segunda-feira, 6 de março de 2017

Moema - Victor Meirelles (1866)

Moema - Victor Meirelles - imagem: googele.com

No primeiro plano, o corpo de Moema jaz inerte à beira-mar, estendido sobre a areia, banhado pelas águas que chegam suavemente. Ela está nua, em pose serena e quase adormecida: cabeça tombada para trás, pescoço erguido, olhos fechados, uma mão sobre o ventre e a outra estendida. A beleza do corpo é retratada com a harmonia e o ideal de perfeição herdado da pintura acadêmica europeia - mas sem perder a força e a presença da mulher brasileira. Uma delicada tiara de penas cobre-lhe o ventre, equilibrando o nu com pudor e graça. Os cabelos negros, longos e espalhados na areia, parecem vivos - o único elemento que ainda pulsa, em contraste com o corpo imóvel.

Segundo a lenda literária, Moema era uma das mulheres do navegador português Diogo Álvares (Caramuru). Quando ele parte para a Europa levando consigo apenas Paraguaçu, irmã de Moema , ela lança-se ao mar tentando alcançar o navio. Nada o suficiente para falar com ele, mas não o suficiente para permanecer viva: morre de amor e desespero, e suas águas devolvem o corpo à praia. Meirelles não pinta o afogamento: pinta o repouso final, a quietude da morte.

A composição é dominada pela linha longa e curva do corpo, que atravessa a tela da esquerda para a direita, criando ritmo e suavidade. A luz quente e dourada, de fim de tarde, banha o corpo de Moema, modelando suas formas com suavidade, enquanto o mar e a paisagem ao fundo se desvanecem em tons mais frios e escuros. O céu, em tons de ouro, rosa e azul-claro, reflete-se na água calma - como se a própria natureza chorasse em silêncio. Ao longe, quase invisível no horizonte, um pequeno navio afasta-se: é a caravela que levou embora seu amante e sua esperança.

 A Paisagem e o Simbolismo

Ao fundo, a costa brasileira se estende com matas densas e altas árvores, banhada pela luz poente. A natureza é bela, serena, imensa - e indiferente à dor humana. Moema está imersa nela: a terra, a água e o corpo parecem se fundir numa só respiração. A cena não é apenas a morte de uma mulher: é a alegoria de um destino. O navio que parte para a Europa e o corpo que fica abandonado na praia representam, em nível mais profundo, o destino do indígena diante da colonização: aquele que resistiu, que amou com fúria e não se submeteu - e que, por isso, foi deixado para trás, esquecido à beira-mar.

Moema foi a primeira grande obra da pintura brasileira a ousar retratar o corpo nu de uma indígena com a mesma dignidade e perfeição formal que a arte europeia reservava a deusas e musas. Meirelles uniu a tradição clássica - a pose lembra deusas gregas e romanas - ao tema genuinamente brasileiro. Não há vulgaridade nem exotismo barato: há beleza, serenidade e, acima de tudo, tristeza. A nudez não é sensualidade: é desamparo. Moema está nua porque perdeu tudo - inclusive a vida.


Meirelles não pintou apenas uma lenda: pintou a alma do Brasil que ficou à beira-mar. O corpo belo e abandonado, o navio que parte ao entardecer, a terra imensa e silenciosa - tudo diz a mesma coisa: aqueles que amaram esta terra e não aceitaram ser submetidos foram deixados para trás, embebidos pela própria água que os viu nascer. Moema morre de amor - mas também morre de história. E naquela praia, banhada pela luz do poente, permanece para sempre: bela, nua, inteira - e sozinha.

Ficha Técnica

Autor: Victor Meirelles (1832–1903)

Ano: 1866

Técnica: Óleo sobre tela

Dimensões: 130 × 196,5 cm

Localização: Museu de Arte de São Paulo (MASP)

Origem: Inspirada na personagem homônima do poema épico Caramuru (1781), de Frei José de Santa Rita Durão

Contexto: Pintura histórica e indianista, sem encomenda prévia; exposta pela primeira vez na Academia Imperial de Belas Artes, onde recebeu medalha de ouro

 



Leia mais A Q U I 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A carruagem de terceira classe - Daumièr



POR MARGARETE MS  (HTTP://OBVIOUSMAG.ORG/ARCHIVES/2013/11/HONORE_DAUMIER_UM_HOMEM_RINDO_
DO_SEU_TEMPO.HTML)

"Pintor e escultor, Honoré Daumier ficou sobretudo conhecido por suas caricaturas. Nasceu na França em 1808 e começou a estudar arte aos 16 anos. Ajudava os pais trabalhando como entregador e nas horas vagas criava seus esboços. (...) acreditava na futilidade da luta do homem contra a natureza e algumas das pinturas de Daumier sugerem isso. O artista costumava diversificar  suas obras recorrendo a diferentes tendências e novas abordagens  estéticas. De 1848 até 1871 ele foi um pintor impressionista. Uma de suas obras, Le wagon de troisième classe  (A carruagem de terceira classe) mostra sua compaixão  sensibilidade por um grupo de pessoas pobres viajando de trem.  Usou temas do cotidiano para provocar a discussão sobre as questões sociais mais amplas e também explorava temas literários, como o  popular Dom Quixote. Suas esculturas são conhecidas por serem  extremamente realistas e seu estilo é tão particular que quase não se detecta a influência de outros artistas. No entanto, foi marcado  por Nicolas Toussaint Charlet (1792-1845), Gustave Courbet (1819-1877) e Peter Paul Rubens (1577-1640). Pintor do movimento realista,  exaltava a visão materialista e positivista do mundo. Acreditava que  somente a ciência poderia gerar explicações para o mundo e que  algo como a transcendência ou o estado espiritual não poderiam  ser admitidos."

Segundo Maria Mirtes dos Santos Barros e Claudio Zannoni em seu artigo "Arte e Política"  'representante do realismo é Honorè Daumièr. Em suas representações ele vai em busca não da realidade extrínseca , mas da realidade intrínseca, isto é, da condição social introjetada, transformada em “espírito”, capaz de moldar o caráter. Por essa razão,  Daumièr parece raspar o lustro carnal da superfície para mostrar a  essência do ser burguês. Assim procedendo, ele representa tipos,  através de suas caricaturas.

Janson (1979, p. 589) analisa a pintura desse artista: “Vagão de terceira classe” , da seguinte forma: "O que lhe interessava não era a superfície tangível da realidade, mas o significado emocional que sob ele se esconde. Neste trabalho ele captou um estado peculiar da condição humana contemporânea, a ‘multidão solitária’; estas pessoas apenas têm de comum o fato de viajarem juntas numa carruagem de comboio. Embora estejam fisicamente juntas, não prestam atenção umas às outras - cada uma está só com seus próprios pensamentos. Daumier explora este estado de espírito com uma penetrante compreensão da natureza humana e com uma profunda simpatia."

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Romulo Bolivar - A Arte da Irreverência



Dar aula é uma Arte! 
Não se sabia de onde vinha um frenesi geral na tarde de sábado nas Redes Sociais que se estendeu pelo Domingo a respeito de um Aulão que ocorreu na manhã sábado  na ULBRA, organizado por uma equipe do RedMat e Meta. Fomos atrás dos fatos,pois como entender uma garotada que nem sempre se liga nos estudos,de repente encontrarem-se em pleno fim de semana discutindo técnicas e falando em produção de textos?


O nome era ROMULO BOLIVAR – um carioca ,integrante da equipe do Proenem do Rio de Janeiro que segundo as coordenadoras do evento aceitou de pleno o convite realizado há três meses chegando a Porto Velho na tarde de sexta-feira, acompanhado de um exímio cineasta conhecido nos grandes centros de nome Ton Gadioli que atua como Diretor, produtor participando da equipe do Proenem também.

Segundo informações, os candidatos a Enem vindos de vários bairros da cidade, de diversas Escolas Públicas e privadas "bebiam" cada palavra do educador de forma atenta, pois o mesmo com uma aula irreverente ,de alto nível, com nuances humorística, trabalhou o direcionamento à prova de Linguagens e à Produção de Texto repassando aos presentes dicas valiosas que os levaram a perceber que podem muito mais do que imaginam e que cada um é responsável pelo próprio conhecimento.

Mas algo nos intrigava: O que chamou tanto a atenção dessa meninada? Contamos com tantos Educadores em nossa cidade capacitados para tal, por que buscar alguém de fora?A resposta veio da coordenação do evento, que após explicar os motivos que as fizeram convidar o Educador, mostrou o quão nossas escolas são defasadas ainda no quesito Enem, pois nem todas preparam para a prova que seus alunos estão prestes a realizar. A vinda de Romulo Bolivar foi uma oportunidade para que alunos que nem sempre têm acesso a esse tipo de aula pudessem participar ,para que eles tivessem acesso a dicas valiosas que os levem à vitória na prova e, o Professor foi o escolhido por trazer uma dinâmica diferenciada em suas aulas,o que chama a atenção da garotada de forma inédita,já que muitos sequer têm aulas de Redação na grade curricular.

Pesquisando mais na internet a respeito das duas celebridades presentes na cidade no fim de semana percebe-se que os mesmos têm um grande número de seguidores e, observando suas videoaulas dá para entender o porquê da vibração dos alunos Portovelhenses. Realmente precisamos de alguém que faça a diferença,que seja o diferencial na vida dos estudantes.Portanto nos congratulamos com as organizadoras do Projeto e parabenizamos,não só o Professor ROMULO BOLIVAR ,como também as organizadoras pela sensibilidade  na escolha,vital para o sucesso do evento realizado,pois "arte" não está centrada apenas na beleza das obras, mas também na arte de ensinar,de se disponiblilizar a aprender,de ajudar a quem necessita de subsídios para vencer os obstáculos no caminho.

Fonte: RedMat & Meta

domingo, 5 de junho de 2016

A Noite Estrelada - Van Gogh


Do Blog: http://estoriasdahistoria12.blogspot.com.br/2013/07/analise-da-obranoite-estrelada-de.html

"Noite Estrelada é uma das obras mais conhecidas de Vincent Van Gogh. O quadro foi pintado quando ele tinha 37 anos e estava internado num asilo em Saint-Rémy-de-Provence (1889-1890). A obra encontra-se actualmente na colecção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA).

Ao contrário de muitas das suas obras,  Noite Estrelada foi pintada de memória, e não a partir da vista correspondente de uma paisagem. Durante ao tempo em que esteve no asilo, Van Gogh  dedicou-se a pintar as paisagens da região da Provence.

A paisagem retratada mistura o real com imagens da sua memória, como uma igreja tipicamente holandesa. É notável o contraste entre a calma da pequena vila representada e o caos celestial. Os ciprestes são o elo de ligação entre a terra e o céu. A obra é dividida no plano horizontal pela linha do horizonte e no plano vertical pelo cipreste. O povoado longínquo, de pequenas casas, contrasta fortemente com o cipreste em primeiro plano que se destaca e ajuda ao equilíbrio da composição As pinceladas são curvilíneas, e integram-se de maneira rítmica sobre a superfície da pintura. Estrelas brilhantes pulsam como mini-sóis. Ondas luminosas cortam o centro da tela, parecem ter vida própria. No canto superior direito, chama a atenção a lua que ganhou feições de um sol que transforma em quase dia. Enquanto isso, o vilarejo, com a sua igreja de torre alta, parece adormecer alheio ao céu estrelado cheio de explosões emotivas de Van Gogh.
A pintura foi a inspiração para a canção  de Don McLean, "Vincent", que é também conhecida como "Starry Night".

Segundo Felipe Araújo ( http://www.infoescola.com/pintura/a-noite-estrelada/) "O pintor levou três noites para terminar A Noite Estrelada. No quadro, observa-se uma paisagem que faz uma metamorfose de elementos reais com as memórias de Van Gogh, como uma típica igreja da Holanda. Uma das características marcantes da obra é a diferença entre o céu turbulento e cheio de curvas e a tranquilidade do vilarejo. "A noite é muito mais viva e colorida do que o dia", disse o pintor sobre a obra.

O quadro é dividido em face horizontal por uma linha e na vertical pelo cipreste. A comuna francesa apresenta-se ao longe, com casas bem pequenas, contrastando densamente com o cipreste visto em 1º plano. Foi pintado de forma curvilínea e as pinceladas integram-se de maneira ritmada acima da superfície da imagem. Causando uma sensação agitada de espiritualidade e luz, a cidade, o cipreste o e céu fantástico se integram plenamente.

De acordo com Frayze-Pereira, no livro "A criação Trágica: Van Gogh" (editora Vozes): "No confronto entre o céu reconstituído e o céu pintado por Van Gogh, os astrônomos confirmaram a colocação exata das estrelas e a posição da lua na tela, revelando a objetividade da observação de Van Gogh com relação à natureza".

A Noite Estrelada influenciou criadores de outros campos artísticos como a música o cinema. Fundindo o quadro do pintor holandês à cidade de Paris, foi lançado o pôster de divulgação do filme do cineasta Woody Allen, "Meia Noite em Paris". O compositor Don McLean, na canção chamada "Vincent" (referência ao artista holandês), buscou inspiração na pintura de Van Gogh."

Veja mais no vídeo abaixo:

Observe que um contraste é perceptível na construção estática da cidade e do movimento do céu.

sábado, 19 de março de 2016

Bira Lourenço - Percussão é Arte

"Os meus detalhes são sistematizações de sensações..."
(Bira Lourenço)

Já se definia  em tempos atrás que percussão é " instrumento musical cujo som é obtido através do impacto, raspagem ou agitação, com ou sem o auxílio de baquetas.” Mas o que dizer do som criado através de instrumentos inusitados como a água e/ou a vara de bambu entre outros objetos não reconhecidos como instrumento de percussão?  Bira Lourenço* é o percussionista em questão que faz da arte do objeto que tem em mãos os sons mais instigantes e contagiantes.Ele não apenas produz som, ele é o som...é a palavra... é a música... é a essência de algo maior,transcendental...iluminado por um dom excepcional que só pode ter vindo da luz...do que há de mais belo no universo.É capaz de quebrar interditos ...Sua alma está centrada no instrumento,seu coração no batuque... no ritmo....Podemos dizer que o seu som vai do silêncio à intensidade máxima da elevação espiritual...sons estes, cuja altura não pode ser perfeitamente determinada,pois produzem variações incertas de altura ao longo de sua duração produzindo um acompanhamento que não interfere na harmonia do que há de mais belo na percussão.È capaz de superar a imanência daquilo que nos paralisa.


Como dizia  um grande doutor em Ciência da literatura Sr.Paraguassú que “as questões brotam dos caminhos da abertura do ser, onde reside um querer que se põe à busca da origem daquilo que se mostra - a coisa - e que se dá em experiência ganhando ‘forma’ ao evidenciar-se na sua gênese, conduzindo a vontade, o ‘querer’". Bira Lourenço é isso – busca na multiplicidade infinita do instrumento que tem em mãos o som mais precioso onde é tomado pelo próprio ser e,é por essa abertura do ser que se mostra como questão a ser observado diferentemente dos conceitos fechados,pois agrega em si uma pluralidade de possibilidades que geram outras possibilidades do ser, do ser como verdade que brota ,que instiga,que se instaura e vigora desnudando o que continuamente desnuda.Seu corpo,seu toque no instrumento,seu batuque parece buscar sair  de si,encontrar-se com um ser  -  ou em um ser - que lhe dê a plenitude daquele momento.
Sua sonoridade que a primeira mão estaria em segundo plano por estar acompanhando alguém no palco,ultrapassa o plano em questão e se revela como a peça principal.Chega até nós e nos impulsiona a fazer o salto para o abismo a procura de desvendar o mistério que o envolve,sua transcendência... Bira Lourenço não se deixa aprisionar pelos conceitos da percussão,ele quebra paradigmas e mostra que a arte não está presa a teorias...traz luz à ilusão e ao mistério como força vital presente, eclode mesmo na ausência de sua presença,é SER  sendo, onde não ser é eterna presença...é  REAL....
Seus instrumentos inusitados dialogam entre si e consigo mesmo...seu corpo,sua alma celebram o batuque de forma plena...
Ele vai além do "ser" percussionista em palco.Sua essência transcende a técnica, transcende a linguagem, no fazer de cada instante,no co-fazer e no com-crescer pela doação da própria alma ou do co-espírito para a essência da verdade e, tudo se resume ao que   ele próprio diz: “Toco a mais pura verdade dos sons que em mim habitam ou perpassam...”

Conhecer Bira Lorenço é impossível ,pois para isso precisa se embrenhar nesse mistério que é a sua dimensão transcendente.É quebrar o interdito como dizia Clarice Lispector ,mas conhecer sua alma no toque de cada instrumento é mágico.


 *Bira Lourenço: "licenciado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Bira Lourenço é professor de percussão em projetos com alunos de escolas públicas, portadores de necessidade educacionais especiais, formação professores e ressocialização de apenados e egressos do sistema penal. Participa de discos dos  compositores locais, já desenvolveu vários trabalhos associados ao Teatro, em pesquisa sobre a dramaturgia sonora, e dedica-se a pesquisar possibilidades sonoras com a água, instrumentos de barro e objetos."

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Flora - Giuseppe Arcimboldo



Flora - Giuseppe  Arcimboldo (1951)


"Giuseppe Arcimboldo (Milão, 1527 — 11 de julho de 1593) foi um pintor italiano. Pintor Maneirista, de estilo naturalista e detalhista, Arcimboldo foi o favorito da corte em Praga; trabalhou para os imperadores Fernando I, Maximiliano II e Rodolfo II. Desenhou afrescos para a Catedral de Monza, fez o Mosaico da Dormição da Virgem Maria. O trabalho que destacou o artista Giuseppe Arcimboldo, foram as criativas cabeças feitas de frutas, legumes, flores, peixe e livros.

"As Quatro Estações" (1573) - série composta de quatro quadros representando as estações do ano, feitas de vegetais, raízes, flores, folhas, frutas, etc; realizada para o imperador Maximiliano II, foi sua obra mais famosa.
Archimboldo começou a fazer retratos de pessoas, mas não como elas são vistas, e sim com figuras de animais, vegetais e outros objetos naturais, como em uma colagem. Olhando de perto uma obra dele, você distingue várias figuras, como carneiros, peixes, abóboras, pepinos, folhas, plantas… ao se afastar um pouco e prestar mais atenção ao geral da obra, novas figuras, em sua maioria pessoas, surgirão.Em Flora você percebe o detalhe das flores e folhas.

O toque de mestre do pintor foi utilizar, em cada tela, elementos que correspondessem ao tema retratado; assim, “A Primavera” é composta basicamente por flores, “O Verão”, por frutas próprias dessa estação, “O Outono”, por folhas e frutas dessa época do ano e “O Inverno”, por uma "árvore sem folhas". O mesmo acontece com o restante de sua obra. 


Arcimboldo morreu em Milão, no ano de 1593,  apesar da religiosidade da época ser dominada pela Igreja Católica, Arcimboldo era um ocultista, o enigma, os simbolos e as charadas fascinavam o pintor. Muitos artistas surrealista do século XX se inspiraram nas obras do pintor italiano Giuseppe Arcimboldo, a exemplo, Salvador Dali.Seu trabalho caiu no esquecimento por aproximadamente 300 anos, até ser redescoberto pelo Movimento Surrealista, entre os séculos XIX e XX."

 A título de curiosidade a obra, denominada Flora, - quadro do artista italiano Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), contemporâneo do poeta Luís Vaz de Camões. Nessa pintura, o artista utilizou um recurso alegórico por meio do qual a flora é figurada como mulher, apresentando semblante humanizado pela combinação de diversos elementos
naturais, os quais ela mesma representa. O poema épico de Camões, Os Lusíadas, também apresenta uma figura que foi criada utilizando-se elementos alegóricos na mesma linha do quadro Flora que foi o a figura do Gigante Adamastor, pois este encarna os elementos naturais do Cabo das Tormentas.e, tal como Flora,esse elemento natural é dotado de um semblante antropomorfizado."


FONTE:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Arcimboldo

 Vide mais obras de Giuseppe







Fonte: Wikipedia e Do Blog http://bethccruz.blogspot.com.br/2009/07/arcimboldo-arcimboldo.html

domingo, 29 de março de 2015

Liberdade guiando o povo (1830)- Delacroix

Liberdade guiando o povo - 1830 - Delacroix

No coração da composição, ergue-se a figura da Liberdade: mulher de porte monumental, avante, pé sobre as barricadas, vestida com túnica que deixa o peito à mostra, gorro frígio na cabeça  - símbolo milenar de liberdade. Em uma mão, a bandeira tricolor francesa hasteada altiva; na outra, um mosquete. Ela não é apenas alegoria: avança entre os combatentes, os guia, os protege, respira junto com eles. Seu rosto é definido, olhar firme, decidido - não é fantasia, é presença viva, que inspira e comanda.

Ao redor dela, avança um exército de rostos e condições diferentes:

À esquerda, um homem de cartola e colete, armado com espingarda - representa a burguesia e os cidadãos comuns; 
À direita e à frente, crianças e jovens: um menino com pistolas e cartuchos, impetuoso, símbolo de energia e futuro;
  • No chão, corpos tombados, roupas rasgadas, armas caídas - o preço pago pela liberdade, visível e cru.
Não há exército uniformizado: é o povo. Jovens e idosos, ricos e pobres, todos misturados, unidos pela mesma causa. Delacroix pinta a revolução não como algo abstrato, mas como gente real, que luta, que cai, que avança.

A composição forma um triângulo dinâmico, com vértice na ponta da bandeira. Tudo converge para a Liberdade, que se eleva acima de todos. A luz destaca seu peito, a bandeira e os rostos dos combatentes; as sombras cobrem os corpos caídos e o chão devastado. A cor vermelha da bandeira brilha com força inigualável, ponto de fogo que domina a tela. As pinceladas são largas, vibrantes, cheias de energia - não há contornos rígidos, há movimento, fúria, vida.

 O Chão e o Fundo — Ruínas e Esperança

A cena se passa sobre um monte de corpos, pedras e armas - as barricadas de Paris. O chão é irregular, instável, feito de destroços e sacrifício. Ao fundo, entre a fumaça e a poeira, vislumbram-se telhados de Paris e, ao longe, uma silhueta reconhecível: a torre de Notre-Dame. A cidade está ali, testemunha, esperando. A fumaça deixa entrever o céu claro: depois da luta, virá a luz.

Delacroix não pintou um fato histórico com exatidão de jornal. Pintou a alma da revolução. A Liberdade não é deusa distante: caminha com o povo, suja os pés no chão de batalha, segura arma e bandeira. A obra diz: a liberdade não se recebe de presente - se conquista, se defende, se paga com sangue. E quando ela avança, ninguém fica para trás.

Delacroix une o povo e a Liberdade num só movimento. A bandeira tremula acima de todos; o chão custa lágrimas e sangue. Mas ninguém recua. A Liberdade não desce do céu: caminha entre nós, de peito descoberto, gorro na cabeça, pé firme sobre as ruínas do que caiu. E enquanto ela avança, a revolução não termina - continua.


RESUMINDO
Delacroix retratou a Liberdade como figura alegórica/deusa e ao mesmo tempo mulher robusta do povo.   
                                                                                                                                                         As Senhoritas de Avignon — Pablo Picasso

1. Críticos denunciaram como "ignóbil" - esse julgamento da época é registrado.                    

2. Monte de cadáveres funciona como pedestal de onde a Liberdade avança, descalça e com o peito descoberto.

3. Barrete frígio = símbolo da liberdade desde a Primeira República (1789–1794)

4. Obra vista como marco do fim da Era do Iluminismo e início da Era Romântica — conforme estudiosos citados.

5. Mistura de classes sociais na barricada - burguês, operário, estudante, meninos - todos com olhar determinado e ardente. 

6. Menino com pistolas = possível inspiração para Gavroche em Os Miseráveis - registrado.

7. Homem da cartola: identidade debatida - eliminada hipótese de autorretrato; nomes propostos: Étienne Arago e Frédéric Villot, sem consenso. 

8. Dados gerais da obra (1830, Revolução de Julho, queda de Carlos X, bandeira tricolor + mosquete, obra mais conhecida de Delacroix).

9. Característica romântica: contrastes de luz e sombra para intensificar emoção - coerente com o estilo.

 

Ficha Técnica

Autor: Eugène Delacroix (1798–1863)

Ano: 1830

Técnica: Óleo sobre tela

Dimensões: 260 × 325 cm

Localização: Museu do Louvre, Paris

Estilo: Romantismo

 ema: A Revolução de Julho de 1830, na França - evento que depôs o rei Carlos X e colocou Luís Filipe no trono


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