sexta-feira, 2 de julho de 2010

LES DEMOISELLES D'AVIGNON - PABLO PICASSO

LES DEMOISELLES D'AVIGNON

Fonte imagem: Google.com


Picasso pintou esta obra em 1907, em Paris. O título faz referência à rua de Avignon, onde se localizava um bordel - e as figuras são prostitutas. Mas não há nada de convencional, doce ou idealizado aqui. Picasso destrói a beleza acadêmica, a perspectiva única, a proporção harmoniosa e a suavidade das formas. A pintura não é um espelho da realidade: é um campo de forças, ângulos cortantes e olhares que ferem.

As Figuras - Deusa e Máscara

Cinco mulheres ocupam o espaço, todas de frente para o espectador. As três figuras da esquerda ainda guardam traços da tradição e da arte ibérica: corpos mais curvos, narizes retos, formas arredondadas. Mas as duas da direita rompem com tudo: seus rostos se transformam em máscaras angulosas, olhos desalinhados, narizes que se tornam pontas afiadas, planos que se chocam sem suavidade. Picasso se inspirou profundamente na arte africana e nas máscaras primitivas - não como exotismo, mas como força bruta, expressão direta, sem rodeios. A beleza idealizada morre; em seu lugar, a presença poderosa, estranha e inquietante.

Forma e Espaço - Vários Olhares ao Mesmo Tempo

Aqui está a grande revolução: nenhum rosto é visto de um só ângulo. Em uma mesma cabeça, há partes vistas de frente, de perfil, de cima e de baixo - todas ao mesmo tempo. O espaço também não tem profundidade tradicional: fundo e figuras se misturam em planos justapostos, como se a tela tivesse perdido a terceira dimensão e se tornado superfície, construção, montagem. Não há sombra suave, nem luz natural: a luz é cortante, vinda de vários lados, criando sombras geométricas que dividem o corpo em facetas. O corpo não é mais contorno suave — é estrutura, montanha, paisagem partida em planos.

A paleta é sóbria, dominada por ocres, marrons, cinzas e azuis escuros. A cor não serve para imitar a pele ou o ambiente: serve para definir planos, separar formas, criar ritmo. O fundo se dobra e se curva, sem linha de chão estável - como se o próprio ambiente estivesse se decompondo. No canto inferior, um fruto sobre pano: quase um comentário irônico - a maçã da tentação, mas agora sem doçura, sem beleza, sem pecado romântico.

Quando a obra foi concluída, quase todos ficaram chocados e assustados. Amigos e colegas de arte achavam feia, incompreensível, um erro. As reações foram de horror "horrível", "monstruosas", "chocante" . Matisse disse que era um ultraje à arte; muitos afastaram-se de Picasso. Eles entenderam instintivamente: aquela pintura anunciava o fim da arte como se conhecia. Não havia mais harmonia, não havia mais beleza tranquilizadora. Em seu lugar: força, estrutura, visão fragmentada e uma coragem de reinventar tudo do zero.


Em As Senhoritas de Avignon, Picasso não apenas pinta mulheres - pinta o nascimento de um novo olhar. O rosto deixa de ser espelho da alma para ser construção de planos e ângulos. A beleza deixa de ser suavidade para ser força. E o espectador, em vez de admirar de longe, é confrontado por aqueles olhos múltiplos e cortantes. A arte moderna nasce aqui: partida, angulosa, livre e sem medo de parecer estranha.

Ficha Técnica

Autor: Pablo Picasso (1881–1973)

Período: 1907 (início do Período Cubista)

Técnica: Óleo sobre tela

Dimensões: 243,9 × 233,7 cm

Localização: Museu de Arte Moderna (MoMA), Nova York

Título original: Les Demoiselles d'Avignon

Marco: Considerada a obra que rompeu definitivamente com a tradição e anunciou o Cubismo, reescrevendo os rumos da arte moderna.


 

2 comentários:

  1. é uma coisa interesante que fala sobre obras e um pouco de picasso.fala sobre a obra les demoiselles d avignon.achei muito legal

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