sexta-feira, 2 de julho de 2010

Mulher chorando - Arte em todos os sentidos

A trágica marca de Guernica multiplica-se em outras obras de Picasso de 1937 - como esta - e dos anos que virão.


O quadro acima intitula-se Mulher chorando.

"Muitos artistas diziam que Picasso não tratava a mulher como sujeito, mas como objeto, porém sua ligação com elas sempre esteve presente em toda a sua obra. A forma como Picasso retrata a mulher se liga ao momento afetivo de sua vida e a forma como percebe as mulheres." (fonte http://www.ip.usp.br/laboratorios/lapa/versaoportugues/2c53a.pdf)

Nenhuma mulher gostaria de ter tais feições, a menos que estivesse sendo vítima de alguma possessão diabólica. Que moça ou senhora sentir-se-ia à vontade, olhando-se no espelho e vendo refletida essa figura? Pensaria tratar-se de uma alucinação. Ou então, que um demônio teria desfigurado sua face.Entretanto, esse é um dos quadros mais celebrados de Pablo Picasso, quando tinha 56 anos, pintado em 1937.
Mas não pense o leitor que esse e numerosos outros quadros medonhos ou inextricáveis foram por ele produzidos por falta de talento. Não! Picasso tinha muito talento.

Asim como Guernica, A Mulher Chorando (1937) é uma denúncia das atrocidades cometidas pelos partidários do general Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola.


"Em 1937, quando Picasso pintou  Mulher chorando, sob o impacto da notícia do bombardeio de Guérnica inspirou-se em sua nova companheira, a fotógrafa Dora Maar e é a expressão da dor de uma mulher, da dor frente às desgraças. A figuração dada ao rosto feminino permite o olhar sobre diversas perspectivas. Mulher chorando retrata a dor e o sofrimento perante as tragédias humanas.

Ele pintou, durante todo seu percurso, de artista fabuloso, várias figuras da mulher. Todas estas figuras traduzem em uma linguagem de signos recém elaborados a sensibilidade e a emoção de um artista radical e inspirado diante do teatro humano.

Para Picasso, a mulher representava suas relações afetivas, e a sexualidade e o corpo eram representados muitas vezes em figuras desfiguradas e as cenas e situações que ele colocava a mulher, refletiam muitas vezes, a posição social que esta ocupava na época.

Esta é uma obra contemporânea do painel Guernica. É mais uma demonstração da genialidade do artista em converter a realidade em sua criação, como se fora um xamã. Os olhos da figura, por exemplo, parecem pequenas vasilhas que derramam grossas lágrimas sobre o lenço transparente.

Fonte: http://www.auladearte.com.br/historia_da_arte/picasso.htm

A Mulher que chora - Picasso

As gravuras de Picasso são todas elas expressão legítima do extraordinário desenhista e gravador que foi Picasso: nelas se manifesta, além da inventividade temática e formal, a competência do gravador, do artesão, que, também nesse plano, violenta as normas e as técnicas. A maior parte das gravuras expostas tem por tema o rosto de Dora Maar, companheira do artista nesses anos de guerra. Tanto na gravura quanto na pintura o rosto de Dora aparece como uma obsessão.A levar-se em conta as palavras do próprio Picasso, segundo as quais ela era essencialmente "a mulher que chora", pode-se admitir que, ao retratá-la, estava expressando o estado de espírito que a guerra lhe provocava. Essa explicação temática não exclui, porém, antes inclui, a exploração formal do tema: na série em que a figura de Dora se repete com mínimas mudanças, evidencia-se um dos procedimentos básicos do artista no tratamento de seus temas: a necessidade de explorar-lhe as possibilidades formais e cromáticas até exauri-los. A gravura, por suas características técnicas, oferecia-lhe campo propício a esse procedimento.


"Na tela , também de 1937, Picasso retoma parte dos esboços feitos para Guernica, ampliando os traços (feitos à margem inferior esquerda) de uma mãe que carrega seu filho morto nos braços. Envolta em luto e dor, a mulher agora está sozinha.
O rosto fragmentado, distorcido e atormentado é realçado pelas cores berrantes. “As cores estão para um pintor assim como os conceitos estão para os filósofos“, diria Guilles Deleuze.
Curioso (se olharmos mais atentamente) é que os dedos da mulher tornam-se o próprio lenço, sendo mordido desesperadamente pela mãe, numa simbiose que representa (segundo uma das interpretações possíveis) a tristeza, a dor da perda de um ente querido em um mundo atroz e cruel.

No dizer de Alberto Beuttenmüller:
“Picasso é o artista do devir e o que está passando, a um só tempo, do hoje e do arcaico, o artista que mudou tudo para que tudo restasse no mesmo lugar. O artista veloz que se permite ser do século XX e de todos os séculos, sem deixar de ser do agora. Picasso foi um movimento que se fez pintura, mais que todas as escolas do século XX; foi e é o pintor-tempo.”(Fonte: Blog Acerto de Contas)


LES DEMOISELLES D'AVIGNON

"É o ponto de partida das pesquisas que resultariam no cubismo. Iniciado em 1906, só ficou pronto no ano seguinte, depois de muitas transformações. Nesta tela, Picasso expressa a sua revolta contra toda a arte Ocidental com génese na Renascença, a qual representava a beleza da mulher e deu expressão a uma nova era da arte denominada “Cubismo”, resultado da sua vivência e do contato com outros tipos de arte, nomeadamente: as esculturas ibéricas e africanas, cujas formas arcaicas o artista foi modificando até atingir a geometrização rigorosa e, por fim, deformação radical. LES DEMOISELLES D’AVIGNON foi a primeira invenção moderna que abriu caminho para transgredir convenções e tradições visuais naturalistas do ocidente. Picasso subverteu por completo as regras de representar a figura humana e os objetos, desconstruiu o corpo e a separação entre figura e fundo, a anatomia foi subordinada à geometria e a luminosidade sem compromissos com a natureza, totalmente livre. A figura humana, que era para Rafael, principal elemento da representação, passou a ser um objeto a mais na paisagem, sem expressividade. A arte deixou de ser cópia ou ilustração do que é entendido como real. O que importava era o espaço construído com um olhar inquieto que pretendia desnudar as aparências para expor suas estruturas internas. Picasso se inspirou nas "Banhistas" de Cézanne. A pintura apresenta cinco figuras femininas submetidas a estilizações geométricas, corpos angulosos e desproporcionais, fragmentados, com mascaras africanas nos rostos para abolir de vez os últimos resíduos da representação renascentista. Uma pintura simultânea, com justaposição de perspectivas, uma solução encontrada por Picasso para mostrar os múltiplos pontos de vistas sobre uma mesma coisa, de frente e de costas ao mesmo tempo, que remete a certas preocupações científicas da época, o problema da representação quadridimensional, objeto de estudo do matemático francês Henri Poincaré, considerado um dos precursores da Relatividade.Esta obra representa, para além de uma obra-prima do cubismo mundial, a violação de todas as tradições e convenções visuais naturalistas ocidentais, ao apresentar cinco aleivosas (prostitutas), representadas de forma cubista, como se nota na mulher nua sentada à direita, vista simultaneamente de frente e de costas. Os rostos das personagens refletem o início do "Período Negro" na obra de Pablo Picasso, quando este sofre uma forte influência da primitivismo assemelhando-se a máscaras e esculturas africanas."
Horrível", "chocante", "monstruosa"... As reações de horror não faltaram quando Pablo Picasso apresentou, a pintura "Les demoiselles d'Avignon", que seria reconhecida como a obra fundadora da arte moderna.A representação de cinco prostitutas, duas delas com o rosto coberto por máscaras africanas, já não provoca mais escândalo, mas segue sendo uma impressão visual, "inclusive depois de um século de arte onde a única ambição foi sobrepujar a obra de Picasso", escreveu Michael Kimmelman, crítico do "The New York Times". As "Demoiselles" permaneceram durante anos longe dos olhos do público, antes de o escritor surealista André Breton convencer em 1924 o colecionador francês Jacques Doucet a investir numa obra que, segundo ele, "transcende a pintura, e é um retrato de tudo que se passou nos últimos 50 anos". Doucet pagou então 30.000 francos pela obra. O MoMA adquiriu a tela em 1939. Mais tarde, muitas obras vieram enriquecer as coleções do museu, um dos mais bem dotados do mundo. No entanto, "não existe outra obra que suscite a mesma atenção", afirmou Swinbourne. "Sempre enigmática, difícil de ler, misteriosa, é a chave de sua magia", finalizou.


"Avignon é um bairro de prostituição em Barcelona. Este quadro é provocatório, as mulheres estão pintadas sob vários pontos de vista, sem perspectiva e sem profundidade. As cinco mulheres são feias, a mulher mais à esquerda está imóvel e sem expressão, a mulher do canto superior direito têm um rosto de cão, e a abaixo desta parece uma escultura primitiva africana e está numa posição impossível (vista de costas e de frente).



As mulheres em vez de formas arredondadas são rectas.


Este foi o primeiro quadro verdadeiramente cubista."

Portanto,a mudança de padrões estéticos conserva, em sua essência, marcas de diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. Nos anos 1907 a 1914, predominou a arte cubista que foi reveladora de um contexto histórico e social por distanciando-se de padrões artísticos cristalizados e conservadores, a necessidade do povo de viver algo diferente. 

 Fonte: do  http://www.spins.com.br/artigos_view.asp?id=1131&idcol=18