quarta-feira, 7 de julho de 2010

Trigal com Corvos - Van Gogh (1890)

fonte imagem: google.com

Trigal com Corvos é uma das obras mais enigmáticas e intensas de Vincent van Gogh. Pintada em 1890, durante seus últimos meses de vida, ela condensa numa única paisagem a turbulência emocional, a força vital e a inquietação que atravessam toda a sua trajetória. Aqui, o campo não é apenas cenário: é estado de espírito. O céu não é apenas atmosfera: é conflito. Os corvos não são apenas aves: são presságios.

O trigal, que ocupa grande parte da composição, é um mar de amarelos vibrantes, quase violentos. As pinceladas rápidas e espessas fazem o trigo ondular como se estivesse vivo, como se respirasse. Van Gogh transforma a terra em energia, em movimento, em matéria pulsante. O amarelo - cor que ele associava à luz, ao calor, à esperança - aqui se torna ambíguo: é brilho, mas também inquietação; é vida, mas também desgaste.

A estrada central, que se abre como uma fenda no campo, conduz o olhar para dentro da pintura e, ao mesmo tempo, para dentro do artista. É um caminho que não promete destino. Ele se bifurca, se perde, se interrompe. É o símbolo da dúvida, da travessia sem garantias, da busca por sentido num mundo que parece sempre escapar. Van Gogh, que tantas vezes caminhou sozinho, pinta aqui o percurso da própria alma.

Sobre o trigal, o céu azul profundo se agita em pinceladas densas, quase tempestuosas. Não é o céu sereno de Arles; é um céu carregado, pesado, que parece desabar sobre a paisagem. A tensão entre o azul e o amarelo - cores complementares - cria um choque visual que ecoa o conflito interno do artista. É o encontro entre o desejo de paz e a impossibilidade de alcançá-la.

E então surgem os corvos. Negros, rápidos, dispersos, eles cortam o céu como flechas. São movimento, são ruído, são sombra. A presença dessas aves, tradicionalmente associadas à morte e ao presságio, intensifica o drama da cena. Mas Van Gogh não os pinta como ameaça explícita; pinta-os como parte da natureza, como elementos inevitáveis da vida. Eles são o eco da inquietação, não sua causa.

A obra, muitas vezes interpretada como uma espécie de testamento emocional, não é apenas melancolia. É também resistência. O trigal continua a crescer. O céu continua a se mover. A estrada continua aberta. Van Gogh, mesmo em sua dor, não abandona a vitalidade da pintura. Ele transforma o sofrimento em cor, a angústia em gesto, a solidão em paisagem.

Trigal com Corvos é, assim, uma síntese da condição humana: o caminho incerto, o céu turbulento, a vida que insiste em florescer, e as sombras que inevitavelmente nos acompanham. É uma obra que não se contempla apenas com os olhos, mas com o corpo inteiro - porque nela, Van Gogh não pinta o mundo; pinta o que é atravessar o mundo.




CONTEXTO


Vicent van Gogh foi um exemplo clássico de fracasso em vida. Vendeu uma só única tela em toda a sua existência. Quanto a isto, profetizou: “Não posso evitar o fato de que meus quadros não sejam vendáveis. Mas virá o tempo em que as pessoas verão que eles valem mais que o preço da tinta”.

Profecia acontecida.Hoje as telas de van Gogh valem milhões.

Van Gogh pintou essa tela - Trigal com corvos -  alguns dias antes de sua morte.

Críticos e historiadores de arte analisam a obra como uma representação do estado de espírito de van Gogh na ocasião. Um céu ameaçador e escuro, os três caminhos no campo, sendo o central um beco sem saída e os dois outros de final ou percurso desconhecidos e os corvos, símbolos de maus presságios ou mesmo de morte. De fato, van Gogh se suicida após concluir esta tela,


"No dia 27 de julho de 1890 sai para o campo de trigo com um revólver. E domingo. Pinta seu último quadro. O trigo está dourado, o céu totalmente azul. Corvos pretos grasnam, fugindo em revoada. No meio do campo, um tiro no peito. Socorrido pelo filho do Dr. Gachet, aguarda lúcido a chegada de Theo. Morre dia 29, dizendo a Theo: "A miséria não tem fim. "

CLICK AQUI E VEJA NO YOU TUBE A TELA TRIGAL DE CORVOS

Leia mais: http://www.serazul.com.br/Van.htm
http://www.webtelas.xpg.com.br/van_gogh.htm

6 comentários:

  1. esse quadro é incrivelmente espetacular....

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  2. "obra incrivelmente perfeita.."

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  3. Na verdade, suas ultimas palavras à seu irmão foram: "La tristesse durera toujours."
    Em português: "A triteza durará para sempre."

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  4. Vincent Van Gogh = MESTRE
    Adoro os quadros dele, principalmente Noite Estrelada.

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