segunda-feira, 6 de maio de 2013

Morro - Cândido Portinari

Morro
1933. Fonte: Acervo Digital do Projeto Portinari.
Museum of Modern Art, New York, NY


Portinari ,como já colocado neste blog, é considerado um dos artistas mais prestigiados do Brasil e foi o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional.

A tela acima “MORRO” pertence ao acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York e apresenta aspectos inspirados no expressionismo, como a distorção subjetiva das figuras, formas e cores.Portinari de certa forma sempre foi criticado por “deformar”seus personagens principalmente no que tange a pés e braços, porém o mesmo explica o porquê de pernas e braços muitas vezes desproporcionais:    “Impressionavam-me os pés dos trabalhadores das fazendas de café. Pés disformes. Pés que podem contar uma história.Confundiam-se com as pedras e os espinhos. Pés sofridos com muitos e muitos quilômetros de marcha. Pés que só os santos têm. Sobre a terra, difícil era distingui-los. Os pés e a terra tinham a mesma moldagem variada. Raros tinham dez dedos, pelo menos dez unhas. Pés que inspiravam piedade e respeito. Agarrados ao solo eram como os alicerces, muitas vezes suportavam apenas um corpo franzino e doente. Pés cheios de nós que expressavam alguma coisa de força, terríveis e pacientes”.(PROJETO PORTINARI, 2009, p. 16).


Na obra “Morro” há  um delineamento de traçados da constituição do povo brasileiro e do contexto da situação social dessa gente. A favela, a lata de água na cabeça e o morro no fundo quase desértico podem significar a aridez do lugar social.As telas deste período se caracterizam por uma superfície marrom dominante, que simboliza a terra roxa da cidadezinha paulista Bodowski onde nasceu .Os céus das paisagens são turvos e o artista abusa dos contrastes de claro-escuro e dos efeitos de luz. As cores que surgem em sua obra, são um reflexo vivo desta cultura absorvida e apresentada pelo artista, são as cores da sua época, das suas lembranças presentes na memória,

A pastosidade das tintas também é um componente marcante nas obras desse período.Temos aí uma tela  inspirada na sociedade brasileira com figuras tipicamente nacionais e carregadas de emoção,ou seja, são retratos fiéis da realidade dos moradores da Baixada Fluminense.

 Como totalidade, a obra de Portinari constitui um valioso panorama da realidade brasileira.



quinta-feira, 28 de março de 2013

Madeleine au Bois d'Amour - Émile Bernard

                                  Madeleine au Bois d'Amour [Magdalena na Floresta de Amor]

 

 Émile Henri Bernard (28 de abril de 1868 - 16 de Abril de 1941) é conhecido como um pintor pós-impressionista que tinha amizades artísticas com Van Gogh, Gauguin e Eugène Boch e em um momento posterior, Cézanne. A maioria de sua obra notável foi realizado em uma idade jovem, nos 1886 anos através de 1897. Ele também está associada com cloisonnism e Synthetism, dois movimentos da arte final do século 19. Menos conhecido é obra literária de Bernardo, compreendendo peças, poesia e crítica de arte, assim como arte declarações históricas que contêm informações em primeira mão sobre o período crucial da arte moderna em que Bernard tinha contribuído.
conteúdo

"Emile Bernard tinha  apenas 20 anos de idade quando  pintou este retrato de tamanho real de sua irmã Magdalena, 17 anos de idade acima. A menina está na Floresta de Amor, na orla da aldeia Breton de Pont-Aven,(A Aven é o rio que atravessa Pont-Aven, na Bretanha.). Seu trabalho Madeleine no Bois d'Amour (1888) é definido na madeira mesmo que o Paul Sérusier do Talisman (1888).

 
Émile Bernard passou o verão em Pont-Aven, Bretanha, trabalhando com Gauguin. Ele pintou sua irmã reclinada no chão, perto da margem do rio Aven. Sua postura rígida e forma achatada dá à obra um ar icônico, reforçada pela disposição rígida de árvores verticais e horizontais de faixas de terra e água. Synthetism é o nome que  Émile Bernard e Paul Gauguin deu a esta combinação distinta de elementos naturais, composição decorativa, e imagens evocativas.
A forma excessivamente alongada da menina  de 17 anos de idade,  Bernard paira irmã a Madeleine desajeitadamente em primeiro plano, como se adicionados a uma paisagem já concluída.

O corpo da menina ocupa toda a largura da tela, dividindo a composição em duas partes: parece uma paisagem pintada em estúdio que a partir de estudos encheu dois terços da tela .Ambos os lados coexistem sem unidade, apesar dos paralelos entre a posição calculada Magdalena e Aven rio, que corre atrás das árvores. A luz, o toque, as cores são diferentes. . Esta não é uma cena realista, mas com toques de um retrato alegórico de um jovem que por Gauguin foi ferido. Aparece imersa em sonhos, ouvir as vozes da natureza divina.

Naquela época, Emile Bernard e sua irmã estavam muito perto do líder da nova escola " impressionista sintética" que se estabeleceu a pintar em Pont-Aven por vários meses. Para fugir do naturalismo defendido pelos impressionistas da geração de 1870, recomendado por massas e cores de pintura impostoa a fim de distanciar respeito ao realismo. Os detalhes, os efeitos de volume e perspectiva, são sacrificados para o benefício de uma visão geral."

 Bernard teorizou um estilo de pintura com formas arrojadas separados por contornos escuros, que se tornou conhecido como cloisonnism. Seu trabalho mostrou tendências geométricas que indicavam as influências de Paul Cézanne, e ele colaborou com Paul Gauguin e Vincent van Gogh.

Émile Bernard  não logrou espaço célebre no meio da pintura (embora tenha obras maravilhosas) e, somente foi conhecido por estudiosos de van Gogh e poucos "fans". Seguiu pintando com afinco até a morte por natureza espontânea.


  Fonte: Musée d Orsay


segunda-feira, 25 de março de 2013

A Última Ceia - Leonardo Da Vinci

A última Ceia - Leonardo Da Vinci



A pintura retrata a última ocasião em que Jesus Cristo se reuniu com seus apóstolos para compartilhar o pão e o vinho, antes de sua morte.Leonardo Da Vinci ao realizar essa pintura baseou-se em  em João 13:21, no qual Jesus anuncia aos doze apóstolos que alguém, entre eles, o trairia.Os apóstolos se agrupam em quatro grupos de três, deixando Cristo relativamente isolado ao centro. Da esquerda para a direita (do ponto de vista de quem está diante da pintura), segundo as cabeças, estão no primeiro grupo: Bartolomeu, Tiago Menor e André; no segundo grupo Judas Iscariotes (cabelo branco inclinado sobre João, único imberbe do grupo), Simão Pedro e João; Cristo ao centro;no terceiro Tomé, Tiago Maior e Filipe (este também imberbe) e no quarto grupo estão Mateus (aparentemente com barba rala), Judas Tadeu e Simão Cananeu também chamado de Simão, o Zelote, por último. Estas identificações provêm de um manuscrito autógrafo de Leonardo encontrado no século XIX.

 Ao centro, Cristo é representado com os braços abertos, num gesto de resignação tranquila, formando o eixo central da composição."

Segundo Juciara Maria Nogueira Barbosa (Professora do curso de Comunicação Social da Universidade Católica do Salvador) "Ao planejar a última ceia, Leonardo da Vinci escolheu um ‘corte’ para a pintura. A perspectiva cria a ilusão de que o espaço continua, para cima e para os lados, seguindo, ainda, para dentro, como se o observador vislumbrasse a cena de uma janela, dando a idéia de profundidade (...) Seguindo a herança do Renascimento, por séculos os artistas buscaram, na pintura, preencher o espaço da tela visando simular a reali-  dade de forma convincente. Para tanto,ainda que atendendo às diferentes demandas de cada movimento artístico específico, houve um esforço dos pintores pelo preenchimento metódico do espaço"
Conta-se que, quando executava a Última Ceia, o superior da abadia ficava perplexo ao vê-lo passar a maior parte do tempo parado, apenas contemplando a obra. Para o abade, Leonardo deveria trabalhar como qualquer artesão, desde cedo até o poente, incessantemente. Quando interpelado pelo Duque de Milão(A Última Ceia foi encomendada por Ludovico Sforza, duque de Milão), patrono da obra, Leonardo respondeu "que os homens de gênio às vezes produzem mais quando menos trabalham, pois esta é a hora em que elaboram invenções e formam em suas mentes as idéias perfeitas que depois expressam e reproduzem com as mãos."

Ficha Técnica:


Autor
Data
1495-1497
Técnica
Mista com predominância da têmpera
e óleo sobre duas camadas de preparação
de gesso aplicadas sobre reboco(estuque)
Dimensões
460 cm × 880 cm
Localização
Refeitório de Santa Maria delle Grazie (Milão)



 Fonte:O Cenáculo (site em inglês),Wikipédia


sábado, 18 de agosto de 2012

Almoço na Relva (1863) - Édouard Manet

Almoço na Relva , 1863, Manet. Óleo sobre tela, 214 X 270 cm. Museu do Louvre, Paris, França.


Édouard Manet (Paris, 23 de janeiro de 1832, Paris — 30 de abril de 1883, Paris) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX. Pertencia a uma família rica da burguesia parisiense. Seu realismo não tinha intensões sociais: ao contrário, chegava a ser aristocrático. Sua carreira foi marcada por alguns desafios aos críticos conservadores. O maior deles aconteceu em 1863, com a tela “Almoço na relva”(acima) que, na época causou grande escândalo por representar uma mulher nua em companhia de dois homens elegantemente vestido.

A pintura acima teve como nome original  Le Déjeneur sur l´Herbe. Foi apresentado publicamente no Salão dos Independentes, realizado em Paris em 1863, e o seu título inicial era Le Bain (O Banho).Causou certo escândalo na época por trazer uma mulher nua entre dois homens vestidos. Suzanne Leenhoff (sua mulher) e Victorine Meurent (sua modelo preferida) posaram para a composição da mulher nua, sendo o corpo de Suzanne e o rosto de Victorine.O quadro foi considerado uma "imoralidade, um atentado ao pudor".Os críticos não pouparam críticas, chegando a dizer que Manet devia aprender a desenhar.

Mas analisando o quadro  num primeiro plano (canto inferior esquerdo) vemos uma natureza morta de cores fortes definida como as roupas da mulher nua,seguida dos três personagens sentados ( a mulher nua e os dois homens vestidos); ao fundo uma mulher se banha no riacho. 

Nass primeiras pinturas, Manet,  abandonou o método tradicional de sombras suaves em favor de contrastes fortes e duros, causando um clamor de protestos entre os artistas conservadores. Em 1863, os pintores acadêmicos recusaram-se a exibir as obras de Manet na exposição oficial – o Salon. Segue-se uma onda de agitação que levou as autoridades a expor todas as obras condenadas pelo júri numa mostra especial que recebeu o nome de ‘Salon dos Recusados’. O público afluiu principalmente para rir dos pobres e desiludidos principiantes que se haviam recusado a aceitar o veredito dos seus superiores."Manet pintava diretamente ao ar livre, observando cuidadosamente os efeitos que a luz produzia sobre os objetos e sobre os espaços, transmitidos através de requintados e afirmados contrastes de claro escuro, de cores vivas e de pinceladas rápidas e espontâneas. Esta exaltação dos valores cromática e lumínica transforma o quadro numa obra pioneira e revolucionária, prenunciadora dos princípios estéticos do movimento impressionista.Esta pintura acabaria por ser exposta no Museu do Louvre, em Paris."

 Não podemos deixar de perceber que o francês Édouard Manet (1832-1883) foi um nome fundamental do período, fazendo a ponte do realismo e do naturalismo para um novo tipo de pintura que levará ao impressionismo. Ele retratava a realidade urbana sem muito da carga ideológica do realismo. Influenciou os impressionistas, assim como foi por eles influenciado.

 Veja mais sobre Manet nos videos abaixo:




Fonte: Wikipedia, Livro Literatura e Arte (Nicolla) e Infopedia

terça-feira, 17 de julho de 2012

Os camponeses comendo batatas - Van Gogh - 1855

Vincent Van Gogh - Os camponeses comendo batatas - óleo em tela (1855) - 82 cm × 114 cm     
"Os Camponeses comendo batatas (Aardappeleters em neerlandês) é um quadro do pintor Vincent van Gogh, terminado em abril de 1885.
Este quadro pertence à primeira fase da pintura do artista, desenvolvida nos Países Baixos, sob influência do realista francês Millet. Van Gogh fez releituras de Millet, e também estudou desenho, anatomia e perspectiva em Bruxelas, complementando sua formação com leituras sobre o uso e o comportamento das cores.Nessa época, desenhou e pintou muitas paisagens neerlandesas, cenas de aldeia.

 Em Nuenen, pequena cidade neerlandesa onde morava sua família, realizou cerca de 250 desenhos, principalmente sobre a vida de camponeses e tecelões. Os Comedores de Batata resume esse período. Assim como os pintores realistas, ele falou sobre a miséria e retratou a desesperança dessa gente humilde. Ele dizia que os camponeses deviam ser pintados com suas características rudes, sem embelezamento, ponto em que criticou e se diferenciou de Millet.

Van Gogh salientou os traços grosseiros das mãos e das faces dos trabalhadores da terra. Em busca de intensidade dramática, explorou a potencialidade expressiva dos tons escuros, da luminosidade barroca e do pincel nervoso. Tais características seriam transformadas radicalmente a partir de sua ida a Paris, no mesmo ano.Ele viveu lá por alguns anos. " (Fonte: Wikipédia )

Leia mais sobre Van Gogh   A  Q  U  I  e veja os videos abaixo:

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Os Construtores (1950) - Fernand Léger

Os Construtores - 1950 (óleo sobre tela)

      








Fernand Léger (1881-1955) antes de se tornar pintor era arquiteto e no ano de 1900 se mudou para Paris e lá passou a trabalhar como desenhista de arquiteturas.Mundialmente reconhecido como um dos mestres do século XX, Fernand Léger foi um dos mais destacados cubistas e o primeiro a experimentar a abstração.
 
"A enorme dimensão deste edifício foi astuciosamente representada através da técnica do corte da imagem, em cima e em baixo, de forma a parecer prolongar-se indefinidamente em ambas as direções. Acentuadas linhas verticais e horizontais demarcam os contornos das formas estruturais contra o céu azul, realizadas em intensas cores primárias, havendo aqui alguma evidência e influência do Cubismo.Os enormes trabalhadores que se assemelham a robôs, movimentando-se sobre as vigas, e as nuvens que passam, contrastam dramaticamente em forma e em cor com o esqueleto metálico do edifício em construção.(
 
Braços e pernas tubulares, como calhas ou chaminés. Rostos inexpressivos, não mais que um esquema de olhos, boca e nariz. Dos pintores do começo do século 20, Fernand Léger (1881-1955) foi provavelmente um dos que mais incorporaram em seus quadros a estética da vida industrial, a rudeza do trabalho mecânico, a textura das máquinas e dos materiais de construção. (Fonte: Blog Artemísia está viva)

 
LÉGER criou, a partir do Cubismo Sintético, uma linguagem pictórica que, segundo ele esperava, levaria a arte ao mundo do trabalho e do lazer do proletariado.
Formas vigorosas e claramente definidas, sugerindo máquinas, são apresentadas em cores enérgicas que dão uma nota de alegria e otimismo a um mundo mais habitualmente associado à fumaça e graxas. Assim, LÉGER não representa as misérias da classe trabalhadora, mas usa sua arte para celebrar o mundo do trabalho viril e vigoroso.

 Na opinião do crítico e historiador Giulio Carlo Argan, Léger "foi um admirador da pureza e simplicidade das imagens de Rousseau; foi um dos primeiros a se associar, em 1910, à pesquisa cubista; é, e se mantém por toda a vida, um homem do povo, um trabalhador que acredita cegamente na ideologia socialista, a qual ingenuamente associa ao mito do progresso industrial. Para ele, os objetos simbólico-emblemáticos da civilização moderna são as engrenagens, as tubagens, as máquinas, os operários da fábrica: sua finalidade é decorar, isto é, qualificar figurativamente o ambiente da vida com os símbolos do trabalho da mesma maneira que, antigamente, decorava-se a igreja com os símbolos da fé".


Fernand Léger explica que arquitetura se compõe de superfícies vivas e de superfícies mortas.
As superfícies mortas – parede nua – são as reservas de repouso e não se deve nelas tocar. Já as superfícies vivas – superfícies coloridas – devem ser postas à disposição da forma, do pintor e do escultor.

As cores: azul, verde, amarelo e vermelho, eram as preferidas, em tons fortes, retratavam as tensões do cenário da época.

Veja mais sobre a obra: