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Moema - Victor Meirelles - imagem: googele.com No primeiro plano, o corpo de Moema jaz inerte à beira-mar, estendido sobre a areia, banhado pelas águas que chegam suavemente. Ela está nua, em pose serena e quase adormecida: cabeça tombada para trás, pescoço erguido, olhos fechados, uma mão sobre o ventre e a outra estendida. A beleza do corpo é retratada com a harmonia e o ideal de perfeição herdado da pintura acadêmica europeia - mas sem perder a força e a presença da mulher brasileira. Uma delicada tiara de penas cobre-lhe o ventre, equilibrando o nu com pudor e graça. Os cabelos negros, longos e espalhados na areia, parecem vivos - o único elemento que ainda pulsa, em contraste com o corpo imóvel. Segundo a lenda literária, Moema era uma das mulheres do navegador português Diogo Álvares (Caramuru). Quando ele parte para a Europa levando consigo apenas Paraguaçu, irmã de Moema , ela lança-se ao mar tentando alcançar o navio. Nada o suficiente para falar com ele, mas não o suficiente para permanecer viva: morre de amor e desespero, e suas águas devolvem o corpo à praia. Meirelles não pinta o afogamento: pinta o repouso final, a quietude da morte. A composição é dominada pela linha longa e curva do corpo, que atravessa a tela da esquerda para a direita, criando ritmo e suavidade. A luz quente e dourada, de fim de tarde, banha o corpo de Moema, modelando suas formas com suavidade, enquanto o mar e a paisagem ao fundo se desvanecem em tons mais frios e escuros. O céu, em tons de ouro, rosa e azul-claro, reflete-se na água calma - como se a própria natureza chorasse em silêncio. Ao longe, quase invisível no horizonte, um pequeno navio afasta-se: é a caravela que levou embora seu amante e sua esperança. A Paisagem e o Simbolismo Ao fundo, a costa brasileira se estende com matas densas e altas árvores, banhada pela luz poente. A natureza é bela, serena, imensa - e indiferente à dor humana. Moema está imersa nela: a terra, a água e o corpo parecem se fundir numa só respiração. A cena não é apenas a morte de uma mulher: é a alegoria de um destino. O navio que parte para a Europa e o corpo que fica abandonado na praia representam, em nível mais profundo, o destino do indígena diante da colonização: aquele que resistiu, que amou com fúria e não se submeteu - e que, por isso, foi deixado para trás, esquecido à beira-mar. Moema foi a primeira grande obra da pintura brasileira a ousar retratar o corpo nu de uma indígena com a mesma dignidade e perfeição formal que a arte europeia reservava a deusas e musas. Meirelles uniu a tradição clássica - a pose lembra deusas gregas e romanas - ao tema genuinamente brasileiro. Não há vulgaridade nem exotismo barato: há beleza, serenidade e, acima de tudo, tristeza. A nudez não é sensualidade: é desamparo. Moema está nua porque perdeu tudo - inclusive a vida.
Ficha Técnica Autor: Victor Meirelles (1832–1903) Ano: 1866 Técnica: Óleo sobre tela Dimensões: 130 × 196,5 cm Localização: Museu de Arte de São Paulo (MASP) Origem: Inspirada na personagem homônima do poema épico
Caramuru (1781), de Frei José de Santa Rita Durão
Contexto: Pintura histórica e indianista, sem encomenda
prévia; exposta pela primeira vez na Academia Imperial de Belas Artes, onde
recebeu medalha de ouro
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segunda-feira, 6 de março de 2017
Moema - Victor Meirelles (1866)
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
A carruagem de terceira classe - Daumièr
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Romulo Bolivar - A Arte da Irreverência
Não se sabia de onde vinha um frenesi geral na tarde de sábado nas Redes Sociais que se estendeu pelo Domingo a respeito de um Aulão que ocorreu na manhã sábado na ULBRA, organizado por uma equipe do RedMat e Meta. Fomos atrás dos fatos,pois como entender uma garotada que nem sempre se liga nos estudos,de repente encontrarem-se em pleno fim de semana discutindo técnicas e falando em produção de textos?
Segundo informações, os candidatos a Enem vindos de vários
bairros da cidade, de diversas Escolas Públicas e privadas "bebiam" cada palavra
do educador de forma atenta, pois o mesmo com uma aula irreverente ,de alto nível, com
nuances humorística, trabalhou o direcionamento à prova de Linguagens e à Produção
de Texto repassando aos presentes dicas valiosas que os levaram a perceber que
podem muito mais do que imaginam e que cada um é responsável pelo próprio
conhecimento.domingo, 5 de junho de 2016
A Noite Estrelada - Van Gogh
sábado, 19 de março de 2016
Bira Lourenço - Percussão é Arte
Seus instrumentos inusitados dialogam entre si e consigo mesmo...seu corpo,sua alma celebram o batuque de forma plena...Conhecer Bira Lorenço é impossível ,pois para isso precisa se embrenhar nesse mistério que é a sua dimensão transcendente.É quebrar o interdito como dizia Clarice Lispector ,mas conhecer sua alma no toque de cada instrumento é mágico.
*Bira Lourenço: "licenciado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Bira Lourenço é professor de percussão em projetos com alunos de escolas públicas, portadores de necessidade educacionais especiais, formação professores e ressocialização de apenados e egressos do sistema penal. Participa de discos dos compositores locais, já desenvolveu vários trabalhos associados ao Teatro, em pesquisa sobre a dramaturgia sonora, e dedica-se a pesquisar possibilidades sonoras com a água, instrumentos de barro e objetos."
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Flora - Giuseppe Arcimboldo
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| Flora - Giuseppe Arcimboldo (1951) |
"As Quatro Estações" (1573) - série composta de quatro quadros representando as estações do ano, feitas de vegetais, raízes, flores, folhas, frutas, etc; realizada para o imperador Maximiliano II, foi sua obra mais famosa.
A título de curiosidade a obra, denominada Flora, - quadro do artista italiano Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), contemporâneo do poeta Luís Vaz de Camões. Nessa pintura, o artista utilizou um recurso alegórico por meio do qual a flora é figurada como mulher, apresentando semblante humanizado pela combinação de diversos elementos
naturais, os quais ela mesma representa. O poema épico de Camões, Os Lusíadas, também apresenta uma figura que foi criada utilizando-se elementos alegóricos na mesma linha do quadro Flora que foi o a figura do Gigante Adamastor, pois este encarna os elementos naturais do Cabo das Tormentas.e, tal como Flora,esse elemento natural é dotado de um semblante antropomorfizado."
FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Arcimboldo
Fonte: Wikipedia e Do Blog http://bethccruz.blogspot.com.br/2009/07/arcimboldo-arcimboldo.html
domingo, 29 de março de 2015
Liberdade guiando o povo (1830)- Delacroix
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| Liberdade guiando o povo - 1830 - Delacroix |
- No chão, corpos tombados, roupas rasgadas, armas caídas - o preço pago pela liberdade, visível e cru.
O Chão e o Fundo — Ruínas e Esperança
Delacroix une o povo e a Liberdade num só movimento. A bandeira tremula acima de todos; o chão custa lágrimas e sangue. Mas ninguém recua. A Liberdade não desce do céu: caminha entre nós, de peito descoberto, gorro na cabeça, pé firme sobre as ruínas do que caiu. E enquanto ela avança, a revolução não termina - continua.
1. Críticos denunciaram como "ignóbil" - esse julgamento da época é registrado.
2. Monte de cadáveres funciona como pedestal de onde a Liberdade avança,
descalça e com o peito descoberto.
3. Barrete frígio = símbolo da liberdade desde a Primeira República (1789–1794)
4. Obra vista como marco do fim da Era do Iluminismo e início da Era Romântica — conforme estudiosos citados.
5. Mistura de classes sociais na barricada - burguês, operário, estudante, meninos - todos com olhar determinado e ardente.
6. Menino com pistolas = possível inspiração para Gavroche em Os Miseráveis - registrado.
7. Homem da cartola: identidade debatida - eliminada hipótese de autorretrato; nomes propostos: Étienne Arago e Frédéric Villot, sem consenso.
8. Dados gerais da obra (1830, Revolução de Julho, queda de Carlos X, bandeira tricolor + mosquete, obra mais conhecida de Delacroix).
9. Característica romântica: contrastes de luz e sombra para intensificar
emoção - coerente com o estilo.
Ficha Técnica
Autor: Eugène Delacroix (1798–1863)
Ano: 1830
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 260 × 325 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris
Estilo: Romantismo






