência, abraços e até mais!

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  6. Nossa senhora de Agradecida16 de maio de 2012 09:29

    Cara professora,

    Realmente interessante! Era exatamente isso que eu procurava para um seminário de artes! Me mostrou que essa obra é ainda mais interessante do que parece! Fico muito agradecida por existirem pessoas que façam questão de mostrar ao mundo seus conhecimentos, como você!

    obrigada,

    Nossa senhora de Agradecida

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