terça-feira, 24 de maio de 2011

Mulheres,Flores e Araras - Di Cavalcanti

Mulheres,Flores e Araras - Di Cavalcanti

A tela organiza-se em planos claros e definidos, como se fossem janelas ou espaços distintos que se encontram. No centro, uma mulher de pele morena, olhar sereno e firme, segura com carinho uma arara verde e amarela contra o peito. À sua esquerda, outra mulher, de perfil, veste um vestido verde-escuro e mantem postura calma e recolhida. À direita, em plano mais distante, uma terceira figura observa de pé, sob um guarda-sol rosa, vestida com listras azuis e brancas.

Entre as figuras, em primeiro plano, um cesto transbordante de flores: margaridas brancas, rosas vermelhas e amarelas, hastes verdes - um explosão de cor que cresce exuberante, como se brotasse da própria cena. A arara, as flores e as mulheres formam um triângulo visual: a vida brasileira em seus três elementos mais vibrantes - a gente, a terra e a natureza.

 

Di Cavalcanti rejeita a perspectiva tradicional e o detalhamento realista. As formas são simplificadas, contornadas com firmeza, corpos volumosos e elegantes, sem sombras exageradas. As cores são intensas e diretas: vermelho, rosa, verde, azul, branco - puras, sem misturas suaves. É a linguagem do Modernismo brasileiro: não copia a natureza, reconstrói-a com traço próprio e identidade.

 

Os rostos têm traços marcantes: olhos amendoados, narizes largos, cabelos negros e volumosos. Di Cavalcanti não idealiza - retrata a mulher brasileira com toda a sua beleza genuína, mestiça e forte. Não há fragilidade: há presença, dignidade, quietude.

 

Ao fundo, através de janelas em arco, avista-se uma paisagem urbana com edifícios de estilo colonial, torres e cúpulas sob um céu azul sereno. O espaço interno é quente, íntimo, cheio de vida; o exterior é ordenado, luminoso, calmo. A cidade não invade - emoldura. As mulheres não estão perdidas no espaço urbano: estão nele, mas acima dele, em seu próprio mundo de beleza e serenidade.

 

Símbolos e Sentido

As araras: não são apenas aves - são a fauna brasileira, livre, de cores vibrantes, que a mulher acolhe com ternura. É a relação de afeto entre o povo e a terra.

As flores: abundantes, perfumadas, variadas - representam a fertilidade, a riqueza e a generosidade do solo brasileiro.

As mulheres: três, distintas e unidas - a diversidade e a força feminina, que é centro, raiz e continuidade.

Juntas, mulheres, flores e aves formam uma só imagem: o Brasil que Di Cavalcanti amava pintar — quente, mestiço, belo e inteiro, sem precisar pedir aprovação a nenhum outro padrão.

 

Di Cavalcanti pinta o que é nosso com olhar de quem conhece e ama. As mulheres são a alma; as flores, a terra; as araras, a liberdade. E ao fundo, a cidade - calma, serena, à espera. Não há drama, não há luta: há beleza, simples e verdadeira, brotando sempre, como as flores que nunca faltam neste chão.


Como disse RENATO ROSA "Falar da pintura de Di Cavalcanti é falar da cara e do povo brasileiro, da exuberância tropical do pais, de sua sensualidade sem folclore."

Pode-se observar no quadro acima as mulheres,as flores e a arara numa abordagem sensual  e tropical.
Di cavalcanti soube retratar a cultura do País como ninguém, destacando as festas populares como o carnaval, a paisagem e, principalmente, a figura da mulata .Seus temas favoritos foram os temas nacionais e populares, como favelas, operários, soldados, marinheiros, figuras de belas negras e festas populares. Sua arte, de forma geral,  traz essa abordagem sensual e tropical presente em várias de suas  telas.



Mulata de vestido verde
Di Cavalcanti foi, obviamente, foi um obcecado pelo corpo feminino. As cenas descritas são sempre alegres, caracterizando-se  por uma paleta de cores brilhantes e as representações da vida quotidiana de uma forma não-romantizada. .

A sua ousadia estética e perícia técnica, marcada pela definição dos volumes, pela riqueza das cores, pela luminosidade, vem somar-se a exploração de temas ligados ao seu cotidiano, que ele percebia com vitalidade e entusiasmo. A profunda inclinação aos prazeres da carne e a vida notívaga influenciaram sobremaneira sua obra: o Brasil das telas de Di Cavalcanti é carregado de lirismo, revelando símbolos de uma brasilidade personificada em mulatas que observam a vida passar, moças sensuais, foliões e pescadores. A sensualidade é imanente à obra do pintor e os prostíbulos são uma de suas marcas temáticas, assim como o carnaval e a festa, como se o cotidiano fosse um permanente deleitar-se. A originalidade de uma cultura constituída por um caldo de referências indígenas, européias e africanas, de forma contraditória e única, transparece em suas telas através de uma luminosidade ímpar.  





Baile Popular

Estilo artístico e temática

- Seu estilo artístico é marcado pela influência do expressionismo, cubismo e dos muralistas mexicanos (Diego Rivera, por exemplo).
- Abordou temas tipicamente brasileiros como, por exemplo, o samba. O cenário geográfico brasileiro também foi muitoi retratado em suas obras como, por exmeplo, as praias.
- Em suas obras são comuns os temas sociais do Brasil (festas populares, operários, as favelas, protestos sociais, etc).
- Estética que abordava a sensualidade tropical do Brasil, enfatizando os diversos tipos femininos.
- Usou as cores do Brasil em suas obras, em conjunto com toques de sentimentos e expressões marcantes dos personagens retratados.



Carnaval
Emiliano Di Cavalcanti, o pintor das mulatas, nasceu em 1897, no Rio de Janeiro. Quando seu pai morreu em 1914, Di obrigou-se a trabalhar e fez ilustrações para a Revista Fon-Fon. Em 1917, transferindo-se para São Paulo, seguiu fazendo ilustrações e começou a pintar. Entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 idealizou e organizou a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo. Fez sua primeira viagem à Europa em 1923, permanecendo em Paris até 1925




FONTE: Texto apresentado a turma após pesquisa de alunos 1º ano em sala no JBC




 Saiba mais: http://www.pitoresco.com.br/brasil/cavalcanti/cavalcanti.htm

6 comentários:

  1. Olá Soniamar, desejo que tudo esteja bem contigo, sempre!
    Desnecessário dizer o quanto aprecio tuas postagens neste belo espaço tão artístico, e que divulga e explica sobre as obras e seus artistas. Parabéns por mais esta bela e artística postagem onde conheci mais um pouco deste importante artista desta pátria que tanto destacava a beleza das mulheres deste Brasil! Muito bom mesmo, obrigado por compartilhar teus conhecimentos!
    Agradecido pelas tuas visitas desejo a você e todos ao redor intensa felicidade, grande abraço e até mais!

    ResponderExcluir
  2. Olá educadora Soniamar, agradeço suas sempre tão elogiosas visitas, e digo que também me sinto deveras bem por aqui, pois sempre adquiro mais saber sobre arte, portanto é como dizem, viver é um dar e receber sempre, você gosta de ir lá e eu também me sinto bem por cá!
    Assim desejo a você e todos ao redor intensa felicidade, um grande abraço e até mais!

    ResponderExcluir
  3. Eu gostaria de saber o nome da obra localizada no inicio do video antes de assisti-lo por favor

    ResponderExcluir
  4. Respondendo ao ANÔNIMO acima. A primeira imagem que aparece no vídeo é parte da obra "SAMBA". Di Cavalcanti era avesso ao abstracionismo, tinha preferência por figurações de temáticas voltadas para o social: mulatas, carnaval, favelas, cenas cariocas, festas populares, mestiços, vida noturna: bares, prostíbulos, etc. Mas a grande paixão do pintor brasileiro, foi sem dúvida nenhuma as mulheres e sua sensualidade, dizem ter sido um homem de muitos amores.Você pode pesquisar mais sobre a obra dele no Google e no link constante na explicação.

    ResponderExcluir
  5. Ajudou um pouco no meu trabalho !!

    ResponderExcluir
  6. preciso de pinturas de cidades

    ResponderExcluir