sábado, 21 de março de 2015

A Boba - Anita Malfatti

A Boba - imagem google.com


A obra apresenta um retrato em primeiro plano, de uma jovem sentada em uma cadeira de linhas curvas e marcadas. A composição é centrada e forte, com a figura ocupando a maior parte do espaço. Anita deforma deliberadamente as formas - não há preocupação com semelhança realista ou proporções clássicas. O rosto é reconstruído com planos de cor, olhos desproporcionais e penetrantes, que conferem intensidade e inquietação. O fundo é elaborado com rápidas pinceladas, serve de contraponto.

 

Cor e Luz

Predomina o amarelo na blusa e nos tons do rosto, cor que estrutura a obra inteira. Fundo formado por manchas amplas e angulares de verde, azul e roxo, com pinceladas largas e sem mistura suave - característica expressionista. As cores não seguem a lógica naturalista: servem para expressar sentimento e construir ritmo. Sombras e luz são também cores independentes, não apenas efeitos de claridade.

Traço e Textura

Contornos escuros marcam a estrutura do rosto e das roupas, reforçando a construção por planos. Pinceladas visíveis, diretas, sem acabamento polido - rompimento com o acabamento liso e imitativo do academicismo. A superfície é texturizada, viva, materializada na tinta.

 

A pintura de Anita parece em perene descompasso com a cidade em que vive. A São Paulo cosmopolita haveria de se estranhar diante das telas toscas, adocicadas e de uma ingenuidade apenas aparente que ela passa a criar após o período de ousadia modernista.

A artista que ousou com O Homem Amarelo, A Boba e Mulher de Cabelos Verdes renuncia tanto à vanguarda quanto ao academismo. Anseia por uma pintura direta, acessível a todos - caminho que dificilmente encontrará aceitação entre os antigos companheiros do movimento.

 

Anita Malfatti recebeu influência da cultura europeia e dos movimentos de vanguarda do início do século XX.

 



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