segunda-feira, 25 de março de 2013

A Última Ceia - Leonardo Da Vinci

A última Ceia - Leonardo Da Vinci



A pintura retrata a última ocasião em que Jesus Cristo se reuniu com seus apóstolos para compartilhar o pão e o vinho, antes de sua morte.Leonardo Da Vinci ao realizar essa pintura baseou-se em  em João 13:21, no qual Jesus anuncia aos doze apóstolos que alguém, entre eles, o trairia.Os apóstolos se agrupam em quatro grupos de três, deixando Cristo relativamente isolado ao centro. Da esquerda para a direita (do ponto de vista de quem está diante da pintura), segundo as cabeças, estão no primeiro grupo: Bartolomeu, Tiago Menor e André; no segundo grupo Judas Iscariotes (cabelo branco inclinado sobre João, único imberbe do grupo), Simão Pedro e João; Cristo ao centro;no terceiro Tomé, Tiago Maior e Filipe (este também imberbe) e no quarto grupo estão Mateus (aparentemente com barba rala), Judas Tadeu e Simão Cananeu também chamado de Simão, o Zelote, por último. Estas identificações provêm de um manuscrito autógrafo de Leonardo encontrado no século XIX.

 Ao centro, Cristo é representado com os braços abertos, num gesto de resignação tranquila, formando o eixo central da composição."

Segundo Juciara Maria Nogueira Barbosa (Professora do curso de Comunicação Social da Universidade Católica do Salvador) "Ao planejar a última ceia, Leonardo da Vinci escolheu um ‘corte’ para a pintura. A perspectiva cria a ilusão de que o espaço continua, para cima e para os lados, seguindo, ainda, para dentro, como se o observador vislumbrasse a cena de uma janela, dando a idéia de profundidade (...) Seguindo a herança do Renascimento, por séculos os artistas buscaram, na pintura, preencher o espaço da tela visando simular a reali-  dade de forma convincente. Para tanto,ainda que atendendo às diferentes demandas de cada movimento artístico específico, houve um esforço dos pintores pelo preenchimento metódico do espaço"
Conta-se que, quando executava a Última Ceia, o superior da abadia ficava perplexo ao vê-lo passar a maior parte do tempo parado, apenas contemplando a obra. Para o abade, Leonardo deveria trabalhar como qualquer artesão, desde cedo até o poente, incessantemente. Quando interpelado pelo Duque de Milão(A Última Ceia foi encomendada por Ludovico Sforza, duque de Milão), patrono da obra, Leonardo respondeu "que os homens de gênio às vezes produzem mais quando menos trabalham, pois esta é a hora em que elaboram invenções e formam em suas mentes as idéias perfeitas que depois expressam e reproduzem com as mãos."

Ficha Técnica:


Autor
Data
1495-1497
Técnica
Mista com predominância da têmpera
e óleo sobre duas camadas de preparação
de gesso aplicadas sobre reboco(estuque)
Dimensões
460 cm × 880 cm
Localização
Refeitório de Santa Maria delle Grazie (Milão)



 Fonte:O Cenáculo (site em inglês),Wikipédia


sábado, 18 de agosto de 2012

Almoço na Relva (1863) - Édouard Manet

Almoço na Relva , 1863, Manet. Óleo sobre tela, 214 X 270 cm. Museu do Louvre, Paris, França.


Édouard Manet (Paris, 23 de janeiro de 1832, Paris — 30 de abril de 1883, Paris) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX. Pertencia a uma família rica da burguesia parisiense. Seu realismo não tinha intensões sociais: ao contrário, chegava a ser aristocrático. Sua carreira foi marcada por alguns desafios aos críticos conservadores. O maior deles aconteceu em 1863, com a tela “Almoço na relva”(acima) que, na época causou grande escândalo por representar uma mulher nua em companhia de dois homens elegantemente vestido.

A pintura acima teve como nome original  Le Déjeneur sur l´Herbe. Foi apresentado publicamente no Salão dos Independentes, realizado em Paris em 1863, e o seu título inicial era Le Bain (O Banho).Causou certo escândalo na época por trazer uma mulher nua entre dois homens vestidos. Suzanne Leenhoff (sua mulher) e Victorine Meurent (sua modelo preferida) posaram para a composição da mulher nua, sendo o corpo de Suzanne e o rosto de Victorine.O quadro foi considerado uma "imoralidade, um atentado ao pudor".Os críticos não pouparam críticas, chegando a dizer que Manet devia aprender a desenhar.

Mas analisando o quadro  num primeiro plano (canto inferior esquerdo) vemos uma natureza morta de cores fortes definida como as roupas da mulher nua,seguida dos três personagens sentados ( a mulher nua e os dois homens vestidos); ao fundo uma mulher se banha no riacho. 

Nass primeiras pinturas, Manet,  abandonou o método tradicional de sombras suaves em favor de contrastes fortes e duros, causando um clamor de protestos entre os artistas conservadores. Em 1863, os pintores acadêmicos recusaram-se a exibir as obras de Manet na exposição oficial – o Salon. Segue-se uma onda de agitação que levou as autoridades a expor todas as obras condenadas pelo júri numa mostra especial que recebeu o nome de ‘Salon dos Recusados’. O público afluiu principalmente para rir dos pobres e desiludidos principiantes que se haviam recusado a aceitar o veredito dos seus superiores."Manet pintava diretamente ao ar livre, observando cuidadosamente os efeitos que a luz produzia sobre os objetos e sobre os espaços, transmitidos através de requintados e afirmados contrastes de claro escuro, de cores vivas e de pinceladas rápidas e espontâneas. Esta exaltação dos valores cromática e lumínica transforma o quadro numa obra pioneira e revolucionária, prenunciadora dos princípios estéticos do movimento impressionista.Esta pintura acabaria por ser exposta no Museu do Louvre, em Paris."

 Não podemos deixar de perceber que o francês Édouard Manet (1832-1883) foi um nome fundamental do período, fazendo a ponte do realismo e do naturalismo para um novo tipo de pintura que levará ao impressionismo. Ele retratava a realidade urbana sem muito da carga ideológica do realismo. Influenciou os impressionistas, assim como foi por eles influenciado.

 Veja mais sobre Manet nos videos abaixo:




Fonte: Wikipedia, Livro Literatura e Arte (Nicolla) e Infopedia

terça-feira, 17 de julho de 2012

Os camponeses comendo batatas - Van Gogh - 1855

Vincent Van Gogh - Os camponeses comendo batatas - óleo em tela (1855) - 82 cm × 114 cm     
"Os Camponeses comendo batatas (Aardappeleters em neerlandês) é um quadro do pintor Vincent van Gogh, terminado em abril de 1885.
Este quadro pertence à primeira fase da pintura do artista, desenvolvida nos Países Baixos, sob influência do realista francês Millet. Van Gogh fez releituras de Millet, e também estudou desenho, anatomia e perspectiva em Bruxelas, complementando sua formação com leituras sobre o uso e o comportamento das cores.Nessa época, desenhou e pintou muitas paisagens neerlandesas, cenas de aldeia.

 Em Nuenen, pequena cidade neerlandesa onde morava sua família, realizou cerca de 250 desenhos, principalmente sobre a vida de camponeses e tecelões. Os Comedores de Batata resume esse período. Assim como os pintores realistas, ele falou sobre a miséria e retratou a desesperança dessa gente humilde. Ele dizia que os camponeses deviam ser pintados com suas características rudes, sem embelezamento, ponto em que criticou e se diferenciou de Millet.

Van Gogh salientou os traços grosseiros das mãos e das faces dos trabalhadores da terra. Em busca de intensidade dramática, explorou a potencialidade expressiva dos tons escuros, da luminosidade barroca e do pincel nervoso. Tais características seriam transformadas radicalmente a partir de sua ida a Paris, no mesmo ano.Ele viveu lá por alguns anos. " (Fonte: Wikipédia )

Leia mais sobre Van Gogh   A  Q  U  I  e veja os videos abaixo:

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Os Construtores (1950) - Fernand Léger

Os Construtores - 1950 (óleo sobre tela)

      








Fernand Léger (1881-1955) antes de se tornar pintor era arquiteto e no ano de 1900 se mudou para Paris e lá passou a trabalhar como desenhista de arquiteturas.Mundialmente reconhecido como um dos mestres do século XX, Fernand Léger foi um dos mais destacados cubistas e o primeiro a experimentar a abstração.
 
"A enorme dimensão deste edifício foi astuciosamente representada através da técnica do corte da imagem, em cima e em baixo, de forma a parecer prolongar-se indefinidamente em ambas as direções. Acentuadas linhas verticais e horizontais demarcam os contornos das formas estruturais contra o céu azul, realizadas em intensas cores primárias, havendo aqui alguma evidência e influência do Cubismo.Os enormes trabalhadores que se assemelham a robôs, movimentando-se sobre as vigas, e as nuvens que passam, contrastam dramaticamente em forma e em cor com o esqueleto metálico do edifício em construção.(
 
Braços e pernas tubulares, como calhas ou chaminés. Rostos inexpressivos, não mais que um esquema de olhos, boca e nariz. Dos pintores do começo do século 20, Fernand Léger (1881-1955) foi provavelmente um dos que mais incorporaram em seus quadros a estética da vida industrial, a rudeza do trabalho mecânico, a textura das máquinas e dos materiais de construção. (Fonte: Blog Artemísia está viva)

 
LÉGER criou, a partir do Cubismo Sintético, uma linguagem pictórica que, segundo ele esperava, levaria a arte ao mundo do trabalho e do lazer do proletariado.
Formas vigorosas e claramente definidas, sugerindo máquinas, são apresentadas em cores enérgicas que dão uma nota de alegria e otimismo a um mundo mais habitualmente associado à fumaça e graxas. Assim, LÉGER não representa as misérias da classe trabalhadora, mas usa sua arte para celebrar o mundo do trabalho viril e vigoroso.

 Na opinião do crítico e historiador Giulio Carlo Argan, Léger "foi um admirador da pureza e simplicidade das imagens de Rousseau; foi um dos primeiros a se associar, em 1910, à pesquisa cubista; é, e se mantém por toda a vida, um homem do povo, um trabalhador que acredita cegamente na ideologia socialista, a qual ingenuamente associa ao mito do progresso industrial. Para ele, os objetos simbólico-emblemáticos da civilização moderna são as engrenagens, as tubagens, as máquinas, os operários da fábrica: sua finalidade é decorar, isto é, qualificar figurativamente o ambiente da vida com os símbolos do trabalho da mesma maneira que, antigamente, decorava-se a igreja com os símbolos da fé".


Fernand Léger explica que arquitetura se compõe de superfícies vivas e de superfícies mortas.
As superfícies mortas – parede nua – são as reservas de repouso e não se deve nelas tocar. Já as superfícies vivas – superfícies coloridas – devem ser postas à disposição da forma, do pintor e do escultor.

As cores: azul, verde, amarelo e vermelho, eram as preferidas, em tons fortes, retratavam as tensões do cenário da época.

Veja mais sobre a obra:

 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Mamoeiro (1925) - Tarsila do Amaral

O mamoeiro (1925) - Tarsila do Amaral

O mamoeiro (1925),  Tarsila retrata a paisagem brasileira com intenso colorido.

"Esta obra mostra o início da ocupação dos morros das grandes cidades. A simplificação e estilização das formas promovem certa relação com o cubismo.
Mostrando a vida simples, o dia a dia das pessoas ( roupas no varal), vizinhas que se visitam, mãe com filhos. É importante refletir sobre a mudança de hábitos das pessoas a partir da grande concentração de pessoas que hoje habitam os morros. Frutas e plantas tropicais são estilizadas geometricamente.

 Apesar de ter tido contato com as novas tendências e vanguardas, Tarsila somente aderiu às ideias modernistas ao voltar ao Brasil, em 1922. Numa confeitaria paulistana, foi apresentada por Anita Malfatti aos modernistas Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Esses novos amigos passaram a frequentar seu atelier, formando o Grupo dos Cinco. Este grupo foi o mais importante da Semana de Arte Moderna de 1922.

Em 1924, em meio à uma viagem de "redescoberta do Brasil" com os modernistas brasileiros e com o poeta franco-suíço Blaise Cendrars, Tarsila iniciou sua fase artística "Pau-Brasil", dotada de cores e temas acentuadamente tropicais e brasileiros, onde surgem os "bichos nacionais"(mencionados em poema por Carlos Drummond de Andrade), a exuberância da fauna e da flora brasileira, as máquinas, trilhos, símbolos da modernidade urbana. A Antropofagia propunha a digestão de influências estrangeiras, como no ritual canibal (em que se devora o inimigo com a crença de poder-se absorver suas qualidades), para que a arte nacional ganhasse uma feição mais brasileira.

Tarsila do Amaral foi à representante do movimento Pau-Brasil que, subdividido nas fases construtivo, exótico e metafísico, representa o cúmulo da brasilidade, traduzida não somente em seus temas humanos e nacionais, como também nas cores vivas até então rejeitadas por uma academia retrógrada e passadista.
Seus tons, de intensidade e força absurdas, são reminiscências de infância da pintora nascida em Capivari, interior de São Paulo. Desde então, Tarsila adota de forma quase que rebelde e contestadora cada colorido excessivo para, assim, melhor representar um país-aquarela."

"O Mamoeiro   pertence à Fase Pau-Brasil. Nessa fase as pinturas de Tarsila exaltavam a natureza tropical, valorizavam a brasilidade, os tipos humanos como os caboclos e os negros, e a tranqüilidade das pequenas cidades" (.Fonte:http://fotolog.terra.com.br/mev:16 )
 Nesta fase a influência da escola cubista é marcante ,mas a diferença entre Tarsila e os outros pintores da época  reside no fato de que ela representa a temática de nosso país com cores fortes - ditas caipiras - que seus professores diziam ser de mau gosto desaconselhando-a a utilizá-las m sua obra. 


Saiba mais sobre Tarsila no vídeo abaixo:


sábado, 12 de maio de 2012

Perfume de Inverno - Adelina Jacob (2011)

Perfume de Inverno - Adelina Jacob (2011)
 Adelina Jacob formada em Letras ,pós graduada em Liguíistica e Literatura Brasileira e Artista Plástica contemporânea vem despontando no cenário nacional com suas xilogravuras e aquarelas participando de bienais e exposições no Brasil,bem como na Itália e neste mês na Irlanda do Norte em exposição esta que mostra obras de artistas de todo o mundo no Waterfront Hall de Belfast ( Reino Unido ) aberta em 03/05/2012 estendendo-se até 30 de maio.

 A Xilogravura é a arte de gravar em madeira. Primeiro o artista esculpe na madeira o que deseja desenhar, depois através das etapas a seguir se conclui o trabalho. Primeiro se faz a Matriz -  taco de madeira gravado com instrumentos de corte;em seguida a Entintagem - a tinta é colocada na área que não foi encavada através de um rolo e, depois disso a Impressão- transporte da imagem para o papel através de pressão a mão ou no prelo, ele imprime no papel o desenho feito.

Sua gravura acima  é resultado de pesquisas no campo dos perfumes e flores que vem fazendo há muito tempo." “ Perfume de Inverno” é uma xilogravura com técnica apurada , sua composição primorosa juntamente com a escolha das cores, devidamente estudadas e testadas definem a delicadeza do seu trabalho. Além de mostrar uma composição madura e equilibrada."(Beto Bertagna)

A gravura é uma técnica exigente, tanto na execução quanto na criação, pois ela pede disciplina e paciência. O resultado é a própria gravura que dita.Adelina Jacob foi uma das representantes do Estado de Rondônia na  5ª Bienal Nacional de Gravura OLHO LATINO , em maio de 2011.Foram selecionadas 243 obras de 147 artistas de várias regiões do país e,entre elas a de Adelina Jacob do Estado de Rondônia.
Detalhes importantes que fazem toda diferença na Xilogravura é o fato de que a área que é escavada na madeira é aquela que não receberá tinta e a imagem será impressa de forma espelhada. É importante gravar as letras ao contrário.Após feita a gravação da imagem passa-se uma camada de tinta na qual  é necessário utilizar um rolinho de borracha.É um trabalho que exige concentração,delicadeza e talento, coisa que não falta à alma sensível de Adelina Jacob em seus trabalhos xilográficos e nas suas aquarelas. Geralmente as xilogravuras eram usadas nas capas de cordel do Nordeste embora ainda naquela época fossem apenas arabescos usados nas pequenas tipografias nordestinas.Na atualidade vários são os xilógrafos de cordel que se destacam. O pesquisador Joseph M. Luyten, no ensaio "A Xilogravura Popular Brasileira e suas Evoluções", enumera os seguintes xilógrafos: Abraão Batista (Juazeiro); Ciro Fernandes (Rio de Janeiro); José Costa Leite (Condado); Marcelo Alves Soares (São Paulo); Minelvino Francisco Silva (Itabuna); Severino Gonçalves de Oliveira (Recife) e podemos acrescentar a esses grandes nomes Adelina Jacob (Porto Velho) que vem se destacando com um trabalho de sutileza ímpar, diferente dos grandes cordelistas mas com personalidade própria.

Vea alguns trabalhos de Aquarelas de Adelina Jacob   A Q U I

domingo, 15 de abril de 2012

O Enterro do Conde de Orgaz - El Greco -1586/88

O Enterro do Conde de Orgaz (El entierro del Señor de Orgaz)
El Greco, 1588 - óleo sobre tela 480cem x 360cm

*wikipedia

"Primeiramente vamos entender quem foi o Conde de Orgaz:  Gonzalo Ruiz de Toledo era Senhor de Orgaz (e não conde, pois a vila de Orgaz não foi condado até 1522) foi um homem piedoso e benefeitor da paróquia de Santo Tomé, sendo a igreja reedificada e ampliada em 1300 .Ao falecer a 9 de dezembro de 1323 (outras fontes em 1312) deixou em seu seu testamento uma exigência que deviam cumprir os vizinhos da vila de Orgaz:
Cquote1.svg pague-se cada ano para o cura, ministros e pobres da paróquia 2 carneiros, 8 pares de galinhas, 2 odres de vinho, 2 cargas de lenha, e 800 maravedis Cquote2.svg
Passados mais de 200 anos, em 1564, o pároco da igreja de Santo Tomé, Andrés Núñez de Madrid, advertiu o descumprimento por parte dos habitantes da localidade toledana a continuarem entregando os bens estipulados no testamento do seu Senhor e reclamou frente da chancelaria de Valladolid.Ganhou o pleito, em 1569, e recebeu o retido (soma considerável pelos muitos anos não pagos) e quis perpetuar para as gerações vindouras o conde, Senhor da vila de Orgaz encomendando o epitáfio em latim que se encontra aos pés do quadro, na que além do pleito empreendido pelo pároco relata o acontecimento prodigioso que aconteceu durante o enterro do Senhor de Orgaz, dois séculos antes.


Para presidir a capela mortuária do Senhor de Orgaz, D. Andrés Núñez de Madrid, encarregou o trabalho a um pintor freguês, que naquele tempo vivia, de aluguel, a poucos metros dali, nas casas do Marquês de Villena.
A 15 de março de 1586 assinou-se o acordo entre o pároco, o seu mordomo e El Greco no que se fixava de jeito preciso a iconografia da zona inferior da tela, que seria de grandes proporções. Pontualizava-se da seguinte maneira :
"...na tela tem-se de pintar uma procissão, (e) como o cura e os outros clérigos que estavam fazendo os ofícios para enterrar a D. Gonzalo Ruiz de Toledo senhor da Vila de Orgaz, e baixaram Santo Agostinho e Santo Estevão para enterrarem o corpo deste cavaleiro, um segurando-o da cabeça e o outro dos pés, deitando-o na sepultura, e fingindo ao redor muitas pessoas que estava olhando e em cima de tudo isto tem-se de fazer um céu aberto de glória ..."
.
Portanto observando a tela acima vemos na parte inferior na tela o centro  ocupado pelo cadáver do senhor Orgaz , que vem a  ser depositado com toda veneração e respeito no seu sepulcro. Para tão solene ocasião baixaram os santos do céu : o bispo Santo Agostinho, um dos grandes pais da Igreja, e o diácono Santo Estevão (post abaixo - já interpretado), primeiro mártir de Cristo.

Na parte superior, o pintor descreve o céu, a vida feliz dos bem-aventurados. Aparece Jesus Cristo glorioso, luminoso, vestido de branco, entronizado como juiz de vivos e mortos, com misericórdia, como o amostra o seu rosto sereno e a sua mão direita que manda no apóstolo Pedro, que abra as portas do céu para a alma do conde defunto.

 Na parte inferior ( no detalhe abaixo) , encontramos a cena do enterro. O luto e a seriedade nos semblantes destaca-se acima de tudo. Todos os lábios estão selados. Contrasta o tropel com o que se situam as personagens, com a ordem da parte superior. Alguns rostos não estão completos. Podemos distinguir entre as personagens em primeira fileira e a própria de cavaleiros num posterior plano.

  Observe os personagens na cena acima:

  • A criança (canto inferior esquerdo): El Greco retratou o seu filho no´“O Enterro”, vestiu-o de traje de gala.Mas a criança parece  não seguir a cerimônia com a atenção dos adultos . Pelo que parece, o jogo da criança é reparar sobre a flor da dalmática de Santo Estevão e assinalar-no-la apontando o dedo. Do seu bolso sai um papel no que se lê “Domenico Theotocopúli 1578”.
  • Santo Estevão (canto inferior esquerdo ao lado do menino). Ajuda levar  o Senhor de Orgaz ao sepúcro - à nossa esquerda. É o primeiro mártir da Igreja. Representado por um jovem com túnica  diaconal na qual leva bordada a cena do seu próprio martírio, fazendo contraste com as pretas vestiduras dos cavaleiros. Na sua vestimenta  El Greco representa a cena do próprio martírio de Santo Estevão.
  • O Senhor de Orgaz. Gonzalo Ruiz de Toledo nasceu nesta cidade em meados do século XIII, foi senhor da vila de Orgaz, prefeito de Toledo e notório maior do rei Dom Sancho o Bravo. É representado com a sua armadura de aço brunido; figura no lugar central inferior do quadro. Vai ser depositado no sepulcro. Sua alma aparece no quadro como se fosse um suspiro introduzido no céu por um canal de nuvens. Cabe destacar-se as ricas adornos pintados sobre a armadura. Aqui El Greco prescindiu de sobriedade.
  • Santo Agostinho ( à nossa direita) : É um dos Padres da Igreja. Vestido , neste caso, com rica roupagem litúrgica de bispo bordada em ouro, tocado com mitra, também bordada. Na iconografia católica é fácil reconhecer a Santo Agostinho, como ancião, com a sua barba, o seu báculo –que nesta ocasião não leva- e a sua capa. A riqueza da sua capa permite observar que o pintor retratou –de  cima para baixo- a são Paulo, Santiago Maior e santa Catarina de Alexandria. É demonstrado que o rosto de Santo Agostinho corresponde ao do Cardeal Quiroga.
  • Cura com roquete (de veste branca): De costas não leva em conta o próprio enterro, contemplando –sem dúvida- como a alma se introduz no céu. Também não é o sacerdote que celebra o enterro. Acredita-se que fosse Pedro Ruiz Durón, ecônomo da paróquia.
  • Cura que celebra o responso (à direita com o livro na mão): Figura revestido como tal, com capa pluvial negra com dourados. Na capa observa-se um retrato de São Tomé com esquadra de carpinteiro, uma caveira negra. Sem dúvida, deve representar Dom Andrés Núñez de Madrid, o pároco de Santo Tomé que encarrega a obra a El Greco.
  • Personagem que porta a cruz processional. Parece que o rosto corresponde com o beneficiado da paróquia de Santo Tomé Rodrigo de la Fuente.
  • AGORA OBERVE A PARTE CELESTIAL - ALTO DO QUADRO

Na parte superior persiste a necessária seriedade do momento, rodeados de nublado. Corresponde à construção imaginativa de poetas e artistas. As formas características de El Greco acentuam a beleza do ultraterreno; o tom frio e ao mesmo tempo intenso e deslumbrante da cor e a iluminação sublinham a pertença a outro âmbito.
  • Anjo central: Na parte central do quadro aparece o anjo que “se faz cargo” de alma do Senhor de Orgaz (no alto - lado esquerdo), e segurando-a a introduz, entre nuvens, na presença celestial. A alma é representada como uma crisálida, com a forma de criança.
  • Jesus Cristo: No lugar com mais luz do quadro. Aparece de forma gloriosa, vestido de branco, como juiz de vivos e mortos, como ordenando a São Pedro (em amarelo com as chaves) que abra as portas do céu.
  • A Virgem: Seu gesto é como de acolher maternalmente o Senhor de Orgaz que chega ao céu.
  • Os bem-aventurados da parte direita. Olham para Jesus Cristo. Aparece o apóstolo Paulo (de cor  violeta), Santiago Maior, São Tomé – titular da igreja e com a esquadra, a verde e amarelo-. Na fila que começa S. Tomé, encerra-a Filipe II (que na ápoca não falecera ainda e ao que se quis mostrar como uma falta de ressentimento do pintor pelo monarca que o desdenhara). 
  • Grupo tênue.: Sob os bem-aventurados, há um trio de tênues figuras(canto superior direito), formado por um homem nu e duas mulheres, uma das quais é Maria Madalena, pelo seu frasco de perfume, a outra mulher poderia ser, em boa lógica, Marta. E o homem, seguindo com o tema, Lázaro. Outros falam desta personagem como o de S. Sebastião.
  • São Pedro. À esquerda, de amarelo e com as inequívocas chaves na sua mão.
  • Os personagens da parte esquerda. Somam-se à contemplação os principais personagens do Antigo Testamento : O rei David, com a sua harpa; Moisés, com as tábuas da lei e Noé, com a arca.
  • Anjo jogando à direita. Sem querer olhar para baixo.
  • Almas de crianças à esquerda
 O quadro representa as duas dimensões da existência humana : embaixo a morte, em cima o céu, a vida eterna. El Greco plasmou no quadro o horizonte da vida frente da morte, iluminado por Jesus Cristo.

No detalhe o rosto de Orgaz

 Entre o céu e a terra, o laço de união é a alma imortal do senhor de Orgaz, figurada como um feto que é levado para o céu por mãos de um anjo, através de uma espécie de vulva materna que dará à luz a vida eterna do céu. A morte aparece bem como um parto para a luz eterna na qual vivem os santos. Transe doloroso, mas cheio de esperança.


A mãe de Jesus Cristo, a Virgem Maria, acolhe maternalmente a alma do senhor que chega até o céu. Neste parto à vida eterna, Deus confiou a Maria a tarefa de mãe.Os bem-aventurados olham fascinados e adorantes para Jesus Cristo.




O conjunto do quadro convida à contemplação do mistério da morte. E até mesmo quando tem de traspassar o limiar da morte, não o faz em solitário, mas junto a ele para lhe ajudar está Jesus Cristo, redentor do homem, a sua Mãe, e todos os santos do céu. "