terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Flora - Giuseppe Arcimboldo



Flora - Giuseppe  Arcimboldo (1951)


"Giuseppe Arcimboldo (Milão, 1527 — 11 de julho de 1593) foi um pintor italiano. Pintor Maneirista, de estilo naturalista e detalhista, Arcimboldo foi o favorito da corte em Praga; trabalhou para os imperadores Fernando I, Maximiliano II e Rodolfo II. Desenhou afrescos para a Catedral de Monza, fez o Mosaico da Dormição da Virgem Maria. O trabalho que destacou o artista Giuseppe Arcimboldo, foram as criativas cabeças feitas de frutas, legumes, flores, peixe e livros.

"As Quatro Estações" (1573) - série composta de quatro quadros representando as estações do ano, feitas de vegetais, raízes, flores, folhas, frutas, etc; realizada para o imperador Maximiliano II, foi sua obra mais famosa.
Archimboldo começou a fazer retratos de pessoas, mas não como elas são vistas, e sim com figuras de animais, vegetais e outros objetos naturais, como em uma colagem. Olhando de perto uma obra dele, você distingue várias figuras, como carneiros, peixes, abóboras, pepinos, folhas, plantas… ao se afastar um pouco e prestar mais atenção ao geral da obra, novas figuras, em sua maioria pessoas, surgirão.Em Flora você percebe o detalhe das flores e folhas.

O toque de mestre do pintor foi utilizar, em cada tela, elementos que correspondessem ao tema retratado; assim, “A Primavera” é composta basicamente por flores, “O Verão”, por frutas próprias dessa estação, “O Outono”, por folhas e frutas dessa época do ano e “O Inverno”, por uma "árvore sem folhas". O mesmo acontece com o restante de sua obra. 


Arcimboldo morreu em Milão, no ano de 1593,  apesar da religiosidade da época ser dominada pela Igreja Católica, Arcimboldo era um ocultista, o enigma, os simbolos e as charadas fascinavam o pintor. Muitos artistas surrealista do século XX se inspiraram nas obras do pintor italiano Giuseppe Arcimboldo, a exemplo, Salvador Dali.Seu trabalho caiu no esquecimento por aproximadamente 300 anos, até ser redescoberto pelo Movimento Surrealista, entre os séculos XIX e XX."

 A título de curiosidade a obra, denominada Flora, - quadro do artista italiano Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), contemporâneo do poeta Luís Vaz de Camões. Nessa pintura, o artista utilizou um recurso alegórico por meio do qual a flora é figurada como mulher, apresentando semblante humanizado pela combinação de diversos elementos
naturais, os quais ela mesma representa. O poema épico de Camões, Os Lusíadas, também apresenta uma figura que foi criada utilizando-se elementos alegóricos na mesma linha do quadro Flora que foi o a figura do Gigante Adamastor, pois este encarna os elementos naturais do Cabo das Tormentas.e, tal como Flora,esse elemento natural é dotado de um semblante antropomorfizado."


FONTE:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Arcimboldo

 Vide mais obras de Giuseppe











Fonte: Wikipedia e Do Blog http://bethccruz.blogspot.com.br/2009/07/arcimboldo-arcimboldo.html

domingo, 29 de março de 2015

Liberdade guiando o povo (1830)- Delacroix

Liberdade guiando o povo - 1830 - Delacroix
"Delacroix retratou a Liberdade, tanto como figura alegórica de uma deusa como uma mulher robusta do povo, uma abordagem que os críticos contemporâneos denunciaram como "ignóbil". O monte de cadáveres (na tela) atua como uma espécie de pedestal de onde a Liberdade passa, descalça e com os seios nus, de lona e no espaço do espectador. O barrete que ela usa simbolizou a liberdade durante a primeira Revolução Francesa, de 1789-1794. A pintura tem sido vista como um marco para o fim da Era do Iluminismo, assim como muitos estudiosos vêem o fim da Revolução Francesa como o início da era romântica.

Os lutadores são uma mistura de classes sociais, que vão desde as classes mais altas, representadas pelo jovem com uma cartola, para a classe média ou a revolucionária burguesia, como exemplificado pelo menino segurando as pistolas (que pode ter sido a inspiração para o personagem Gavroche em Les Misérables de Victor Hugo). O que todos têm em comum é o ardor e a determinação nos olhos. Além da bandeira empunhada pela Liberdade, em tricolor, em segundo plano, pode ser vista também uma bandeira igual, muito longe, nas torres de Notre Dame.

A identidade do homem da cartola tem sido amplamente debatida. A sugestão de que era um auto-retrato de Delacroix foi eliminada pelos historiadores da arte moderna. No final do século XIX, foi sugerido o modelo de teatro Etienne Arago, outros têm sugerido o futuro provedor do Louvre, Frédéric Villot; mas não há um consenso firme sobre este ponto."

Portanto, " A Liberdade Guiando o Povo (em francês: La Liberté guidant le peuple) é uma pintura de Eugène Delacroix em comemoração à Revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X. Uma mulher representando a Liberdade, guia o povo por cima dos corpos dos derrotados, levando a bandeira tricolor da Revolução francesa em uma mão e brandindo um mosquete com baioneta na outra. A pintura é talvez a obra mais conhecida de Delacroix." A obra apresenta característica romântica ao empregar os contrastes de luz e sombra conferindo maior emoção à cena. (Fonte: Do http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Liberdade_Guiando_o_Povo)


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sábado, 21 de março de 2015

O Boto - Vicente Rêgo Monteiro

O Boto

“O Boto, lendária figura que em noites de lua cheia se transforma em um belo jovem que seduz as donzelas à beira do rio, recebe nesta aquarela um tratamento cenográfico e barroco. A lua, grande círculo ao fundo, parece uma auréola amarelada e irradiante, destacando a figura do índio - o Boto -que segura a jovem seduzida num gesto elegante, como o de um bailarino, que ergue sua parceira no pas de deux.                                                                                                            
Estes ecos de bailado são compreensíveis pela freqüência a espetáculos de dança, acompanhando os bailados russos e suecos, a partir de 1913. A elegância dessa cena é ratificada pelo uso de linhas finas e o caráter esguio dos corpos."   Fonte: do site http://www.mac.usp.br/)
                                                                                                                              .
Quem é Vicente Rêgo?                                                                                         .
A pintura de Vicente do Rego Monteiro é marcada pela sinuosidade e sensualidade. Contido nas cores e contrastes, as obras do artista nos reportam a um clima místico e metafísico. A temática religiosa é freqüente em sua pintura, chegando a pintar cenas do Novo Testamento, com figuras que, pela densidade e volume, se aproximam da escultura .O pernambucano Vicente do Rego Monteiro (1899-1970) foi pintor, escultor, desenhista, ilustrador e artista gráfico. Nasceu em uma família de artistas. Descendia, por parte de mãe, do pintor PedroAmérico.                                                                                            .            
Ainda criança, iniciou seus estudos artísticos, em 1908, na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e em 1911 viajou com a família para Paris, onde passou a freqüentar a Academie Julién. Aos 14 anos teve alguns trabalhos selecionados para participar do Salon des Indépendants, em 1913. Em Paris, manteve contato com Amedeo Modigliani, Fernand Léger, Georges Braque, Joan Miró, Albert Gleizes, Jean Metzinger e Louis Marcoussis, importantes artistas modernistas.                                                                         .
...                                                                                                                           .
Em 1920, estudou a arte marajoara e tapajó das coleções do Museu Nacional do Rio de Janeiro, e esse tipo de estética passou a influenciar diretamente seus trabalhos.                                                                                                      .
A obra de Rego Monteiro incorporou a estética da cerâmica amazônica (a cor, o volume, a forma e a redução da figura), tornando-a uma característica marcante do modernismo brasileiro, que se propunha a resgatar, na arte, as origens do nosso povo.

Crucifixação

SEGUNDO Batista, Eduardo Pereira.  A escrita do esporte em Vicente do Rego Monteiro I Eduardo Pereira Batista.- Campinas, SP: {52f.}. 2006. " Rego Monteiro ingressa, na década de 1920, na "Escola de Paris" e sua obra recebe as marcas das "avant-guardes" européias.

 Vicente se alimenta na "dieta do regime cubista ".  As primeiras telas da década de 1920- Crucificação (1922) acima, Fuga para o Egito (1923), Flagelação ( 1923) e Pietá (1924)- possuem em comum, além do motivo religioso, uma composição cubista. A economia da matéria e das cores somadas à geometrização das formas e o equilíbrio da composição constituem as principais características do cubismo sintético de Juan Gris, em oposição ao cubismo analítico de Braque e Picasso."

    Os aspectos e as influências mais evidentes da obra do pintor Vicente do Rego Monteiro  em Crucifixação se referem a     Religiosidade, geometrização, figurativo, semelhança a baixos-relevos.                                                                                   
       Além do talento, Vicente do Rego Monteiro era um homem conhecido pela disposição e alegria de viver. Venceu muitos concursos de dança de salão na Paris dos anos 20. Entre 1969 e 1970 fez várias viagens do Recife ao Rio de Janeiro, dirigindo um Gordini. Fez seu nome na França como pintor,mas também como poeta.(Fonte:    http://www.pitoresco.com/espelho/valeapena/rego_monteiro/index.htm>.) 

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A Boba - Anita Malfatti

A Boba


“A Boba é um dos pontos mais altos da pintura de Anita. É fruto de uma fase em que a sua pintura expressionista absorve elementos cubo-futuristas. A Boba faz parte de um momento de "busca ativa", a tela é construída com a cor, numa orquestração de laranjas, amarelos, azuis e verdes, realçando as zonas cromáticas delineadas pelas linhas negras, na maioria diagonais - ordenação cubista. No primeiro plano, uma angulosa e assimétrica figura recebe aplicação irregular da cor. Na fisionomia, a expressão anormal e vaga é ressaltada por traços negros, segundo a estética expressionista do irracional e desarmônico. O fundo, elaborado com rápidas pinceladas, serve de contraponto.” (do site : http://www.mac.usp.br/)


“A pintura de Anita parece estar em um eterno descompasso com sua cidade. A São Paulo cosmopolita irá se constranger ao observar as telas toscas, adocicadas e falsamente ingênuas que Anita passa a produzir após a primeira fase modernista.
A artista que pintou obras como "O homem amarelo", "A Boba"(acima) e "Mulher de Cabelos Verdes", não quer mais ser vanguarda, nem acadêmica. Ela quer uma pintura simples, facilmente compreendida por todos e que dificilmente será aceita por seus colegas de aventura do modernismo.

A obra de arte A Boba foi pintada no período em que ela esteve nos Estados Unidos e é considerada um dos pontos mais altos da pintura de Anita, fruto de uma fase em que sua pintura, até então expressionista, absorve elementos cubo-futuristas. “(fonte: do blog: http://artedemestre.blogspot.com.br/2013/03/anita-malfatti-e-boba.html)

Anita Malfatti recebeu influência da cultura europeia e dos movimentos de vanguarda do início do século XX.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Café (1934-1935) de Cândido Portinari

Café - Cândido Portinari - 1935
Observe na obra de Portinari as figuras humanas:os pés e as mãos são bastante grandes;os corpos sugerem volume.Esses detalhes revelam o trabalho diário nas plantações de café,que exige força e ignora a fraqueza das pessoas.O corpo humano sugerindo volume e os pés enormes,que transmitem a sensação de que as pessoas se relacionam intimamente com a terra,sempre representada em tons vermelhos.

São homens e mulheres que trabalham com o café, alguns colhem, outros ensacam,outros carregam.Era um trabalho pesado. O diretor geral do Instituto Cândido Portinari, João Cândido Portinari, 70 anos, filho do artista e professor universitário já disse que "O café sempre foi recorrente na pintura e nas suas obras literárias. É uma lembrança da origem da família, imigrantes italianos que aqui chegaram no fim do século XIX para justamente trabalhar na colheita do café no interior de São Paulo". Ele cita vários versos escritos pelo pai, onde o chamado "ouro verde" é lembrado. "Saí das águas do mar e num pé de café nasci", registrou.

Já a  Ms. Glauce Maris Pereira Barth em seu  artigo "A leitura do café: suas possíveis relações matemáticas e a perspectiva de genêro"   faz uma análise dizendo  "O olhar rural de Portinari visualizava a força do trabalho braçal e manual dos escravos e camponeses que trabalhavam nas fazendas de café. Homens e mulheres foram representados.

 Observa-se que nos dois primeiros planos da pintura, os homens, devido à força e estrutura física, eram os principais carregadores das sacas de café colhidas, em sua maioria, pelas mulheres; somente as mulheres com boa resistência física carregavam as sacas. 

No terceiro e último plano, temos a colheita, na qual a maioria dos colhedores são mulheres, a roupa usada as diferencia dos homens."  

Mais a frente ela diz ainda :" A obra mostra o retrato de uma cena de colheita de café, típica da região de origem do artista, Brodósqui. Nela, é colocada em evidência a importância da mulher e do homem como trabalhadores, colaboradores do desenvolvimento econômico brasileiro, já que são os responsáveis pela riqueza comercial do produto e do sucesso de venda no exterior, apresentando, assim, o Brasil ao mundo." 

Portanto fazer um estudo da obra de Portinari visando o conhecimento de seu trabalho o leitor só tem a ganhar,pois trata-se de um dos maiores pintores brasileiros nascido na fazenda Santa Rosa no interior de SP. Veja um pouco mais no video abaixo:

Leia mais: www.culturabrasil.org./portinari.htm

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

As Respigadoras (The Gleaners - 1857) - Jean-François Millet

The Gleaners, 1857, Jean-François Millet (French Realist Painter, 1814-1875), Oil on canvas, 83.5; 110 cm, Musée d’Orsay, Paris

* Fonte: De Gilson Santos

"As Respigadoras (The Gleaners) é uma pintura a óleo por Millet concluída em 1857, e uma de suas mais famosas obras. Ele retrata três mulheres camponesas recolhendo grãos de trigo após a colheita. Nesta pintura Millet ilustra um direito concedido aos camponeses: recolher as espigas que restaram da colheita. No primeiro plano do quadro, destacam-se as três personagens, tendo como fundo uma iluminada paisagem de campo. Duas respigadoras, curvadas para o chão, apanham as espigas que os ceifeiros deixaram para trás, e a terceira amarra o seu feixe. O espectador do quadro fica insatisfeito, pois os rostos das camponesas encontram-se obscurecidos; só se vê o perfil da última. O rosto desta é escurecido pelo sol e os traços são grosseiros. Com a sua pincelada realista, o artista, por conseguinte, evita idealizar o seu tema. Chama a atenção para a grandeza e dignidade da tarefa executada por pessoas simples e resignadas diante de uma realidade existencial que não podem mudar.
No fundo iluminado, o resultado da colheita. O trigo, colhido em grande quantidade, está sendo empilhado. No canto superior direito, vê-se o senhorio supervisionando o trabalho. 

Este tipo de olhar retratou com enorme significado o que eram as camadas mais baixas da sociedade rural — o que, aliás, não foi muito bem recebido pelas classes franceses mais privilegiadas."(http://gilsonsantos.com/2012/06/23/as-respigadoras-jean-franois-millet/)

Veja outras obras de Millet AQUI


Quem foi MILLET? (fonte:Wikipedia)

Jean-François Millet (4 de Outubro de 1814 – 20 de Janeiro de 1875) Pintor romântico e um dos fundadores da Escola de Barbizon na França rural. É conhecido como percursor do realismo, pelas suas representações de trabalhadores rurais.Junto com Courbet, Millet foi um dos principais representantes do realismo europeu surgido em meados do século XIX. Sua obra foi uma resposta à estética romântica, de gostos um tanto orientais e exóticos, e deu forma à realidade circundante, sobretudo a das classes trabalhadoras.

 Suas obras sobre camponeses foram consideradas sentimentais para alguns, exageradamente piegas para outros, mas a verdade é que as obras de Millet em nenhum momento suscitaram indiferença. Na tepidez de seus ocres e marrons, no lirismo de sua luz, na magnificência e dignidade de suas figuras humanas, o pintor manifestava a integração do homem com a natureza. Alguns temas eram tratados talvez com um pouco mais de sentimentalismo do que outros. No entanto, é nos pequenos gestos que se pode descobrir a capacidade de observação deste grande pintor.

Veja mais obras de Millet   A  Q  U  I

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Metamorfose de Narciso - Salvador Dali

Metamorfose de Narciso -   Salvador Dali


Salvador Dali  desde a infância demonstrou interesse pelas artes plásticas. Em 1921, entrou para a Escola de Belas Artes de São Fernando, localizada na cidade de Madri. Porém, em 1926, foi expulso desta instituição, pois afirmava que ninguém era suficientemente competente para o avaliar.O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica e foi um dos grandes nomes  influenciado pelos mestres do Renascimento.(Fonte:http://www.suapesquisa.com/biografias/salvador_dali.htm)

"A obra "Metamorfose de Narciso" é uma obra ambigua. Ao mesmo tempo que vemos Narciso, ele aparenta ser várias rochas, uma em cima da outra. Na mão que segura o ovo, simbolo da vida, vemos algumas marcas, como se fossem formigas. Dali tinha pavor de formigas, pois na sua infância as viu devorar uma lagartixa ferida mas observe que a  rachadura no ovo combina com a sombra do cabelo de Narciso, e também com a fissura na unha do polegar, dando à mão um caráter petrificado, surreal, mais adequado ao estilo de Dalí do que seria uma mão de aparência realista."(Do blog Missão e resgate). Podemos aqui fazer um paralelo do simbolismo que a unha tem em uma técnica oriental chamada Leitura Corporal, na qual cada parte e sintoma do corpo tem uma correspondência emocional. Segundo essa idéia, a unha corresponde à autoconfiança do indivíduo, podendo ser considerada mais forte ou mais frágil, dependendo da constituição física. Nesse caso, e por ser o polegar simbolicamente o dedo da auto-afirmação, a rachadura pintada por Dalí pode ser lida como a quebra e a morte da vaidade. Além disso, a rachadura pode ser ainda ligada à maneira com que Dalí freqüentemente se referia à sua personalidade: metade uma pessoa ordinária, metade um gênio, o que reforça a idéia de que o quadro poderia  ser um auto-retrato."

Na representação de Dalí, a  flor brota de um ovo, símbolo da germinação da vida e ao mesmo tempo do seu mistério e fragilidade. É da união dos contrários que nasce o novo. A criação do novo, contudo, não pode ser testemunhada senão na obscuridade, como atesta a oscilação da luz do plano diurno em que Narciso se contempla nas águas para o plano noturno da petrificação do corpo.

Há quem discuta se a metamorfose do título está em Narciso que se transforma na imagem da mão com o ovo, ou o contrário. A primeira idéia é  facilmente embasada através da simbologia das imagens. Narciso é apresentado como um objeto inanimado, sem vida, como uma forma crisálida. A mão tornou-se, além da forma de Narciso morto, uma mão que agora segura uma nova vida na forma de uma flor. O próprio Dalí disse que essa pintura tratava sobre a morte e petrificação de Narciso.


"Na Metamorfose, pela experiência da plenitude do ser, o corpo converte-se em lugar de fina criação e fonte de todos os renascimentos. A fria e pálida magreza dos dedos de pedra lembra o destino de todos os corpos sujeitos à erosão do tempo. Onde se extinguiu o dourado reflexo da vida, soçobrou o solitário esqueleto, na presença do qual até o céu escurece, carregando a leveza das nuvens com uma armadura de chumbo.
Mais atrás, como se, no fundo, todas as grandes verdades não passassem de uma perpétua repetição de falsas imitações, erguem-se silenciosas montanhas cuja lava arrefecida dá lugar a imponderáveis rugas de basalto. No sopé de tais imemoriais testemunhos do tempo, surgem os minúsculos lugares do Homem, os seus berços, as suas medidas, as artificiosas proporções que lhe oferecem a ilusão da harmonia do mundo. Daí parte o caminho de lama, cujos sulcos são os traços dos seus passos.O caminho de lama termina junto à água. Aí, no ponto em que é impossível separar a terra da água e a forma do informe, repousa Narciso, como que regressado ao ventre materno. Aí se projetam as montanhas , o céu e o próprio Narciso que  parece estar profundamente envolvido numa experiência deleitosa de si mesmo, saboreando num silencioso gemido as carícias do espelho de água.
Atrás de si, no caminho, uma turba de seres andróginos realiza uma última dança, à beira do precipício que, no fim do caminho de lama, os separa de Narciso. São os arautos da contradição, personificações da sensual geração da eterna repetição do novo."


direita do quadro, no primeiro plano, existe um cão que rasga uma carne, quase uma carcaça, talvez representando a morte de algo que algum dia já foi belo. Formigas, que são um tema recorrente nas pinturas de Dalí, escalam a mão petrificada, representando a deterioração, a decomposição e, novamente, a morte. Aglomeram-se na base e seguem seu caminho em direção à flor de Narciso, ameaçando sua existência.É notável também a presença de nuvens pesadas, um céu que anuncia uma tempestade: novamente a idéia da morte é retratada, da mesma forma que escureceu o céu na ocasião da morte de Jesus Cristo.
Com seus tons terrosos e áridos, que remetem à morte, Dalí retratou a morte da vaidade, mas uma morte que faz brotar o novo, o belo.


A LENDA DO NARCISO

Na antiguidade mais remota do povo grego nasceu Narciso.Narciso era um jovem de singular beleza, filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. No dia de seu nascimento, o adivinho Tirésias vaticinou que Narciso teria vida longa desde que jamais contemplasse a própria figura. Indiferente aos sentimentos alheios, Narciso desprezou o amor da ninfa Eco - segundo outras fontes, do jovem Amantis - e seu egoísmo provocou o castigo dos deuses. Ao observar o reflexo de seu rosto nas águas de uma fonte, apaixonou-se pela própria imagem e ficou a contemplá-la até consumir-se. A flor conhecida pelo nome de Narciso nasceu, então, no lugar onde morrera. Segundo uma das versões, incapaz de satisfazer seus desejos ele se inclinou para a frente até abraçar a imagem, caiu de cabeça dentro d'água e se afogou. Depois os deuses o transformaram em flor.

Em outra versão da lenda, Narciso contemplava a própria imagem para recordar os traços da irmã gêmea, morta tragicamente.


Salvador Dalí mostra Narciso sentado a beira de um lago, olhando para baixo, enquanto, próximo, está uma figura de pedra se decompondo que se parece bastante com ele, mas que é percebida de uma outra forma bem diferente - como a mão que segura um bulbo ou ovo, de onde brota um narciso.

Na psiquiatria e particularmente na psicanálise, o termo narcisismo designa a condição mórbida do indivíduo que tem interesse exagerado pelo próprio corpo.

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Salvador Dali foi um artista versátil. Algumas de suas obras mais populares são esculturas e outros objetos, e ele também é conhecido por suas contribuições ao teatro, moda e fotografia, entre outras áreas.As excentricidades e declarações provocadoras fizeram de Salvador Dalí uma das mais polêmicas figuras da arte contemporânea, mas não impediram que sua obra fosse reconhecida como uma das mais audaciosas e apuradas da pintura surrealista.


Fonte bibliográfica: Wikipedia ,Cyber Artes 
   A  Q  U  I   no texto de Juliana Nunes.

Cquote1.svg … Estou pintando quadros que me fazem morrer de alegria, estou criando com absoluta naturalidade, sem a menor preocupação estética, estou fazendo coisas que me inspiram com uma profunda emoção e estou tentando pintá-los com honestidade.






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 Salvador Dalí, em Dawn Ades, Dalí e Surrealismo

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

GUERNICA de Pablo Picasso

UMA OBRA SOBRE A VIOLÊNCIA




O pintor espanhol Pablo  Picasso (18811973), um  dos  mais  valorizados no  mundo artístico, tanto em  termos financeiros quanto históricos, criou a obra  Guernica em  protesto ao ataque aéreo à pequena cidade basca de mesmo nome. A obra, feita para  integrar o Salão  Internacional de  Artes Psticas de  Paris, percorreu toda a Europa, chegando aos EUA e instalando-se no MoMA(Museum of Modern Art) , de onde sairia apenas em  1981.  Essa obra  cubista apre- senta elementos psticos identificados pelo painel ideográfico, monocromático, que enfoca várias dimensões de  um  evento, renunciando à realidade, colocando-se em  plano frontal ao espectador.

Nesse enorme quadro Picasso utilizou apenas o preto e o branco e alguns tons de cinza,criando detalhes que impressionam o observador.Além das pessoas mortas no chão,uma mulher segura uma criança e olha para cima como que procurando identificar de onde vem as bombas;uma pessoa parece gritar em desespero;um cavalo com o corpo contorcido parece relinchar.Não vemos as bombas;apenas um clarão ao fundo.Mas reconhece-se a violência da cena: um bombardeio sobre uma cidade desprotegida.


"É um quadro profundamente expressivo e um sentimento de luto percorre esta obra dorida pintada a preto, branco e cinzento. A sua composição apresenta três planos significativos: à esquerda, o touro e a mulher com a criança morta nos braços; ao centro, o cavalo e a mulher que transporta a lâmpada; à direita, o incêndio e a mulher que grita. O guerreiro morto no solo ocupa a parte inferior da metade direita. A sensação de tragédia, de dilaceramento e de destruição é chocante. Para exprimir o horror de uma destruição insuportável, Picasso parece reduzir seres humanos e animais a gritos. A postura das mãos, os braços estirados, as bocas abertas e os olhos esbugalhados expressam o horror da morte. Vemos lâmpadas, mas elas não proporcionam qualquer claridade. A decomposição e a fragmentação dos corpos sugere dilaceração e sofrimento. A cor, como já dissemos, é triste. A atmosfera é de pessimismo e interrogamo-nos sobre o sentido simbólico dos elementos luminosos que aparecem. Uma réstia de esperança na vitória das forças republicanas?Note-se ainda a quase total ausência de volume, que sugere a ideia de que a vida e a liberdade foram esmagadas.Guernica é um libelo contra a guerra - contra a crueldade desnecessária - e traduz dramaticamente o compromisso político do artista. Aliás, a arte politicamente comprometida - mas nunca isso foi sinónimo, para Picasso, de artista subserviente - era para o pintor espanhol uma forma de dignificação e realização da actividade artística"(Inês Almeida - http://umaleitura.blogspot.com/2007/01/guernica.html )

Realmente uma das obras mais significativas da obra de Pablo Picasso é o painel intitulado Guernica (imagem).
O painel foi produzido em 1937 (em Paris), tela pintada a óleo ,normalmente tratada como representativa do bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães, apoiando o ditador Francisco Franco. Uma interpretação possível (talvez a mais corrente) deste painel é que ele representa a atrocidade das vidas estilhaças, corpos revirados do avesso e produz um grande assombro também pelas suas dimensões: é um painel imenso, pintado a óleo, que mede 350 por 782 cm.

A obra de Picasso é um grito contra a violência.
A pintura foi feita com o uso das cores preto e branco - algo que demonstrava o sentimento de repúdio do artista ao bombardeio da cidadezinha espanhola. Claramente em estilo cubista, Picasso retrata pessoas, animais e edifícios nascidos pelo intenso bombardeio da força aérea alemã (Luftwaffe), já sob o controle de Hitler, aliado de Francisco Franco.
Morando em Paris, o artista soube dos fatos desumanos e brutais através de jornais - e daí supõe-se tenha saído a inspiração para a retratação monocromática do fato.
Sua composição retrata as figuras ao estilo dos frisos dos templos gregos, através de um enquadramento triangular das mesmas. O posicionamento diagonal da cabeça feminina, olhando para a esquerda, remete o observador a dirigir também seu olhar da direita para a esquerda, até o lampião trazido ainda aceso sobre um braço decepado e, finalmente, à representação de uma bomba explodindo.

Diz - se que na parte central (inferior direito) do quadro, a pelagem do cavalo mutilado é retratada com pequenos traços verticais. Picasso teria começado a fazê-las, mas quem as terminou teria sido sua esposa, pois o artista teria dito que davam muito trabalho.

ANÁLISE SEMÂNTICA:                  
(Julio Plaza)

PersonagensAtitudesSentimento
TouroErguida à esquerda para frenteValor, orgulho.
MãeErguida para cimaEstabilidade.
MeninoPara baixo Lamento,súplica.
GuerreiroHorizontal, para o altoMorte.
AvePara cimaDestruição.
CavaloErguida, para a esquerdaLamentação, ascensão.
Portadora de LuzPara a esquerdaAgonia.
FugitivaDiagonal para a esquerda e acimaIngenuidade, busca.
Mulher que caiPara cima e abaixo em diagonalAnsiedade, busca, pânico, súplica.
São estas as nove personagens com suas correspondentes atitudes, sentimentos e qualidades representadas que correspondem ao interpretante imediato que é o produtor de sentido.



Análise Pragmática

(Julio Plaza)

O símbolo em Guernica:
 
Guernica: símbolo do conflito antagônico Vida/Morte caracterizado pelo cromatismo contrastado que estabelece sistemas binários de oposição: branco e preto, vida e morte, bem e mal, deus e demônio, vitória e derrota, racional e irracional e caos e ordem.
Touro: fortaleza, verticalidade, orgulho, símbolo mítico do homem touro= minotauro. Aliás, símbolo do próprio artista. O touro é símbolo totem do telúrio, da península ibérica. Metáfora do instinto animal, da energia e da vida. Em termos junguianos representa o inconsciente, irracional a libido. Diversos autores vêm neste touro uma imagem simbólica e metafórica do povo espanhol. 

AVE: metáfora da paz.
Cavalo: metáfora do instinto animal, do telúrico, da vida, do tempo. Em termos junguianos aparece como um componente animal do homem, o inconsciente, a libido, do fogo/luz. Autores identificam este cavalo como simbolizando as forças nacionalistas fascistas.
Luz 1: Há na pintura dois tipos de luz. Uma lâmpada que parece observar a cena de forma omniscente, como consciência sem consciência que observa a cena. Aparece aqui como símbolo do olho de Deus, como luz irradiante que observa a cena como testemunha muda. Pode-se dizer que simboliza a verdade da história. Metáfora do sol, do divino, da verdade.
Luz 2: Luz do candil que parece simbolizar a "iluminação" enquanto inteligência, vida, liberdade, procura de instauração da ordem no caos, metáfora da energia física e espiritual.
Fogo Luz: par semântico antagônico: iluminação destruição.
Triangulo: serve de base para a composição. Pode ser identificado como símbolo de morte pelo seu caráter estático, acentuado ainda pela estátua destruída do guerreiro.
Guerreiro: roto, fragmentado, metáfora da derrota militar e da história.




Assista o video - Guernica em 3D (se não conseguir ver aqui, veja direto no you tube)