domingo, 11 de julho de 2010

Pietá - Michelangelo(1499)

Imagem: google.com

A Pietà de Michelangelo, concluída em 1499, é mais do que mármore esculpido: é a condensação absoluta da dor, da fé e da transcendência humana. Nela, o artista florentino alcança um equilíbrio raro entre perfeição técnica e profundidade espiritual, criando uma obra que parece suspender o tempo - um instante eterno em que a morte se converte em silêncio e o silêncio em beleza.

A composição apresenta Maria jovem, serena, acolhendo o corpo de Cristo recém-descido da cruz. Essa juventude, tão comentada ao longo dos séculos, não é erro nem idealização ingênua: é símbolo. Michelangelo esculpe a Virgem como incorruptível, imagem da pureza que não envelhece, da fé que não se desgasta. Em seu rosto não há desespero, mas uma dor contida, quase meditativa - a aceitação sublime do mistério divino.

Cristo repousa sobre o colo materno com uma suavidade que desafia a rigidez da morte. O corpo, anatômico e perfeito, revela o domínio absoluto de Michelangelo sobre a forma humana. Cada músculo, cada dobra da pele, cada sombra esculpida no mármore transmite não apenas verossimilhança, mas humanidade. É o corpo de um homem que sofreu, que viveu, que morreu - e que, na quietude da escultura, anuncia a promessa da ressurreição.

O drapeado das vestes de Maria, abundante e monumental, funciona como base e moldura. Ele amplia sua presença, tornando-a quase arquitetônica, como se fosse ela - e não a cruz - o verdadeiro suporte da redenção. A mão esquerda da Virgem, aberta, não segura o corpo: oferece-o. É gesto de entrega, de apresentação ao mundo, de aceitação do sacrifício.

A Pietà é, assim, uma obra que articula opostos: peso e leveza, morte e promessa, dor e serenidade. Michelangelo transforma o mármore em carne e espírito, criando uma imagem que não apenas representa o sagrado, mas o encarna. O espectador, diante dela, não contempla apenas uma cena bíblica; contempla a própria condição humana - frágil, finita, mas capaz de encontrar sentido no amor e na fé.

Em sua quietude monumental, a Pietà permanece como um dos mais altos testemunhos da arte renascentista: uma obra que não busca narrar, mas revelar; que não pretende emocionar, mas elevar; que não se limita ao visível, mas toca o eterno.

CONTEXTO

O que chama mais a atenção na obra é a fisionomia extremamente jovem e calma da Virgem Maria. Possivelmente a mulher representa toda a humanidade, e Michelangelo talvez tenha se inspirado no trecho da “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, no trecho do Paraíso, XXXIII, I-2: “Virgem Mãe, filha do teu filho” (ALIGHIERI, 2004, p. 518). Na figura do Cristo, não se observa uma representação da morte, mas sim a fisionomia de um homem abandonado, mas sereno.

“A mão direita da madona, que sustenta com força o corpo inerte, tem os dedos abertos, evidenciando as costelas do Cristo. O braço direito deste, por sua vez, aponta para o achado. Por fim, a pista mais eloqüente: a faixa em que Michelangelo esculpiu o próprio nome passa por cima da estrutura anatômica. [...] O achado está contido em uma forma triangular na porção inferior da escultura. Um dos lados desse triângulo é formado pelo dorso, a região glútea e a coxa direita de Jesus. A panturrilha e o pé direito deste compõem o segundo lado. O terceiro é constituído por uma linha sobre o mando da Virgem, um pouco arqueada, que começa nos pés do Cristo e se eleva até a extremidade esquerda da estátua. Nesse ‘triângulo’ encontra-se a representação do corte frontal do hemitórax direito. Abaixo do pé direito de Jesus se observam, nas dobras do manto, duas costelas seccionadas”.(por BARRETO; OLIVEIRA (2004, p.187, 189, 191):


Michelangelo achava que, entre todas as artes, a mais próxima de Deus era a escultura. Deus havia criado a vida a partir do barro, e o escultor libertava a beleza da pedra. Segundo ele, sua técnica consistia em ‘libertar a figura do mármore que a aprisiona’. Enquanto outros escultores adicionavam pedaços de mármore para disfarçar seus erros, Michelangelo fazia suas esculturas num bloco único.
Michelangelo Buonarroti foi conhecedor de todas as artes, desde a pintura, a arquitetura, a escultura e até a poesia. Suas figuras são contorcidas, atormentadas, sofridas e expostas com grande carga dramática.
 Veja Pietá no video abaixo:




Saiba mais: http://www.michelangeloclub.com/pieta-de-michelangelo.html

5 comentários:

  1. Michelangelo é um gênio! Acho incrível como ele conseguia fazer todos esses detalhes em uma rocha, sem contar que isso era em pleno século XV. E dizia que "as rochas conversavam com ele" "Seja quem for que esteja aí dentro, revele-se"

    ResponderExcluir
  2. Esse cara é fera, só não é melhor que o Getúlio Vargas, pq Getúlio era fodaaaaa

    ResponderExcluir