domingo, 27 de março de 2011

O Massacre dos Inocentes - Paul Peter Rubens




Le Massacre des Innocents, em português O Massacre dos Inocentes ou ainda O Massacre dos Santos Inocentes, é um célebre e importante óleo sobre madeira do artista barroco Peter Paul Rubens, datado de 1636-1638.

A tela em questão retrata o masacre de recém nascidos promovido por Herodes, na tentativa de eliminar o menino nascido em Belém, que diziam ser o Messias.

O terrível massacre relatado por São Mateus é uma das mais tardias obras-primas de Rubens. A ação desenrola-se entre três distintos grupos e uma mística figura central, sem grupo definido. Soldados possuídos pela fúria e pela implacável impiedade tomam um templo, cujos crentes lutam pela vida, plenos de terror e desespero. No alto personagens celestes assistem, tristes, a toda a batalha.

Merecem também destaque  a brilhante voluptuosidade da composição e virtuosismo técnico na plasticidade dos trajes das personagens, que mais volume exigem. Além de cores vibrantes, Rubens se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. Em seus quadros, é geralmente, no vestuário que se localizam as cores quentes - o vermelho, o verde e o amarelo - que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas.

Esta obra está entre as dez (10) mais caras do mundo - última avaliação: US$ 76.700.000,ºº.

Leia mais:

Biografia de Peter Paul Rubens

Peter Paul Rubens

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Solidão - Iberê Camargo

Solidão, 1994. Óleo sobre Tela. Fundação Iberê Camargo.

Em Iberê a memória se torna a atualização do passado com seu conteúdo perceptivo de
aspectos afetivos ,sentimentais ou valorativos. O pintor é Ser temporal. Realiza sua percepção
num fluir contínuo onde o passado e o futuro se tornam distensões do presente.
 Iberê Camargo (1914-1994) já disse;" As figuras que povoam minhas telas envolvem-se na tristeza crepúsculos dos dias de minha infância, guri criado na solidão da campanha do Rio Grande do Sul.” É isso que se percebe nas obras de Iberê - artista e obra se confundem -  Ao longo de sua vida, Iberê Camargo produziu mais de sete mil obras, entre pinturas, desenhos, guaches e gravuras. Além de sua ampla produção artística, diversos documentos também foram conservados pelo artista e hoje pertencem ao acervo da Fundação Iberê Camargo.

Solidão foi o último quadro produzido pelo pintor Iberê Camargo. A obra condensa muitas das buscas poéticas e existenciais do artista. Para Maria Coussirat Camargo, sua esposa, a tela personifica a própria desolação humana,pois ele já se encontrava debilitado pela doença descoberta na década de 90 e, muitas vezes teve de ajudá-lo. O azul desmaterializa os corpos em "Solidão", iguala-os ao céu ao ar .A linha do horizonte desaparece não há mais tanta concretude.O fundo invade as figuras .Os corpos se assemelham a passagensde fantasmas .

"Solidão" juntamente com outras obras emblemáticas da trajetória final de Iberê traz uma melancolia marcada pela angústia ,a  tinta é mais diluída e as cores mudam: azul, cinza e violeta, tons mais escuros. As figuras humanas que habitam as telas parecem mais caricaturas. como as séries "Tudo te é fácil e inútil" e as "Idiotas" integram a exposição "Paisagens de Dentro: As Últimas Pinturas de Iberê Camargo" expostas em Porto Alegre.A critica de arte Icleia Cattani diz que "Nas telas de Iberê dos anos 90, as paisagens parecem ser geradas de dentro do próprio pintor, de dentro dos corpos humanos presentes nas telas, como se fossem criadas à sua medida. Essa característica é notável até sua última tela, Solidão", avalia a curadora. Realmente percebe-se na obra de Iberê traços sem definição e difusos no espaço marcados pela melancolia.Um pintor abstrato sem abrir mão da textura e do grafismo e moderno, mas rigoroso como os pintores clássicos.Uma coisa fica clara - a dramatização da experiência.


Jaguari-1941/40 x 30 cm
Óleo sobre tela












Sem título-1941
22 x 17,5 cm



As obras reproduzem algumas das principais características mantidas pelo artista para compor essas "paisagens", como os tons monocromáticos, e as figuras planas e desmaterializadas.









Auto-Retrato - 1984/óleo sobre madeira
 O artista realizou incontáveis auto-retratos(ao lado). Para ele, tratava-se de uma busca de auto-conhecimento e de questionamento interior : "Como modelo me transmuto em forma. Sou, então, pintura. Ao me retratar, gravo minha imagem no vão desejo de permanecer, de fugir ao tempo que apaga os rastros. O auto-retrato é uma introspecção, um olhar sobre si mesmo. É ainda interrogação, cuja resposta é também pergunta. Essa imagem que o pintor colhe na face do espelho, ou na superfície tranqüila da água, - penso no Narciso de Caravaggio – revela como ele se vê e como olha o mundo. (...) Não tenho presente quantos auto-retratos pintei. Se retratar-se revela narcisismo, todos pintores o são. Na sucessão de minha imagem no tempo, ela se deteriora como tudo que é vivo e flui. Muitas vezes, me interroguei diante do espelho. No passar do tempo, nos transformamos em caricaturas." (p.31-32, Lagnado) 



A Idiota - 1991- óelo sobre tela
“As Idiotas” -esperavam a vida passar. Sentados em bancos de praça,com rostos de bobos,irritantes e sem graça;olhares perdidos e feiúra dos corpos.
Em 1991, o artista começa a pintar As Idiotas - seres apáticos, incapazes de reagir à realidade circundante. Esses personagens apresentam-se envoltos na atmosfera ora sombria, ora crepuscular, que mescla o presente e o passado do artista.

A idiota, obra de 1991, é a primeira de uma série de idiotas que reaparecem em obras como As Idiotas, 1991, Crepúsculo da Boca do Monte, de 1991, ou na série Tudo te é Falso e Inútil, de 1992.


Iberê habita o mundo ,oferece à percepção uma função ontológica ,um vínculo singular com a produção e deflagração de sentido .Há um corpo e um tempo próprio do olhar de Iberê que se supera através de entrelaçamento entre visível invisível ,entre o acontecimento da verdade e seus desvelamentos . As coisas transpassam pelo corpo do pintor.É o corpo sensível que sente e se sente que sabe se sentir sentindo. Obra "A Idiota" , óleo s/ tela, 155 X 200 cm, 1991 “ É difícil revelar o significado das coisas. O Homem olha a sua face, interroga-se e não sabe quem é.”

A série  “As Idiotas”, uma das partes mais conhecidas da obra de Iberê, refletem sua visão sobre a natureza humana alienada e a tirania do tempo. “ A situação do homem no mundo foi sua preocupação constante e ficou manifestada por diversas vias nas suas pinturas, gravuras e desenhos”do início da década de 1990,e representam a fase final da obra de Iberê, que morreu de câncer aos 79 anos. “Iberê apresenta obras narrativas que descrevem uma ação ou situação envolvendo figuras tristes, com atitude de solidão e abandono, como se anunciassem o destino humano da morte” O próprio Iberê sintetizou: “O drama, trago-o na alma. A minha pintura, sombria, dramática, suja, corresponde à verdade mais profunda que habita no íntimo de uma burguesia que cobre a miséria do dia-a-dia com o colorido das orgias e da alienação do povo. Não faço mortalha colorida.”

Click e veja mais obras de Iberê:



Mais informações:
1990 - Fundação Iberê Camargo

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O PORTO - Tarsila do Amaral


O Porto - Tarsila do Amaral
Tarsila do Amaral,como em outras obras já comentadas neste blog,traz obras nitidamente cubistas, mas impregnadas de uma brasilidade que se manifesta sobretudo nas cores, que Carlos Drummond tão bem definiu: “O amarelo vivo, o rosa violáceo, o azul pureza, o verde cantante”. 
"O Porto" de 1953 após ter passado pela fase do Pau-Brasil,Antropofágico e Social;Tarsila retoma os anos 50 e  volta ao tema “pau brasil”. Participa em 1951 da I Bienal de São Paulo. Em 1963 tem sala especial na VII Bienal de São Paulo e no ano seguinte participação especial na XXXII Bienal de Veneza. Faleceu em São Paulo no dia 17 de janeiro de 1973.  "O PORTO" é um bom exemplo da retomada do Cubismo, pois entre as caracteríticas principais de Tarsila está o uso  de cores vivas, a influência do cubismo (uso de formas geométricas) e a abordagem de temas sociais, cotidianos e paisagens do Brasil.

Nesta  tela, de composição geometrizada ao máximo mas sem detrimento das figuras, com planos bem definidos e linhas simplificadas; a artista põe a mostra o que aprendera em seu 'serviço militar do cubismo' nos ateliês de Lhote, Gleizes e Léger, artistas que haviam se afastado do austero e cerebral cubismo de Picasso e Braque. 
Traço constante de sua obra, a presença da busca de uma cor verdadeiramente brasileira ou caipira : rosa e azul claros, ou o verde e amarelo do nosso colorido tropical, a cor é um dos elementos mais valorizados em sua composição.




domingo, 2 de janeiro de 2011

Cláudio Tomassini


Claudio Tomassini  é um artista da Argentina. Nascido em dia 24 outubro de 1969 na cidade de Bahia Blanca. Tem título de Professor de Desenho e Pintura Arte do Conservatório Dalma Delhi.É
Professor do Instituto de Expressão artística Bahía Blanca.O quadro ao lado pertence a uma série exposta na "Muestra El Beso" na casa de Cultura B.Blanca.Parte das ideias para o plano concreto.







Percebe-se que Tomassini não pinta apenas por vocação e possibilidades técnicas que dão os anos de estudo. A simbiose autor cor-expressão que se manifesta em suas pinturas como a série Paisagem Interior sugere uma harmonia cromática com o núcleo dos artistas, suas emoções, experiências e pontos de vista.

Suas pinturas não estão ligadas a um estilo único. Sempre há algo novo a dizer, para contar, novas técnicas de explorar está presente em suas pinturas.
Mas de todas as séries vista Kiss chama a atenção, ele abandonou a "cor", uma das técnicas mais importantes expressiva de sua obra, para apresentar um esboço onde o foco de atenção da boca como uma parte vital do homem é o objeto, a imagem que nos faz cúmplices de uma reflexão, a boca que ama, prêmios, demandas, perguntas e respostas, que parte de nosso corpo que pode deixar-nos e fazer-nos sentir inseguros, que chama e grita, comunica e dilacera.




É nesta série a qual pertence os quadros ao lado  que se observa a maturidade de sua arte. Não precisa dos esquemas de cores azul, vermelho, verde ou outra, para declarar suas intenções, você só tem o fundo branco, preto layout do projeto e o sujeito não é um, como sempre: paisagens, rostos, ainda vida em flor, ou o corpo. Essa habilidade é o resultado de um trabalho paciente e um talento criativo que joga e incentiva andar para a frente em um caminho onde o autor tira da sua experiência de vida que utiliza energia de maneira sábia criando para si e para outros algo verdadeiramente belo.









Fonte: imagens das telas - http://claudiotomassini.blogspot.com/

sábado, 11 de dezembro de 2010

Andy Warhol

Andrew Warhola( 1928-1987), mais conhecido como Andy Warhol, foi um importante artista plástico e cineasta norte-americano.  É um dos maiores representantes da pop art, além de ter ganhado grande destaque no cinema de vanguarda e na literatura.Um grande ícone das artes plásticas americanas.


Andy tem uma pintura agressiva,contundente;trabalha o objeto e o transforma em obra de arte.


Tem um estilo próprio onde faz uso de conceitos de publicidade em suas obras com o uso de tintas acrílicas, o que reforça nas cores fortes e brilhantes;geralmente traz um enfoque nos objetos de consumo e temas do cotidiano;também trabalhou na produção de rostos em série de personalidades da época (Marilyn Monroe, Che Guevara, Elvis Presley, entre outros) fazendo uso da técnica da serigrafia.
Os artistas deste movimento buscaram inspiração na cultura de massas para criar suas obras de arte, aproximando-se e, ao mesmo tempo, criticando de forma irônica a vida cotidiana materialista e consumista. Latas de refrigerante, embalagens de alimentos, histórias em quadrinhos, bandeiras, panfletos de propagandas e outros objetos serviram de base para a criação artística deste período. Os artistas trabalhavam com cores vivas e modificavam o formato destes objetos. A técnica de repetir várias vezes um mesmo objeto, com cores diferentes e a colagem foram muito utilizadas.





 
garrafas de coca-cola
Muitos críticos desprezavam Warhol, assim como, desprezavam Duchamp, Jeff Koons e os demais artistas da arte contemporânea (conceptual).Segundo o escritor Gore Vidal, Andy Warhol era "Gênio com o QI de um imbecil".

Muitas das obras assinadas por Andy Warhol, não foram feitas por ele mas sim por sua equipe sob sua supervisão; uma arte mecanizada, instituída como negócio.
mikey-mouse



Luciano Trigo, em um de seus artigos, colocou: "De fato, estritamente falando, o talento artístico de Duchamp e Warhol era bastante limitado, se comparado, por exemplo, ao de Picasso, Matisse, etc. Mas a importância histórica inegável de Duchamp e Warhol está justamente aí: ambos transformaram o significado da arte, subvertendo os seus valores (como autoria, originalidade, técnica, autenticidade, vocação) e abrindo caminho para práticas ainda hoje dominantes no cenário artístico. A cada geração, a sua influência aumenta - e modifica, para o bem e para o mal, o status símbolico da arte no mundo e a vida das pessoas."



Podemos dizer que de fato, a sua conhecida frase: In the future everyone will be famous for fifteen minutes (No futuro todos serão famosos durante quinze minutos), só se aplicará no futuro, quando a produção cultural for totalmente massificada e em que a arte será distribuída por meios de produção de massa e chegar ao povo,pois em pleno século XXI percebe-se a indiferença e a falta de conhecimento e valorização da arte seja ela local ou não.

sábado, 20 de novembro de 2010

Puxada de Rede - Antonio Gomide


Antonio Gomide
Puxada de Rede
72 x 100 cm Óleo sobre telaAss. Inf. Dir. déc. 1950

A inspiração cubista do trabalho inicial de Gomide se opõe às fases posteriores , caracterizadas por uma abordagem mais espontânea e por um repertório mais diversificado (porém dominado pela figura humana). Atraído de início pelas soluções formalistas , mais tarde tende a dar vazão à sua mentalidade profundamente popular. Se se pode registrar uma certa dispersão nos objetivos de Gomide, do ponto de vista estilístico e psicológico, sua obra é investida de um clima muito pessoal, e que trouxe uma contribuição vital à arte brasileira da primeira metade do século XX.


A Puxada de Rede representa não só a relação que o pescador tem com o mar, onde ele praticamente vive toda a sua vida, mas com a sua família e com a sua religiosidade, em especial com Iemanjá que no sicretismo é a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes. Na cadência do atabaque, cantigas contando histórias de pescadores, pedindo por uma boa pesca, uma viagem tranquila e por uma volta segura, são cantadas enquanto a rede de arrasto é trazida de volta a praia.


Os Retirantes - Cândido Portinari

Os Retirantes - Cândido Portinari




Cândido Portinari conseguiu retratar em suas obras o dia a dia do brasileiro comum, procurando denunciar os problemas sociais do nosso país. No quadro Os Retirantes, produzido em 1944, Portinari expõe o sofrimento dos migrantes, representados por pessoas magérrimas e com expressões que transmitem sentimentos de fome e miséria.

Os retirantes fugiram dos problemas provocados pela seca, pela desnutrição e pelos altos índices de mortalidade infantil no Nordeste.Contribuíram para essa migração a desigualdade social, no Nordeste.

" Na tela percebemos  nove personagens de forma cadavérica, sendo  dois homens adultos e duas mulheres adultas. Percebemos também que na composição encontram-se cinco crianças, sendo que em apenas uma delas pode ser identificado o sexo, que neste caso está exposto, deixando a genitália da criança exposta(lado direito da tela).  Há uma criança totalmente nua, e o personagem imediatamente atrás desta mulher também encontra-se com seu dorso nú. É um velho, aparentemente o personagem mais idoso na composição. Possui cabelos despenteados e barba, ambos já estão brancos, e segura um cajado. Seu olhar se faz distante.

A mulher que segura a criança, a sustenta pelo lado, apoiando-a seu quadril. Seu olhar distante, também transmite tristeza e solidão, que é marcada pela fragilidade de sua fisionomia. Há  um pequeno raio de cor presente na veste desta mulher, que usa uma saia com o tom rosa/avermelhado. Esta mulher,  frágil em sua condição social, possui um certo vigor físico, maior que seu suposto marido.

Na outra família (centro) percebemos uma mulher mais jovem, com cabelos longos e negros, e olhar  triste, cansado e sua face retrata seu sofrimento. Esta mulher está segurando com seu braço esquerdo uma trouxa branca na cabeça  que certamente contém roupas. No braço direito  uma criança recém nascida.
Ao seu lado está seu marido, com um chapéu na cabeça, segurando a mão de uma criança que também está usando um chapéu. Com a outra mão o pai das crianças esta segurando um pequeno pedaço de pau, com uma trouxa de roupas na sua ponta, que está apoiada sob seu ombro esquerdo. E ao lado do pai se
encontram duas crianças, sendo a da frente do sexo masculino, pois está seminua
e sua genitália está à mostra. Esta mesma criança apresenta um abdome bastante avantajado, o que pode ter sido proposital pelo artista ao querer mostrar que no período da produção da obra o país enfrentava sérios problemas com as questões de saneamento básico e tratamento da água, o que fazia com que
grande parte da população fosse atingida pela esquistossomose.

No céu há uma grande quantidade de pássaros pretos que foram retratados num céu bastante azul, certamente os pássaros pretos aparecem com a  finalidade de retratação da morte, lembrada pela presença dos urubus, a qual mantém uma intima relação com esta ave que sorrateiramente aguarda a hora de se aproveitar daqueles que não resistem mais e morrem.

De certa forma há  também uma alusão alegórica  à morte no encontro de uma destas aves com o cajado do personagem mais velho da composição, formando a conhecida ´foice` que representa a presença desta que ceifa a vida.


 Na  linha do horizonte percebemos uma luminosidade presente, diferenciando-se de toda a cena que é predominantemente escura. E ainda no lado superior direito percebemos a lua retratada num tom de cinza escuro, o que a faz quase se confundir com o céu.

 No canto inferior esquerdo, percebem-se algumas montanhas bastante distantes, e quatro “montinhos” de terra. Sob o chão que os personagens estão, podemos perceber que existe uma grande quantidade de pedras e também uma parte de um osso de animal, este osso, pela sua constituição e forma, percebemos que é uma parte de fêmur, osso da perna que sustenta o corpo, está retratado numa cor bastante clara, quase num tom de branco.

Temos um embate entre o sagrado e o profano, o sagrado da família e a morte que se mostra para profanar ainda mais este cenário de sofrimentos. Percebemos claramente o ciclo da vida que se inicia com uma criança nesta cena, e finda na figura cadavérica do personagem mais idoso da composição."

FONTE: Da monografia de : MANUEL ALVES DA ROCHA NETO)




Segundo MANUEL ALVES DA ROCHA NETO em sua monografia "Possibilidades de Leitura na obra Retirantes de Cândido Portinari"  "A acentuada força dramática da Série Retirantes nasceu das visões de Portinari ainda menino. Desde pequeno, assistia da janela de sua casa ao vaivém das sofridas famílias que fugiam da seca do Nordeste à procura de trabalho.Eram famílias inteiras em estado de grande pobreza, imagens que marcaram a vida do menino e do pintor. Sensível, denunciou, através do pincel a degradação de uma parcela significativa de homens e mulheres, brasileiros trabalhadores e sofredores. Através de sua obra, o artista consegue com uma abrangente visão crítica, fazer um documento visual da nossa realidade. Embora não se restrinja à questão critica da realidade brasileira, isso já seria o bastante para estar situado entre os
artistas de destaque de nosso país.Os Retirantes (1944) de Portinari assumiram uma feição acentuadamente social na carreira do mestre brasileiro. Não apenas em virtude da Grande Guerra iniciada em 1939, como em face do apelo aos recursos de expressão que caracterizariam em seguida a parte mais notável de sua obra, que nos últimos anos da vida, já não eram apenas quadros sociais, tornando-se soluções de problemas formais."
CLICK E VEJA AQUI VIDEO COM OUTRAS OBRAS DE PORTINARI

A Fonte - Marcel Duchamp

A FONTE - Marcel Duchamp


Marcel Duchamp, foi um dos artistas inseridos no movimento dadá. Duchamp tentou expor em uma galeria um mictório, o qual ele simplesmente virou e intitulou-o “fonte”. Entretanto, sua “obra de arte” foi tratada como um simples mictório, deixado de lado para ser colocado em um banheiro masculino. Mesmo a obra não tendo sido exposta, a mensagem foi passada, pois o caso foi mostrado à todos e acabou fazendo com que as pessoas repensassem alguns conceitos. Afinal, porque um mictório não poderia ser arte? Por que uma pessoa que teve essa visão de virar um mictório e chamá-lo de fonte não pode ser tratado como artista?


A transformação de um urinol em uma obra de arte representa a alteração do sentido de um objeto do cotidiano e  crítica às convenções artísticas até então vigentes.
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A Fonte é um urinol de porcelana branco, considerado uma das obras mais representativas do dadaísmo na França, criada em 1917, sendo uma das mais notórias obras do artista Marcel Duchamp.
O objeto foi vandalizado em 6 de Janeiro de 2006, no Centro Pompidou, em Paris, por um francês de 77 anos que a atacou com um martelo. O vândalo foi detido logo em seguida e alegou que o ataque com o martelo era uma performance artística e que o próprio Marcel Duchamp teria apreciado tal atitude. A obra sofreu apenas escoriações leves.
Em janeiro de 2006, estimava-se que a obra valeria cerca de 3 milhões de euros

Duchamp foi o responsável pelo conceito de ready made, que é o transporte de um elemento da vida cotidiana, a priori não reconhecido como artístico, para o campo das artes. A princípio como uma brincadeira entre seus amigos, entre os quais Francis Picabia e Henri-Pierre Roché, Duchamp passou a incorporar material de uso comum nas suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte.

A Fonte, obra que fez repercutir o nome de Duchamp ao redor do mundo - especialmente depois de sua morte -, está baseada nesse conceito de ready made: pensada inicialmente por Duchamp (que, para esconder o seu nome, enviou-a com a assinatura "R. Mutt", que se lê ao lado da peça) para figurar entre as obras a serem julgadas para um concurso de arte promovido nos Estados Unidos, a escultura foi rejeitada pelo júri, uma vez que, na avaliação deste, não havia nela nenhum sinal de labor artístico. Com efeito, trata-se de um urinol comum, branco e esmaltado, comprado numa loja de construção e assim mesmo enviado ao júri, entretanto, a despeito do gesto iconoclasta de Duchamp, há quem veja nas formas do urinol uma semelhança com as formas femininas, de modo que se pode ensaiar uma explicação psicanalítica, quando se tem em mente o membro masculino lançando urina sobre a forma feminina.

domingo, 7 de novembro de 2010

OLHOS DA MATA - GERALDO CRUZ

Obras do artista tem como foco a natureza, e já passaram em várias regiões brasileiras

OLHOS DA MATA é uma coleção de obra do artista Geraldo Cruz, inspirada no olhar perplexo dos habitantes da floresta que observam impotentes as ações insensatas do homem dito civilizado que destroem a natureza, o meio ambiente e a própria vida. A cor forte,a expressão no olhar são marcas profundas nessa coleção. 


"Olhos da Mata" é uma coleção só sobre olhos mesmo, é um close no olhar da arara, do tucano, do papagaio, da coruja, do jacaré, do índio, do seringueiro. Um olhar, sobre o olhar dos habitantes da floresta, sobre elas, olhos de habitantes da floresta em close, como que observar atônitos a insensatez humana ao destruir a Amazônia. A técnica utilizada por Geraldo Cruz para esta coleção foi concebida por telas esticadas como couros de animais ao sol.




Geraldo Cruz
Pintor, escultor, desenhista e cenógrafo, Geraldo Silva da Cruz nasceu em 1957 no seringal Jumas, às margens do Rio Madeira, no coração da floresta, no distrito de Calama, pertencente a Porto Velho. Iniciou a exposição de seus trabalhos a partir de 1980 no II Exposição Coletiva de Artes Plásticas promovida pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Turismo (Secet), em Porto Velho.





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LES AMANTS – RENÉ MAGRITTE

Magritte, Os amantes
De onde vinha o fascínio de Magritte por rostos cobertos?
No uso dessas mortalhas Magritte em Les Amants tem sido interpretada de muitas maneiras diferentes:
Uma interpretação é que as saias são símbolos para o adágio de que "o amor é cego". O devotado amante verdadeiramente reconheceria sua alma gêmea, sob qualquer forma. Portanto, em amantes características faciais são o seu atributo menos importante. O verdadeiro amor preenche o vazio da mortalha. 


Outra interpretação é que Magritte era fascinado por fantamas, o anti-herói do romance francês e séries de cinema. FantAmas sempre apareceu disfarçado com um pano ou lotação acima de sua cabeça, como as figuras emLes Amants.


 Uma terceira interpretação é que as pinturas representam a mãe de Magritte. Quando Magritte tinha quatorze anos, sua mãe cometeu suicídio. Seguindo seus passos para o rio Sambre, Magritte encontrou o corpo que estava nu, para além da camisola que se tornou envolvida em torno de seu rosto. 


Há evidências de que enfraquece todas essas interpretações. A primeira interpretação é posta em choque por algumas das outras obras de Magritte, incluindo L'oicentrale stoire (The Story Central)(1927) [left] e L'invenção de la vie (A Invenção da Vida)(1927-1928). Em ambas as obras, os sujeitos estão envoltos em tecido branco, mas também não apresenta o feminino / masculino casal, que foi apresentada em Les Amants, minando assim a idéia de que as mortalhas declara que "o amor é cego". de dedicação de seus quadros de Magritte ao caráter FantAmas parece improvável assim. FantAmas é um criminoso, louco hediondos (FantAmas recargas os dispensadores de perfumes em uma loja de departamentos parisiense, com ácido sulfúrico em uma história).Assim, escuro presença violentamente FantAmas em bastante quente (apesar de incomodar) cenas como Les Amants parece improvável. A interpretação final da pintura, embora apoiado pela evidência histórica subjacente, é undermINED pelos ideais de Magritte próprias declarações e surrealismo. Embora influenciado pela psicologia, os surrealistas viram o inconsciente humano como um poço de criatividade, não um mistério a ser desconstruída e resolvidas.Magritte, ele próprio não gostava de interpretações que depreciam o mistério de suas obras, e considerados os seus quadros um "desafio do senso comum", representando mais do que as neuroses do artista.Assim, talvez, como previsto, Les Amants I & II conseguiu habilmente evitar qualquer desconstruções crítica tendo em vista tanto trabalho.


René François Ghislain Magritte (21 de novembro de 1898 - 15 de agosto de 1967) se tornou conhecido por um número de instigantes imagens espirituosas. Seu objetivo pretendido por seu trabalho era desafiar 'precondicionado percepções de observadores e forçar os espectadores a realidade tornando-os hipersensíveis ao ambiente.