A obra
apresenta um retrato em primeiro plano, de uma jovem sentada em uma
cadeira de linhas curvas e marcadas. A composição é centrada e forte, com a
figura ocupando a maior parte do espaço. Anita deforma deliberadamente as
formas - não há preocupação com semelhança realista ou proporções
clássicas. O rosto é
reconstruído com planos de cor, olhos desproporcionais e penetrantes, que
conferem intensidade e inquietação. O fundo é elaborado com rápidas pinceladas,
serve de contraponto.
Cor e Luz
Predomina
o amarelo na blusa e nos tons do rosto, cor que estrutura a obra
inteira. Fundo formado por manchas amplas e angulares de verde, azul e
roxo, com pinceladas largas e sem mistura suave - característica
expressionista. As cores não seguem a lógica naturalista: servem para
expressar sentimento e construir ritmo. Sombras e luz são também cores
independentes, não apenas efeitos de claridade.
Traço e Textura
Contornos
escuros marcam a estrutura do rosto e das roupas, reforçando a construção por
planos. Pinceladas visíveis, diretas, sem acabamento polido - rompimento
com o acabamento liso e imitativo do academicismo. A superfície é
texturizada, viva, materializada na tinta.
A pintura
de Anita parece em perene descompasso com a cidade em que vive. A São Paulo
cosmopolita haveria de se estranhar diante das telas toscas, adocicadas e de
uma ingenuidade apenas aparente que ela passa a criar após o período de ousadia
modernista.
A artista
que ousou com O Homem Amarelo, A Boba e Mulher
de Cabelos Verdes renuncia tanto à vanguarda quanto ao academismo.
Anseia por uma pintura direta, acessível a todos - caminho que dificilmente
encontrará aceitação entre os antigos companheiros do movimento.
Anita
Malfatti recebeu influência da cultura europeia e dos movimentos de vanguarda
do início do século XX.

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