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| Mulheres,Flores e Araras - Di Cavalcanti |
A tela organiza-se em planos claros e definidos, como se
fossem janelas ou espaços distintos que se encontram. No centro, uma mulher de
pele morena, olhar sereno e firme, segura com carinho uma arara verde e amarela
contra o peito. À sua esquerda, outra mulher, de perfil, veste um vestido
verde-escuro e mantem postura calma e recolhida. À direita, em plano mais
distante, uma terceira figura observa de pé, sob um guarda-sol rosa, vestida
com listras azuis e brancas.
Entre as figuras, em primeiro plano, um cesto transbordante
de flores: margaridas brancas, rosas vermelhas e amarelas, hastes verdes - um
explosão de cor que cresce exuberante, como se brotasse da própria cena. A
arara, as flores e as mulheres formam um triângulo visual: a vida brasileira em
seus três elementos mais vibrantes - a gente, a terra e a natureza.
Di Cavalcanti rejeita a perspectiva tradicional e o
detalhamento realista. As formas são simplificadas, contornadas com firmeza,
corpos volumosos e elegantes, sem sombras exageradas. As cores são intensas e
diretas: vermelho, rosa, verde, azul, branco - puras, sem misturas suaves. É a
linguagem do Modernismo brasileiro: não copia a natureza, reconstrói-a com
traço próprio e identidade.
Os rostos têm traços marcantes: olhos amendoados, narizes
largos, cabelos negros e volumosos. Di Cavalcanti não idealiza - retrata a
mulher brasileira com toda a sua beleza genuína, mestiça e forte. Não há
fragilidade: há presença, dignidade, quietude.
Ao fundo, através de janelas em arco, avista-se uma paisagem
urbana com edifícios de estilo colonial, torres e cúpulas sob um céu azul
sereno. O espaço interno é quente, íntimo, cheio de vida; o exterior é
ordenado, luminoso, calmo. A cidade não invade - emoldura. As mulheres não
estão perdidas no espaço urbano: estão nele, mas acima dele, em seu próprio
mundo de beleza e serenidade.
Símbolos e Sentido
As araras: não são apenas aves - são a fauna brasileira,
livre, de cores vibrantes, que a mulher acolhe com ternura. É a relação de
afeto entre o povo e a terra.
As flores: abundantes, perfumadas, variadas - representam a
fertilidade, a riqueza e a generosidade do solo brasileiro.
As mulheres: três, distintas e unidas - a diversidade e a
força feminina, que é centro, raiz e continuidade.
Juntas, mulheres, flores e aves formam uma só imagem: o
Brasil que Di Cavalcanti amava pintar — quente, mestiço, belo e inteiro, sem
precisar pedir aprovação a nenhum outro padrão.
Di Cavalcanti pinta o que é nosso com olhar de quem conhece e ama. As mulheres são a alma; as flores, a terra; as araras, a liberdade. E ao fundo, a cidade - calma, serena, à espera. Não há drama, não há luta: há beleza, simples e verdadeira, brotando sempre, como as flores que nunca faltam neste chão.
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| Mulata de vestido verde |
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| Baile Popular |
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| Carnaval |
FONTE: Texto apresentado a turma após pesquisa de alunos 1º ano em sala no JBC
Saiba mais: http://www.pitoresco.com.br/brasil/cavalcanti/cavalcanti.htm










