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| Metamorfose de Narciso - Salvador Dali |
Dados do Autor e da Obra
Salvador Dalí (1904–1989) demonstrou desde a infância uma vocação precoce pelas artes plásticas. Em 1921, ingressou na Escola de Belas Artes de São Fernando, em Madri - instituição da qual foi expulso em 1926, pois declarou que nenhum de seus professores era competente o suficiente para avaliá-lo. Sua obra se destaca pela extraordinária combinação de imagens oníricas e surreais com apurada qualidade plástica; ao longo da trajetória, foi também influenciado pelos mestres do Renascimento.
A obra A Metamorfose de Narciso foi pintada em 1937 e é considerada uma das criações mais representativas da fase surrealista de Dalí.
OBRA E SIMBOLISMO
A obra é propositalmente ambígua. De um lado, vemos Narciso sentado à beira das águas, contemplando o próprio reflexo; de outro, a sua figura se confunde com uma forma de pedra, semelhante a uma mão petrificada, que segura um ovo do qual brota uma flor. Dalí constrói uma imagem dupla: o que parece ser o corpo de Narciso é, ao mesmo tempo, uma mão transformada em rocha. É essa metamorfose - a passagem da vida à pedra, e da pedra à nova vida - que dá título à obra.
O ovo: símbolo da vida, da germinação e do mistério do
renascimento. Da casca rachada brota a flor de narciso - o novo que nasce da
morte e da petrificação.
A rachadura na casca: alinha-se à sombra do cabelo de
Narciso e à fissura na unha do polegar, reforçando o caráter petrificado e
onírico da mão. A quebra pode ser lida como a morte da vaidade: o narcisismo se
rompe, dando lugar a algo novo.
As formigas: escalam a mão de pedra. São um tema recorrente
em Dalí - representam decomposição, mortalidade e tempo que corrói. O artista
tinha pavor de formigas desde a infância, ao vê-las devorar uma lagartixa
ferida; aqui, elas sobem em direção à flor, sugerindo que a nova vida também é
ameaçada pelo tempo.
O cão e a carne: à direita, um cão devora uma carcaça. É o
símbolo cru e direto da morte e da deterioração: aquilo que foi belo um dia,
agora é apenas matéria que se consome.
As montanhas e o céu: ao fundo, forma-se um cenário de tons terrosos e áridos, com nuvens pesadas que anunciam tempestade. A paisagem inteira parece envelhecida, petrificada - como se o tempo tivesse parado ali.
Dalí próprio explicou que a obra retrata a morte e a
petrificação de Narciso. O jovem que se amava tanto se transforma em pedra: o
amor a si mesmo o imobiliza, o endurece, o afasta da vida. Mas daquilo que
parecia morte - da mão de pedra, do ovo rachado - brota uma flor nova e bela. A
mensagem é paradoxal: a vaidade mata, mas dessa morte pode nascer algo mais
verdadeiro e puro. A flor não é Narciso: é o que resta quando o narcisismo se
desfaz.
A luz também muda de plano: de dia, junto à água onde ele se contempla, para o tom crepuscular e noturno onde a petrificação se consuma. A beleza refletida dá lugar à beleza real, que brota da terra e da casca rachada.
A Lenda de Narciso
Na Grécia Antiga, nasceu Narciso, filho do deus-rio Cefiso e
da ninfa Liríope. O adivinho Tirésias predisse que ele teria vida longa se
jamais contemplasse a própria face. Narciso cresceu belo, mas indiferente ao
amor alheio: desprezou a ninfa Eco e todos que se apaixonaram por ele. Como
punição, os deuses o fizeram apaixonar-se pelo próprio reflexo nas águas de uma
fonte. Ali ficou, dia e noite, a mirar-se, sem conseguir abraçar nem afastar-se
- até consumir-se. No lugar onde morreu, nasceu uma flor: o narciso.
Em outra versão, ele contemplava a imagem para recordar a
irmã gêmea morta tragicamente. Em todas, o cerne é o mesmo: amar-se tanto que
se perde a vida.
Na psicanálise, o termo narcisismo designa a condição em que o indivíduo volta todo o amor e atenção para si mesmo, em detrimento do mundo e dos outros. Dalí traduziu essa ideia em imagem: o amor a si mesmo petrifica - mas também, ao se romper, faz brotar algo novo.
Dalí não apenas ilustra a lenda: ele a transforma em metáfora visual. Narciso morre de amor por si mesmo e se petrifica - mas daquela pedra rachada, daquela casca partida, nasce uma flor. A obra diz: amar-se demais endurece e mata; mas quando a vaidade se quebra, é possível que algo verdadeiramente belo finalmente brote.Salvador Dali foi um artista versátil. Algumas de suas obras mais populares são esculturas e outros objetos, e ele também é conhecido por suas contribuições ao teatro, moda e fotografia, entre outras áreas.As excentricidades e declarações provocadoras fizeram de Salvador Dalí uma das mais polêmicas figuras da arte contemporânea, mas não impediram que sua obra fosse reconhecida como uma das mais audaciosas e apuradas da pintura surrealista
Salvador Dalí, em Dawn Ades, Dalí e Surrealismo |

Nunca havia pensado nisso apesar de tantas vezes em que vi este quadro o maximo que eu pude obserar foi a semelhanca do homem e da mao ><
ResponderExcluirOlá, Soniamar! Grata pela visita! Teu blog é excelente!
ResponderExcluirVolte ao Tear quando quiser!
Bj, Tê
Havia me esquecido. Li a Metamorfose de Narciso - Salvador Dali. Aprendi um pouco.
ResponderExcluirabraços
Lindo Blog! Parabéns!!
ResponderExcluirseu blog é muito bom ,,obrigado !!!
ResponderExcluir