sábado, 16 de julho de 2011

Caipira picando fumo - Almeida Jr.

Caipira picando fumo-1893(óleo s/tela)
202 × 141 cm (79,5 × 55,5 cm)
José Ferraz de Almeida Júnior (Itu, 8 de maio de 1850 – Piracicaba, 13 de novembro de 1899) foi um pintor e desenhista brasileiro da segunda metade do século XIX. É frequentemente aclamado pela historiografia como rei de Brogodó. Regionalista, introduzindo assuntos até então inéditos na produção acadêmica brasileira: o amplo destaque conferido a personagens simples e anônimos e a fidedignidade com que retratou a cultura caipira, suprimindo a monumentalidade em voga no ensino artístico oficial em favor de um naturalismo.(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_J%C3%BAnior)

"Na tela"Caipira picando fumo" acima percebe-se um  homem passivo diante do efeito do sol que lhe desenha as expressões de homem sertanejo,da terra, o homem rural. O semblante do caipira parece transmitir a passividade necessária da relação com a natureza, uma ignorância de bom sentido em contraposição à cultura da precaução das “sociedades civilizadas”, como a ação de afastar-se de um sol intenso. O caipira permanece sentado debaixo da forte irradiação solar, sob um dos efeitos que a natureza tem sobre os homens e que muitos não suportam preferindo atacá-la. Fisicamente, também o homem se distancia pouco desse meio rude. A roupa simples está gasta como aquilo que o cerca. A camisa branca  cortada pobremente, sem botões —, em lugar de realçar a figura humana, torna mais forte a luz do sol, que age sem piedade sobre seu corpo. As palhas de milho espalhadas pelo chão têm um tom semelhante ao da camisa e ajudam em sua dispersão  a reforçar a precariedade da vestimenta. As calças, sobretudo a perna direita, têm manchas de terra. Nada se afasta definitivamente do chão. As partes descobertas do corpo do caipira também têm um tom próximo ao da terra. Crestada pelo sol, sua pele revela a aspereza da vida passada compulsoriamente junto à natureza. As mãos e, sobretudo, os pés sofreram no contato constante com o meio, e se deformaram, adquirindo um aspecto corroido e arredondado dos elementos submetidos longamente à força dos elementos."(Quiroga)

"O sol é o grande personagem deste "Caipira picando fumo". O homem que se ajeita meio a gosto na porta da casa pode até conviver bem com ele. Mas não está a sua altura. O cismar que o protege também o impede de agir e o que domina o quadro é a exterioridade majestosa da luz e do calor que parecem apenas tolerar a presença daquilo que ainda não foi reduzido a eles. Essa ênfase no meio natural põe esta obra de Almeida Júnior em contato com uma série de manifestações culturais daquele período que ajudarão a compreender melhor a extensão e o significado dessa tela e, talvez, da parte mais significativa da produção do pintor. Será necessário portanto um pequeno desvio antes de voltarmos à pintura de Almeida Júnior."(Rodrigo Naves  Professor e crítico de arte)

Esta obra ficou conhecida pela contribuição regionalista da pintura brasileira e por incentivar um rompimento (ao menos na temática) dos argumentos europeus reconhecidos pelo pintor ituano.A pintura do "Caipira picando fumo" nos dá possiblidade de percebermos a relação homem-terra . Podemos perceber também   dados realistas na obra, como a intensidade do sol que parece querer incomodar aos críticos de pele européia demais. A obra chama a atenção não só para o estudo dos costumes, mas, sobretudo para a questão natural da existência do caboclo nas terras do interior paulista.

Fonte:  Novos Estudos - CEBRAP


Saiba mais sobre Almeida Junior

COZINHA CAIPIRA - 1895
Cozinha Caipira -1895
"Em Cozinha Caipira, a luz solar que entra em cena por meio da porta entreaberta, contribui para uniformizar todos os elementos em tonalidades quentes, minimizando as distinções entre a mulher, a casa, os objetos e o chão de terra batida. Desse ponto de vista, não existem diferenças substanciais entre o que é produto da ação humana (como a casa e os instrumentos culinários) e o que é ação da natureza (o desgaste do tempo e da luz solar). Do mesmo modo, a mulher posicionada de cócoras, curvada em direção ao chão, parece sucumbir àquele ambiente árido e monocromático. Além disso, as paredes da cozinha aparecem desgastadas, com pequenos buracos por onde entra o sol. O telhado também é irregular, precário e carcomido pelo tempo. Sobre o forno e as paredes é possível identificar, ainda, manchas pretas de fuligem, impregnadas em um ambiente sem janela.
Se em Cozinha Caipira a luz solar contribui para uniformizar todos os elementos presentes na imagem, na cena da família do engenheiro (abaixo), a luz cumpre o papel inverso: de iluminar e definir de maneira clara ao espectador cada uma das personagens e objetos presentes no interior de uma casa burguesa."
Cena da Família de Adolfo Augusto Pinto- 1891
"Na tela acima, o artista acomodou a família na sala de estar, lugar considerado o mais social da casa, onde as pessoas geralmente recebem as visitas. Por meio da porta aberta no canto esquerdo da tela, todas as personagens são iluminadas pela luz de fora, que entra no ambiente da esquerda para a direita, passando por cada uma das figuras para, por último, chegar ao patriarca. A disposição espacial da família é delimitada por um tapete retangular, e todos estão distribuídos harmoniosamente no espaço desse tapete. A luz incide, primeiramente, sobre três crianças que estão mais próximas da porta, à esquerda. Mais acima, identificamos a incidência da luz externa sobre um tecido segurado pela matriarca da família que, sentada em um sofá vermelho, ensina a única filha a cozer. A mãe está situada bem em frente a uma estante que comporta vasos de flores e dois porta-retratos. Mãe e filha, como as duas únicas figuras de sexo feminino em cena, estão separadas dos demais, sentadas sobre o sofá vermelho que aparece mais ao fundo. Em seguida à imagem da mãe e da filha, a luminosidade nos revela, em posição central, um álbum de fotografias, observado pelo quarto filho que está em pé. Por último, e com menos luminosidade incidente, localizamos o patriarca sentado sobre uma cadeira levemente inclinada para trás, lendo um periódico de engenharia. Depois de passar por todas as figuras em cena, a luz termina sobre um contrabaixo e, em seguida, sobre um piano com uma partitura, encostado na parede. O único elemento que quase não está iluminado é o cão, deitado sobre um tecido escuro que cai da poltrona do engenheiro. Do ponto de vista iconográfico, essa pintura é muito rica em elementos reveladores de um modo de vida burguês, que são apresentados ao espectador por meio da luminosidade externa. Identificamos, assim, diversos objetos que simbolizam o prestígio e uma certa modernidade traduzida nos trópicos, tendo em vista o acelerado processo de urbanização enfrentado por São Paulo. Dentre eles, estão o jornal de engenharia lido pelo patriarca; um álbum de fotografias observado pelo seu filho; os porta-retratos dispostos sobre a estante; o tapete da casa, que delimita o espaço das personagens; o piso de madeira, na época considerado sofisticado; alguns quadros sobre a parede; o contrabaixo; o piano e, sobre ele, duas esculturas e uma partitura.
O pintor ituano José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899) ficou conhecido, sobretudo, por suas pinturas regionalistas, que trazem como temática o caipira. Ao mesmo tempo, compôs uma série de imagens ligadas à urbanidade, desenhando o retrato de engenheiros, donos de companhias de estradas de ferro, além do cotidiano de uma certa vida moderna por meio de figuras femininas. "  Fonte: AS REPRESENTAÇÕES DO CAIPIRA NA OBRA DE ALMEIDA JÚNIORDaniela Carolina Perutti1  Obs.: pesquisa realizada pela turma 1 do Ens.Medio - JBC

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Cabeça de Medusa - Michelangelo Merisi Caravaggio (1598)




 A cabeça de Medusa - de Caravaggio, 1597


  "Caravaggio recria a figura de Medusa, besta mitológica transformada em escoria por ofender à divinidade Atena (na mitologia grega, é considerada a deusa da sabedoria, da estratégia e da guerra justa).

É uma teia(estrutura laminar flexível), em forma de tondo (forma de disco).

Michelangelo Merisi da Caravaggio foi um importante pintor italiano do final do século XVI e início do XVII. Este artista barroco nasceu na cidade de Milão em 29 de setembro de 1571.
 
O quadro CABEÇA DE MEDUSA mostra uma cabeça de mulher com os cabelos arrepiados, sangue brotando do pescoço. Muitos críticos de arte foram duramente feridos em sua sensibilidade por esta obra, a que é considerada a mais sangrenta de Caravaggio.

"A obra é o escudo espelhado, côncavo, no qual Medusa vê a sua própria imagem; é arte direta, despida de adereços, adornos, anexos e redundâncias. A obra é o escudo espelhado que reflete Medusa observando a própria morte no exato instante da sua ocorrência. O que ela vê é o próprio olhar horrorizado ao contemplar-se a si mesma, ao ver-se petrificar. Vê, tal como nós, o seu estertor de morte;  a sua cabeça solta esguichando sangue ao golpe da espada de Perseu.(Vide lenda abaixo)

A imagem da própria cabeça é a imagem cristalizada do momento da própria morte na superfície côncava do escudo (é, à sua maneira, uma fotografia com tudo o que de morte a fotografia encerra, pois capta um momento único e irrepetível no espaço e no tempo" 

Pode-se perceber a  genialidade no  jogo psicológico deste objeto-pintura que reside num fator perturbante – a representação do reflexo de Medusa no escudo é um auto-retrato de Caravaggio travestido de Medusa. A representação que o artista nos dá a ver de si próprio é a representação máxima do horror, da definitiva e absoluta vertigem do momento da morte. Representou no espelho, no escudo côncavo de Perseu, a imagem que viu de si no espelho real imaginando-se a morrer como Medusa. Esta obra é, por isso, um duplo espelho, real e mitológico. Esta duplicidade atravessa aliás toda a obra do artista que sempre usou para as suas composições pictóricas pessoas comuns, o “homem da rua” como modelo das personagens bíblicas e mitológicas."
Veja outrras obras de Caravaggio no link http://veja.abril.com.br/multimidia/galeria-fotos/slideshow/as-obras-de-caravaggio


A LENDA SOBRE MEDUSA:

"Das três temíveis Górgonas, irmãs filhas das divindades marinhas Fórcis e Ceto, duas eram imortais, Eusteno e Euríale. A terceira, Medusa, era mortal. Outrora tinha sido belíssima e particularmente belos teriam sido os seus cabelos que tanto atraíam os olhares. O esplendor da sua figura seduziu Poseidon que a violou no templo de Minerva. A profanação do templo levou Atena a punir Medusa, transformando os seus belos cabelos num emaranhado de serpentes vivas e amaldiçoando o seu olhar com o poder da morte pela petrificação. Medusa tornou-se evocação de medo, de horror, da implacabilidade da morte.
Perseu era filho de Zeus e Danae. O Rei de Acrisius, pai de Danae, temendo a profecia que anunciava a sua morte às mãos do neto, abandonou Perseu e sua mãe no mar. Os dois vaguearam até serem finalmente recolhidos pelo Rei de Serifo, Polidectes, que acabou mais tarde por se apaixonar por Danae. Incapaz de se aproximar dela porque Perseu era irredutível na protecção à mãe, Polidectes decidiu livrar-se do filho da amada, incumbindo-o de uma impossível demanda – decapitar Medusa e trazer a sua cabeça. Escondido por detrás de um escudo espelhado e munido de outros objectos mágicos, Perseu protegeu-se do olhar terrífico e mortal ao mesmo tempo que o devolvia em reflexo a Medusa, decapitando-a no exato momento em que ela contemplou o horror da sua própria figura, o horror da sua própria morte.

Face à lenda, Medusa representa o absolutamente inacessível, dado não ser possível vê-la sem morrer. Encarar Medusa seria ver a própria morte e morrer nesse exato instante, quando o próprio corpo se fixa eternizando o seu esgar de espanto e horror em pedra, para sempre."

FONTE: http://zigimoveis.blogspot.com.br
 Estudos no Arquiodicesano

Saiba mais sobre Caravaggio: http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza/a-redencao-de-caravaggio/

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mulheres,Flores e Araras - Di Cavalcanti

Mulheres,Flores e Araras - Di Cavalcanti

Como disse RENATO ROSA "Falar da pintura de Di Cavalcanti é falar da cara e do povo brasileiro, da exuberância tropical do pais, de sua sensualidade sem folclore."

Pode-se observar no quadro acima as mulheres,as flores e a arara numa abordagem sensual  e tropical.
Di cavalcanti soube retratar a cultura do País como ninguém, destacando as festas populares como o carnaval, a paisagem e, principalmente, a figura da mulata .Seus temas favoritos foram os temas nacionais e populares, como favelas, operários, soldados, marinheiros, figuras de belas negras e festas populares. Sua arte, de forma geral,  traz essa abordagem sensual e tropical presente em várias de suas  telas.



Mulata de vestido verde
Di Cavalcanti foi, obviamente, foi um obcecado pelo corpo feminino. As cenas descritas são sempre alegres, caracterizando-se  por uma paleta de cores brilhantes e as representações da vida quotidiana de uma forma não-romantizada. .

A sua ousadia estética e perícia técnica, marcada pela definição dos volumes, pela riqueza das cores, pela luminosidade, vem somar-se a exploração de temas ligados ao seu cotidiano, que ele percebia com vitalidade e entusiasmo. A profunda inclinação aos prazeres da carne e a vida notívaga influenciaram sobremaneira sua obra: o Brasil das telas de Di Cavalcanti é carregado de lirismo, revelando símbolos de uma brasilidade personificada em mulatas que observam a vida passar, moças sensuais, foliões e pescadores. A sensualidade é imanente à obra do pintor e os prostíbulos são uma de suas marcas temáticas, assim como o carnaval e a festa, como se o cotidiano fosse um permanente deleitar-se. A originalidade de uma cultura constituída por um caldo de referências indígenas, européias e africanas, de forma contraditória e única, transparece em suas telas através de uma luminosidade ímpar.  





Baile Popular

Estilo artístico e temática

- Seu estilo artístico é marcado pela influência do expressionismo, cubismo e dos muralistas mexicanos (Diego Rivera, por exemplo).
- Abordou temas tipicamente brasileiros como, por exemplo, o samba. O cenário geográfico brasileiro também foi muitoi retratado em suas obras como, por exmeplo, as praias.
- Em suas obras são comuns os temas sociais do Brasil (festas populares, operários, as favelas, protestos sociais, etc).
- Estética que abordava a sensualidade tropical do Brasil, enfatizando os diversos tipos femininos.
- Usou as cores do Brasil em suas obras, em conjunto com toques de sentimentos e expressões marcantes dos personagens retratados.



Carnaval
Emiliano Di Cavalcanti, o pintor das mulatas, nasceu em 1897, no Rio de Janeiro. Quando seu pai morreu em 1914, Di obrigou-se a trabalhar e fez ilustrações para a Revista Fon-Fon. Em 1917, transferindo-se para São Paulo, seguiu fazendo ilustrações e começou a pintar. Entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 idealizou e organizou a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo. Fez sua primeira viagem à Europa em 1923, permanecendo em Paris até 1925




FONTE: Texto apresentado a turma após pesquisa de alunos 1º ano em sala no JBC






 Saiba mais: http://www.pitoresco.com.br/brasil/cavalcanti/cavalcanti.htm

domingo, 8 de maio de 2011

Maurits Cornelis Escher - Artista gráfico holandês

Do blog Lavra a palavra,ave palavra 
e do blog de richardja kubaszko


"Escher é conhecido como um especialista em Optical Art, Master of  Symmetry, gravador holandês, artista gráfico holandês, Ilustrator e matemático holandês. Todos estes títulos são válidos para a diversidade de estilo desse homem. Suas paixões, vícios como ele tantas vezes chamou-os, tem  foco em mosaico (trabalho ligando inter figurativa) e divisão no  plano regular.

Maurits C. Escher (1898-1972) era um artista de enigmas. Arquitetura, repetição de padrões, jogos espelhados, simetrias, metamorfoses, combinações de formas côncavas e convexas, situações impossíveis, perspectivas infinitas e gravidade são algumas das ideias que compõem o repertório do artista.Escher ficou mundialmente famoso por representar construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e as metamorfoses – padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Sua capacidade de gerar imagens com impressionantes efeitos de ilusões de óptica, com notável qualidade técnica e estética, respeitando as regras geométricas do desenho e da perspectiva, é uma de suas principais contribuições para as artes.



 Escher desestrutura as leis da perspectiva em vários de seus quadros. As escadas que descem e sobem ao mesmo tempo,  “soldadinhos” que sobem para descer e descem para subire  até uma tentativa matemática de explicar a razão de uma rainha estar olhando para o mesmo local para o qual um rei está olhando quando cada um está em uma janela diferente e oposta, quedas d’água na verdade estão caindo para cima.




Seu talento matemático e artístico baseado em seus estudos gestálticos fenomenais trouxeram a investigação quase evolucionista por assim dizer do mundo... E por que não social, com seus homens e mulheres quando não com o olhar distante dentro de castelos, em outros momentos em movimento numa linha de produção? Com seus pássaros que viram peixes e vice-versa, seus cubos que viram pássaros no seu método de ladrilhamento e ilusão de ótica. O que é realidade? O que não é? O que é impossível ou não?



Metamorfoses enigmáticas delirantes... Na exposição de sua obra, sete  são destrinchadas em um filme em 3D de poucos minutos, mas que deixam o público tonto de tanta engenhoca e inteligência articulada, metódica mas ao mesmo tempo artística, livre e experimental. Uma mistura, como era mesmo o holandês Escher!! 

 


Ladrilhamentos são outra paixão que este mestre do desenho faz como ninguém. Seu traço, inconfundível, como uma assinatura de seus trabalhos, pode ser reconhecido/identificado por seus admiradores.



Fascinado por matemática e intrigado com as limitações do olho humano, ele passou a vida a investigar como transpor para as duas dimensões da folha de papel as perspectivas imperceptíveis à visão humana. A escada que sobe e desce ao mesmo tempo, a água que cai para cima ou a sala na qual o chão parece teto são imagens bastante conhecidas do artista holandês nascido no final do século 19. 

<- O quadro "Queda D'água" ao lado consiste em traves retangulares que se sobrepõem perpendicularmente. Se seguirmos com os olhos todas as partes desta construção, não se pode descobrir um único erro. No entanto, é um todo impossível porque de repente surgem mudanças na interpretação da distância entre os nossos olhos e o objeto. No desenho aplicou-se três vezes este triângulo impossível. A água duma cascata põe em movimento a roda de um moinho e corre depois para baixo, numa calha inclinada entre duas torres, devagar, em ziguezague, até ao ponto em que a queda d'água de novo começa. O moleiro tem, de vez em quando, de deitar um balde de água para compensar a perda por evaporação. Ambas as torres são da mesma altura, mas a da direita está, contudo, um andar mais baixo do que a da esquerda.



Escher se considerava um artista gráfico. Chegou a fazer algumas esculturas e aquarelas, mas nunca pintou uma tela. A obra é marcada por um repertório de enigmas recorrentes, como as escadas, as perspectivas infinitas, os espelhamentos, a brincadeira com a gravidade e as distorções. “O que ele faz é uma tentativa de nos confundir, na posição de questionar o que vemos. Ele usa o espelhamento para mostrar o que nosso olho não consegue ver”, avisa Tjabbes (curador holandês).



Click e veja as obras de Escher em 3D:

Leia mais sobre Escher:
 

domingo, 24 de abril de 2011

As Meninas - Nina Pandolfo


Os Grafites de Nina Pandolfo são hiper coloridos, femininos e lúdicos. Alguns temas recorrentes na atmosfera sonhadora do trabalho da artista são a natureza e a infância, que Nina retrata, através de suas meninas ora crianças, ora adultas, depende da interpretação do observador. A artista começou pintando telas e aos poucos migrou para as ruas onde desde 1992 trabalha com pinturas em murais além das telas, utilizando os mais diversos materiais, como látex, resina plástica e tecido também em esculturas.

Nina Pandolfo nascida em 1977  é uma ilustradora e artista  plástica,  que gosta de trabalhar livre, leve e solta, utilizando telas, metais, madeira e quaisquer outros objetos, transformando-os em verdadeiras obras de arte.  Nina percorre   as ruas com pincéis e latas de tinta, criando os mais diversos tipos de trabalhos, sejam eles sobre temas críticos, feministas, sarcásticos, intelectuais ou sociais. Já fez diversos trabalhos internacionais. Suas meninas de olhos imensos e expressivos é  uma referência direta ao mangá e ainda podem ser vistas em vários pontos da cidade de S.;P. , inclusive no bairro do Cambuci, onde mora. Segundo a artista, as meninas de grandes olhos “pretendem exprimir os sentimentos secretos espelhados pela alma”. São expressões que traduzem a inocência do olhar infantil e, ao mesmo tempo, trazem uma faísca de provocação do olhar adulto. Brincando com o fato de que as imagens podem ter diversos significados, seu objetivo é mostrar que podemos levar a vida de maneira mais simples, com mais amor e sinceridade.


 Nina é uma das pioneiras no Brasil em levar a street art para as galerias, Nina já participou de projetos de intervenção urbana em várias cidade do Brasil e ao redor do mundo como: Alemanha, Espanha, Cuba, Suécia, Inglaterra e EUA, em projetos importantes como o “The Graffiti Project” na Escócia, ao lado dos também brasileiros Nunca e Os Gêmeos.


 







As meninas de Nina ainda estão espalhadas pela cidade de S.P . Se você estiver em São Paulo, dê uma olhada para fora. Você pode se deparar com uma delas, de sorriso inocente e olhar maroto.

Grafite é a expressão que consiste em utilizar diversas cores de modo a modificar a visão monótona das cidades grandes.

Click e :



Saiba um pouco mais sobre Nina Pandolfo

Fonte: Google.com

domingo, 27 de março de 2011

O Massacre dos Inocentes - Paul Peter Rubens




Le Massacre des Innocents, em português O Massacre dos Inocentes ou ainda O Massacre dos Santos Inocentes, é um célebre e importante óleo sobre madeira do artista barroco Peter Paul Rubens, datado de 1636-1638.

A tela em questão retrata o masacre de recém nascidos promovido por Herodes, na tentativa de eliminar o menino nascido em Belém, que diziam ser o Messias.

O terrível massacre relatado por São Mateus é uma das mais tardias obras-primas de Rubens. A ação desenrola-se entre três distintos grupos e uma mística figura central, sem grupo definido. Soldados possuídos pela fúria e pela implacável impiedade tomam um templo, cujos crentes lutam pela vida, plenos de terror e desespero. No alto personagens celestes assistem, tristes, a toda a batalha.

Merecem também destaque  a brilhante voluptuosidade da composição e virtuosismo técnico na plasticidade dos trajes das personagens, que mais volume exigem. Além de cores vibrantes, Rubens se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. Em seus quadros, é geralmente, no vestuário que se localizam as cores quentes - o vermelho, o verde e o amarelo - que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas.

Esta obra está entre as dez (10) mais caras do mundo - última avaliação: US$ 76.700.000,ºº.

Leia mais:

Biografia de Peter Paul Rubens

Peter Paul Rubens

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Solidão - Iberê Camargo

Solidão, 1994. Óleo sobre Tela. Fundação Iberê Camargo.

Em Iberê a memória se torna a atualização do passado com seu conteúdo perceptivo de
aspectos afetivos ,sentimentais ou valorativos. O pintor é Ser temporal. Realiza sua percepção
num fluir contínuo onde o passado e o futuro se tornam distensões do presente.
 Iberê Camargo (1914-1994) já disse;" As figuras que povoam minhas telas envolvem-se na tristeza crepúsculos dos dias de minha infância, guri criado na solidão da campanha do Rio Grande do Sul.” É isso que se percebe nas obras de Iberê - artista e obra se confundem -  Ao longo de sua vida, Iberê Camargo produziu mais de sete mil obras, entre pinturas, desenhos, guaches e gravuras. Além de sua ampla produção artística, diversos documentos também foram conservados pelo artista e hoje pertencem ao acervo da Fundação Iberê Camargo.

Solidão foi o último quadro produzido pelo pintor Iberê Camargo. A obra condensa muitas das buscas poéticas e existenciais do artista. Para Maria Coussirat Camargo, sua esposa, a tela personifica a própria desolação humana,pois ele já se encontrava debilitado pela doença descoberta na década de 90 e, muitas vezes teve de ajudá-lo. O azul desmaterializa os corpos em "Solidão", iguala-os ao céu ao ar .A linha do horizonte desaparece não há mais tanta concretude.O fundo invade as figuras .Os corpos se assemelham a passagensde fantasmas .

"Solidão" juntamente com outras obras emblemáticas da trajetória final de Iberê traz uma melancolia marcada pela angústia ,a  tinta é mais diluída e as cores mudam: azul, cinza e violeta, tons mais escuros. As figuras humanas que habitam as telas parecem mais caricaturas. como as séries "Tudo te é fácil e inútil" e as "Idiotas" integram a exposição "Paisagens de Dentro: As Últimas Pinturas de Iberê Camargo" expostas em Porto Alegre.A critica de arte Icleia Cattani diz que "Nas telas de Iberê dos anos 90, as paisagens parecem ser geradas de dentro do próprio pintor, de dentro dos corpos humanos presentes nas telas, como se fossem criadas à sua medida. Essa característica é notável até sua última tela, Solidão", avalia a curadora. Realmente percebe-se na obra de Iberê traços sem definição e difusos no espaço marcados pela melancolia.Um pintor abstrato sem abrir mão da textura e do grafismo e moderno, mas rigoroso como os pintores clássicos.Uma coisa fica clara - a dramatização da experiência.


Jaguari-1941/40 x 30 cm
Óleo sobre tela












Sem título-1941
22 x 17,5 cm



As obras reproduzem algumas das principais características mantidas pelo artista para compor essas "paisagens", como os tons monocromáticos, e as figuras planas e desmaterializadas.









Auto-Retrato - 1984/óleo sobre madeira
 O artista realizou incontáveis auto-retratos(ao lado). Para ele, tratava-se de uma busca de auto-conhecimento e de questionamento interior : "Como modelo me transmuto em forma. Sou, então, pintura. Ao me retratar, gravo minha imagem no vão desejo de permanecer, de fugir ao tempo que apaga os rastros. O auto-retrato é uma introspecção, um olhar sobre si mesmo. É ainda interrogação, cuja resposta é também pergunta. Essa imagem que o pintor colhe na face do espelho, ou na superfície tranqüila da água, - penso no Narciso de Caravaggio – revela como ele se vê e como olha o mundo. (...) Não tenho presente quantos auto-retratos pintei. Se retratar-se revela narcisismo, todos pintores o são. Na sucessão de minha imagem no tempo, ela se deteriora como tudo que é vivo e flui. Muitas vezes, me interroguei diante do espelho. No passar do tempo, nos transformamos em caricaturas." (p.31-32, Lagnado) 



A Idiota - 1991- óelo sobre tela
“As Idiotas” -esperavam a vida passar. Sentados em bancos de praça,com rostos de bobos,irritantes e sem graça;olhares perdidos e feiúra dos corpos.
Em 1991, o artista começa a pintar As Idiotas - seres apáticos, incapazes de reagir à realidade circundante. Esses personagens apresentam-se envoltos na atmosfera ora sombria, ora crepuscular, que mescla o presente e o passado do artista.

A idiota, obra de 1991, é a primeira de uma série de idiotas que reaparecem em obras como As Idiotas, 1991, Crepúsculo da Boca do Monte, de 1991, ou na série Tudo te é Falso e Inútil, de 1992.


Iberê habita o mundo ,oferece à percepção uma função ontológica ,um vínculo singular com a produção e deflagração de sentido .Há um corpo e um tempo próprio do olhar de Iberê que se supera através de entrelaçamento entre visível invisível ,entre o acontecimento da verdade e seus desvelamentos . As coisas transpassam pelo corpo do pintor.É o corpo sensível que sente e se sente que sabe se sentir sentindo. Obra "A Idiota" , óleo s/ tela, 155 X 200 cm, 1991 “ É difícil revelar o significado das coisas. O Homem olha a sua face, interroga-se e não sabe quem é.”

A série  “As Idiotas”, uma das partes mais conhecidas da obra de Iberê, refletem sua visão sobre a natureza humana alienada e a tirania do tempo. “ A situação do homem no mundo foi sua preocupação constante e ficou manifestada por diversas vias nas suas pinturas, gravuras e desenhos”do início da década de 1990,e representam a fase final da obra de Iberê, que morreu de câncer aos 79 anos. “Iberê apresenta obras narrativas que descrevem uma ação ou situação envolvendo figuras tristes, com atitude de solidão e abandono, como se anunciassem o destino humano da morte” O próprio Iberê sintetizou: “O drama, trago-o na alma. A minha pintura, sombria, dramática, suja, corresponde à verdade mais profunda que habita no íntimo de uma burguesia que cobre a miséria do dia-a-dia com o colorido das orgias e da alienação do povo. Não faço mortalha colorida.”

Click e veja mais obras de Iberê:



Mais informações:
1990 - Fundação Iberê Camargo

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O PORTO - Tarsila do Amaral


O Porto - Tarsila do Amaral
Tarsila do Amaral,como em outras obras já comentadas neste blog,traz obras nitidamente cubistas, mas impregnadas de uma brasilidade que se manifesta sobretudo nas cores, que Carlos Drummond tão bem definiu: “O amarelo vivo, o rosa violáceo, o azul pureza, o verde cantante”. 
"O Porto" de 1953 após ter passado pela fase do Pau-Brasil,Antropofágico e Social;Tarsila retoma os anos 50 e  volta ao tema “pau brasil”. Participa em 1951 da I Bienal de São Paulo. Em 1963 tem sala especial na VII Bienal de São Paulo e no ano seguinte participação especial na XXXII Bienal de Veneza. Faleceu em São Paulo no dia 17 de janeiro de 1973.  "O PORTO" é um bom exemplo da retomada do Cubismo, pois entre as caracteríticas principais de Tarsila está o uso  de cores vivas, a influência do cubismo (uso de formas geométricas) e a abordagem de temas sociais, cotidianos e paisagens do Brasil.

Nesta  tela, de composição geometrizada ao máximo mas sem detrimento das figuras, com planos bem definidos e linhas simplificadas; a artista põe a mostra o que aprendera em seu 'serviço militar do cubismo' nos ateliês de Lhote, Gleizes e Léger, artistas que haviam se afastado do austero e cerebral cubismo de Picasso e Braque. 
Traço constante de sua obra, a presença da busca de uma cor verdadeiramente brasileira ou caipira : rosa e azul claros, ou o verde e amarelo do nosso colorido tropical, a cor é um dos elementos mais valorizados em sua composição.




domingo, 2 de janeiro de 2011

Cláudio Tomassini


Claudio Tomassini  é um artista da Argentina. Nascido em dia 24 outubro de 1969 na cidade de Bahia Blanca. Tem título de Professor de Desenho e Pintura Arte do Conservatório Dalma Delhi.É
Professor do Instituto de Expressão artística Bahía Blanca.O quadro ao lado pertence a uma série exposta na "Muestra El Beso" na casa de Cultura B.Blanca.Parte das ideias para o plano concreto.







Percebe-se que Tomassini não pinta apenas por vocação e possibilidades técnicas que dão os anos de estudo. A simbiose autor cor-expressão que se manifesta em suas pinturas como a série Paisagem Interior sugere uma harmonia cromática com o núcleo dos artistas, suas emoções, experiências e pontos de vista.

Suas pinturas não estão ligadas a um estilo único. Sempre há algo novo a dizer, para contar, novas técnicas de explorar está presente em suas pinturas.
Mas de todas as séries vista Kiss chama a atenção, ele abandonou a "cor", uma das técnicas mais importantes expressiva de sua obra, para apresentar um esboço onde o foco de atenção da boca como uma parte vital do homem é o objeto, a imagem que nos faz cúmplices de uma reflexão, a boca que ama, prêmios, demandas, perguntas e respostas, que parte de nosso corpo que pode deixar-nos e fazer-nos sentir inseguros, que chama e grita, comunica e dilacera.




É nesta série a qual pertence os quadros ao lado  que se observa a maturidade de sua arte. Não precisa dos esquemas de cores azul, vermelho, verde ou outra, para declarar suas intenções, você só tem o fundo branco, preto layout do projeto e o sujeito não é um, como sempre: paisagens, rostos, ainda vida em flor, ou o corpo. Essa habilidade é o resultado de um trabalho paciente e um talento criativo que joga e incentiva andar para a frente em um caminho onde o autor tira da sua experiência de vida que utiliza energia de maneira sábia criando para si e para outros algo verdadeiramente belo.









Fonte: imagens das telas - http://claudiotomassini.blogspot.com/

sábado, 11 de dezembro de 2010

Andy Warhol

Andrew Warhola( 1928-1987), mais conhecido como Andy Warhol, foi um importante artista plástico e cineasta norte-americano.  É um dos maiores representantes da pop art, além de ter ganhado grande destaque no cinema de vanguarda e na literatura.Um grande ícone das artes plásticas americanas.


Andy tem uma pintura agressiva,contundente;trabalha o objeto e o transforma em obra de arte.


Tem um estilo próprio onde faz uso de conceitos de publicidade em suas obras com o uso de tintas acrílicas, o que reforça nas cores fortes e brilhantes;geralmente traz um enfoque nos objetos de consumo e temas do cotidiano;também trabalhou na produção de rostos em série de personalidades da época (Marilyn Monroe, Che Guevara, Elvis Presley, entre outros) fazendo uso da técnica da serigrafia.
Os artistas deste movimento buscaram inspiração na cultura de massas para criar suas obras de arte, aproximando-se e, ao mesmo tempo, criticando de forma irônica a vida cotidiana materialista e consumista. Latas de refrigerante, embalagens de alimentos, histórias em quadrinhos, bandeiras, panfletos de propagandas e outros objetos serviram de base para a criação artística deste período. Os artistas trabalhavam com cores vivas e modificavam o formato destes objetos. A técnica de repetir várias vezes um mesmo objeto, com cores diferentes e a colagem foram muito utilizadas.





 
garrafas de coca-cola
Muitos críticos desprezavam Warhol, assim como, desprezavam Duchamp, Jeff Koons e os demais artistas da arte contemporânea (conceptual).Segundo o escritor Gore Vidal, Andy Warhol era "Gênio com o QI de um imbecil".

Muitas das obras assinadas por Andy Warhol, não foram feitas por ele mas sim por sua equipe sob sua supervisão; uma arte mecanizada, instituída como negócio.
mikey-mouse



Luciano Trigo, em um de seus artigos, colocou: "De fato, estritamente falando, o talento artístico de Duchamp e Warhol era bastante limitado, se comparado, por exemplo, ao de Picasso, Matisse, etc. Mas a importância histórica inegável de Duchamp e Warhol está justamente aí: ambos transformaram o significado da arte, subvertendo os seus valores (como autoria, originalidade, técnica, autenticidade, vocação) e abrindo caminho para práticas ainda hoje dominantes no cenário artístico. A cada geração, a sua influência aumenta - e modifica, para o bem e para o mal, o status símbolico da arte no mundo e a vida das pessoas."



Podemos dizer que de fato, a sua conhecida frase: In the future everyone will be famous for fifteen minutes (No futuro todos serão famosos durante quinze minutos), só se aplicará no futuro, quando a produção cultural for totalmente massificada e em que a arte será distribuída por meios de produção de massa e chegar ao povo,pois em pleno século XXI percebe-se a indiferença e a falta de conhecimento e valorização da arte seja ela local ou não.